Calotes em compras de veículos batem recorde

Descumprimentos de três meses ou mais sobre planos de pagamentos chegam a 5,9% em abril; índice é o maior desde o início da medição, no ano 2000; banco central responsabiliza "elevação expressiva" do crédito

Calotes em compras de veículos batem recorde
Calotes em compras de veículos batem recorde (Foto: Divulgação)
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Agência Brasil – A inadimplência do crédito para a compra de veículos registrou recorde em abril. Segundo dados do Banco Central (BC) divulgados hoje (25), o nível de 5,9% no descumprimento de obrigações financeiras pelos compradores de automóveis, em abril, é a maior da série histórica iniciada em 2000. Em relação a março, a inadimplência, considerados atrasos superiores a 90 dias, subiu 0,2 ponto percentual. Este foi um dos grupos de indicadores econômicos que o BC apresentou hoje.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o aumento atual da inadimplência ainda é decorrente da "elevação expressiva" do saldo de crédito para a compra de carros em 2010, com alta de 50%. Maciel disse ainda que, a partir de meados de 2011, as instituições financeiras passaram a ser mais cautelosas na concessão de crédito para veículos.

Além disso, o BC adotou no final de 2010 medidas de restrição ao crédito, parcialmente revertidas em 2011. Segundo Maciel, com isso, em 2011, o ritmo de expansão do crédito para veículos caiu para 23% e atualmente está em torno de 17%.

"De meados de 2011 para cá, a postura mais conservadora dos bancos tem sido importante para contenção, para melhorar a qualidade do crédito", destacou. Por isso, a expectativa do BC é de acomodação e de reversão da inadimplência.

Os dados do BC também mostram que a média diária de concessões de crédito para a compra de veículos caiu 4,6%, em abril, em relação a março. Essa média ficou em R$ 337 milhões. No caso das concessões acumuladas no mês, a queda foi de 13,2%, com R$ 6,747 bilhões.

Por conta dessa redução nos financiamentos de veículos, no último dia 21, o governo anunciou medidas de estímulo ao segmento. Para Maciel, as medidas não devem mudar a postura das instituições financeiras de cautela na concessão de financiamentos de carros.

Apesar disso, o economista avalia que esse tipo de crédito vai crescer porque há aumento de demanda. "Os novos estímulos vão dar fôlego", destacou. Ele acrescentou que a diferença entre a situação atual e a de 2010 é que houve "uma lição aprendida ao longo desse período, que se traduziu na maior cautela dos bancos", disse.

Os dados do BC também mostram que houve queda na taxa de juros para a compra de carros de 0,5 ponto percentual de março para abril, ao ficar em 26% ao ano. O prazo médio para esse tipo de crédito caiu quatro dias corridos, alcançando agora 515 dias. No mesmo mês do ano passado, estava em 560 dias corridos.

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