Calheiros acusa: “Governador é falso moralista”

A acusação ocorreu durante sessão na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Olavo Calheiros (PMDB) afirmou que o governador Vilela (PSDB) faz uma gestão temerária e é um falso moralista. Calheiros referia-se aos repasses feitos pelo Poder Executivo para o Legislativo além do previsto no Orçamento. Os valores extras repassados chegam à R$ 41.259.425,65 desde o início do segundo mandato do tucano. Os recursos destinados à segurança pública e a propaganda oficial que anuncia redução nos índices de violência também motivaram o debate. Até deputados da bancada do governo criticaram as ações do governo Vilela.

Calheiros acusa: “Governador é falso moralista”
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Alagoas247 - O repasse feito pelo Governo do Estado de R$ 10,5 milhões a mais de duodécimo para a Assembleia Legislativa de Alagoas tem suscitado questionamentos entre os deputados. Na sessão ordinária desta terça-feira (23), o deputado estadual Olavo Calheiros (PMDB) fez duras críticas ao governador Teotônio Vilela Filho (PSDB).

 “O governador Teotônio Vilela faz uma gestão temerária e a Assembleia Legislativa é uma extensão disso. Aproveito aqui para fazer uma cobrança, para que esta Casa preste contas dos recursos que recebera", afirmou o parlamentar, que foi além: "O governador é um falso moralista e precisamos abrir esta verdadeira caixa preta".

Outro que já se manifestou no sentido de cobrar explicações junto à Mesa Diretora da Assembleia e ao Governo do Estado foi o deputado João Henrique Caldas (PTN), sugerindo que o Ministério Público Estadual (MPE) pode acelerar a investigação a que se propõe, caso deseje solicitar um documento que relata o trâmite ilegal em transferências feitas pelo Executivo.

João Henrique Caldas explicou que, em dezembro passado, entregou o relatório nas mãos do secretário de Estado da Fazenda, Maurício Toledo, para que o gestor tomasse ciência dos acréscimos no montante destinado ao Legislativo, ainda no ano de 2011. “Entreguei a papelada ao secretário Maurício, informando sobre o erro do governo, que, inclusive, poderá responder por improbidade administrativa”, destacou.

Repasses

Os valores extras repassados ao Legislativo Estadual chegam à ordem de R$ 41.259.425,65 desde o início do segundo mandato do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), podendo alcançar os R$ 84,3 milhões no fim deste ano. Já o procurador-geral de Justiça, Sérgio Jucá, alegou que abrirá procedimento investigatório, solicitando, inclusive, informações junto à Sefaz.

O repasse de mais de 10,5 milhões à Assembleia desrespeita valor previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada em 26 de dezembro do ano passado. O parlamento alagoano tem despesas fixadas em R$ 143 milhões. Dividindo-se este valor por 12, a despesa mensal não deveria ultrapassar R$ 11.916.666,66.

Porém, o Portal da Transparência Ruth Cardoso revela que de janeiro a março deste ano, os deputados já consumiram R$ 46.523.125,74 – o que, repartido entre os três primeiros meses do ano, representa R$ 15.507.708,58 mensais.

 Violência em Alagoas

 O tema também repercutiu na Assembleia Legislativa. O deputado estadual João Beltrão (PRTB) cobrou explicações do governo do Estado sobre os recursos destinados à segurança pública em Alagoas, criticando as ações da Secretaria de Estado da Defesa Social.

 “Eu não consigo entender de que forma a quantidade de dinheiro que vem para Alagoas, como a imprensa divulga, tem sido gasto. E a situação segue do jeito que está. Não sei para quê está servindo tanto dinheiro", criticou o parlamentar, lembrando a precariedade do funcionamento da delegacia de Polícia Civil em sua cidade, Coruripe, no Litoral Sul alagoano.

 “A delegacia está fechada. É um absurdo o que está acontecendo”, emendou João Beltrão, cobrando providências para se fortalecer o combate à criminalidade. Em tom de revolta, o deputado reclamou da falta de segurança em Alagoas, criticando, em especial, a falta de estrutura das delegacias. Na oportunidade, o deputado ainda criticou a propaganda do governo, 'que divulga suposta redução do número de homicídios'.

 “O delegado que trabalha em Coruripe também trabalha em Feliz Deserto e Piaçabuçu. Veja que absurdo o fato de se trabalhar em três municípios. Se você chegar lá em Coruripe e perguntar a qualquer pessoa na rua quem é que manda em Coruripe, todos dirão que é o Pataca. Este Pataca é um vendedor de droga. Todos o conhecem, mas ninguém o prende”, desabafou.

E até um correligionário do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), Joãozinho Pereira, reforçou o coro, questionando a onda de violência em Alagoas. Ele fez uma relação entre a criminalidade e a ausência de policiais nas ruas, afirmando que o comando da Polícia Militar precisa adotar a carga horária com a qual trabalham os policiais de São Paulo.

 “Aqui se trabalha um dia, com folga nos outros dois. Deveria ser como em São Paulo”, afirmou o parlamentar, ao defender que o policial militar de Alagoas trabalhe 12 horas, folgando outras 12. “Mesmo sendo do mesmo partido do governador, também não concordo com a propaganda oficial que anuncia a redução da violência no Estado, explicou o deputado”.

 Com gazetaweb.com

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