Campos volta a criticar antecipação eleitoral
“A gente vai ver que não foi boa essa precipitação, a gente fica só no jogo eleitoral, quando é fundamental garantir o equilíbrio das contas públicas e evitar um processo inflacionário”, afirmou o governador de Pernambuco e possível candidato à presidência em 2014, durante a 17ª Conferência da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale)
Leonardo Lucena _PE247 – Cotado para ser um dos concorrentes da presidente Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais de 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), hoje aliado do Partido dos Trabalhadores, criticou a antecipação do debate eleitoral, durante a 17ª Conferência da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), no Teatro Guararapes, no Recife (PE). “A gente vai ver que não foi boa essa precipitação, a gente fica só no jogo eleitoral, quando é fundamental garantir o equilíbrio das contas públicas e evitar um processo inflacionário”, declarou. Durante a conferência, Campos recebeu o apoio inesperado do ex-presidente da Câmara, o ex-deputado federal Severino Cavalcanti (PP-PE), que renunciou ao cargo para não ser cassado e foi impedido de disputar as eleições municiais 2012 por ter sido enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
No encontro da Unale, Campos voltou a criticar a política econômica do Governo Dilma no que diz respeito a inflação. No dia 16 do mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), elevou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25%, e que hoje está no patamar anual de 7,5%. O objetivo foi conter a inflação, que estava em 6,59%, enquanto o teto da meta é de 4,5%.
De acordo com o governador pernambucano, este não é a melhor solução para reduzir o processo inflacionário. “Esta é uma visão atrasada”, afirmou. Na avaliação do pessebista, o melhor caminho seria aumentar a produção e controlar as contas públicas. O gestor disse que as críticas não se tratam de “um jogo de botar defeito no governo”. “É preciso ter a coragem de apoiar o que está certo, não só os da base do governo, mas também a oposição, que deve ser chamada para o debate nacional”, acrescentou.
Campos afirmou que, se não houver um debate conjunto entre aliados e oposicionistas da presidente Dilma em torno de questões como a estabilidade econômica e a busca por investimentos, “aos vencedores podem sobrar as batatas-quentes”, adaptando uma frase dita pelo personagem Quincas-Borba (livro de mesmo nome) – “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas” -, do escritor Machado de Assis, lançado em 1892.
“O debate não deve ser interditado, deve ser feito, não tem nada a ver com o debate eleitoral”, disse o pessebista. “Este (o debate eleitoral) é inexorável e com debate ou não vai ter eleição”, declarou. Segundo o gestor, o debate nas eleições presidenciais 2010 foi “débil”.
Em meio à antecipação do debate eleitoral, o ex-deputado federal Severino Cavalcanti (PP-PE), que esteve no evento, confirmou o seu apoio à candidatura de Eduardo Campos (PSB) ao Palácio do Planalto, caso esta venha a se confirmar. “O senhor tem o meu apoio. Se o meu partido não rumar com você serei um dissidente, mas apoiarei a sua candidatura”, afirmou.
O progressista e ex-prefeito de João Alfredo, no Agreste pernambucano, foi o principal envolvido no escândalo conhecido como “Mensalinho”, em 2005, quando foi acusado de cobrar propina do empresário Sebastião Bueni, dono de um restaurante que funcionava na Câmara Federal, para que o estabelecimento não fosse fechado. Cavalcanti renunciou ao cargo para não ser cassado e foi impedido de disputar as eleições municiais 2012 por ter sido enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que passou a vigorar em 2010, mas com efeito retroativo.
Além disso, o ex-parlamentar foi multado duas vezes pelo Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) por ultrapassar o limite de 54% da receita municipal com o pagamento de funcionários – segundo as investigações, este percentual havia chegado a 79%. O tribunal também multou o progressista, pela terceira vez, em R$ 16,8 mil, sob o argumento de que Severino não teria cumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) à frente da Prefeitura de João Alfredo (2009-2012).
