Campos por todos e todos por Campos, menos Cid

Como no bordão dos três mosqueteiros, os governadores do PSB estão fechados em torno de Eduardo Campos à Presidência da República; as vozes discordantes ficam por conta do governador do Ceará, Cid Gomes, e de seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, que querem levar a discussão da candidatura para o Diretório Nacional; setores do PSB avaliam que os irmãos Gomes podem deixar o partido caso sejam derrotados

Campos por todos e todos por Campos, menos Cid
Campos por todos e todos por Campos, menos Cid
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Paulo Emílio_PE247- O programa partidário do PSB que vai ao ar em cadeia nacional de rádio e televisão nesta quinta-feira deverá colocar de forma mais clara as pretensões da legenda e do potencial candidato à presidência da República em 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e também marcará posição junto aos governadores pessebistas, que estão fechados em torno do projeto da candidatura própria do partido. Todos menos uns. Ao contrário dos demais, o governador do Ceará, Cid Gomes, e o seu irmão, o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, não aprovam as pretensões de Campos e defendem que o assunto seja discutido em uma reunião do Diretório Nacional. Caso isso realmente aconteça, setores do PSB avaliam que os irmãos Gomes devem deixar a legenda, embora eles afirmem que respeitarão o resultado tomado pela cúpula partidária.

Os Gomes tem pressa. Como o partido planeja abandonar a base governista e entregar os cargos que ocupa no Governo Federal – o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria Especial de Portos – em setembro, a reunião tem que acontecer necessariamente antes deste período. A decisão de entregar os cargos no segundo semestre foi tomada de forma a evitar que pos´siveis retaliações por parte do PT repercutissem diretamente nos colo dos estados administrados pelo PSB, em especial Piauí, Amapá e Paraíba, segundo o jornal Valor Econômico.

Esta pressão por parte dos Gomes contra a candidatura de Campos contaria com o apoio velado do Palácio do Planalto e do próprio PT, que contam com um racha na legenda socialista para minar a força do governador pernambucano na Região em que concentra o seu maior capital político. Atento a esta questão, Campos tem buscado apoio junto a parlamentares da base aliada insatisfeitos com o tratamento recebido por parte do Partido dos Trabalhadores e da própria presidente Dilma, além das legendas de oposição. A estratégia tem surtido efeito. Em um jantar promovido pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB- PE), em Brasília, 14 senadores marcaram presença para escutar Eduardo pontuar o seu projeto político.

O jornal cita, ainda, um outro fato político que teria acirrado o ânimo de Campos. Após as denúncias de que os seus encontros com sindicalistas contrários às alterações promovidas pela MP 595, a Lei dos Portos, estariam sendo monitoradas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) a mando do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ligado à Presidência da República, o governador esperava pelo menos um gesto da presidente Dilma para tranquiliza-lo a este respeito, o que acabou não se concretizando.

Como as constantes críticas e manifestações contrárias feitas por Cid e Ciro Gomes não demoveram Campos e nem o PSB acerca da corrida sucessória para 2014 e às vésperas da veiculação do guia partidário, as pressões agora se baseiam no resultado da reunião da Executiva do partido. Caso o PSB insista em manter a candidatura, a expectativa é que os Gomes abandonem a legenda, provocando um racha semelhante ao vivido pelo PT em Pernambuco, que permanece dividido desde as últimas eleições municipais, quando foi apeado do comando da capital pernambucana após doze anos à frente do Executivo municipal.

Uma outra esperança do PT em torno de uma possível desistência da candidatura própria  dos socialistas vem do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho. De acordo com a coluna politica da revista Época, Bezerra teria dito a Campos que diversas pesquisas apontam para o favoritismo de Dilma em 2014. Ele também tem se mostrado contra os planos do PSB e a antecipação do debate eleitoral, além de defender a manutenção da aliança histórica entre as legendas. Ainda segundo a publicação, FBC e Campos voltarão a conversar em um prazo de até 30 dias após a veiculação do programa partidário, quando uma nova avaliação do quadro sucessório deverá ser realizada.

A posição contrária de FBC também tem gerado uma série de especulações sobre a sua aproximação com o PT da presidente Dilma Rousseff. A avaliação é que o ministro estaria de malas prontas para ingressar nas fileiras petistas. Em troca seria o candidato do partido para disputar o Governo de Pernambuco contra o indicado por Eduardo Campos, o que poderia rachar o PSB no Estado. As especulações são negadas tanto pelo PT como pelo  próprio ministro.

Enquanto isso, o potencial candidato pessebista segue montando a base de seu plano de governo. Para tanto, o socialista vem contando com o apoio da Fundação João Mangabeirana discussão de temas ligados a ampliação e melhorias dos programas sociais, criação de um novo pacto federativo, política econômica e industrial, segurança pública, educação, saúde, infraestrutura, entre outros assuntos. A coleta de subsídios vem sendo feita através de uma série de eventos intitulados "Oficina Diálogos do Desenvolvimento Brasileiro", iniciada em abril, no Rio de Janeiro. Outros dez encontros do gênero deverão acontecer em várias cidades brasileiras até o final deste ano.

Pelo visto, pelo menos até o momento, as vozes contrárias aos planos do PSB em concorrer ao Planalto não tem surtido efeito e a corrida sucessória, diferente do mote adotado pela legenda de que 2014 somente deve ser discutido em 2014,  já começou para valer em 2013.

 

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