Comandante da Marinha alerta: Situação orçamentária é “preocupante”

O comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE), presidida pelo senador alagoano Fernando Collor (PTC), revelou que a Marinha vive hoje uma situação "extremamente delicada e preocupante" por conta da redução da verba, sem contar os contingenciamentos feitos pelo governo federal; o programa referente ao submarino nuclear também corre risco

O comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE), presidida pelo senador alagoano Fernando Collor (PTC), revelou que a Marinha vive hoje uma situação "extremamente delicada e preocupante" por conta da redução da verba, sem contar os contingenciamentos feitos pelo governo federal; o programa referente ao submarino nuclear também corre risco
O comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado (CRE), presidida pelo senador alagoano Fernando Collor (PTC), revelou que a Marinha vive hoje uma situação "extremamente delicada e preocupante" por conta da redução da verba, sem contar os contingenciamentos feitos pelo governo federal; o programa referente ao submarino nuclear também corre risco (Foto: Voney Malta)

Alagoas 247 - Para possuir uma esquadra digna da relevância geopolítica do país, a Marinha do Brasil precisa de destinações orçamentárias anuais entre R$ 3,2 bilhões e R$ 3,4 bilhões, revelou o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), realizada na manhã desta quinta-feira (25). Mas o atual cenário de restrições, advertiu o militar, tem causado grandes dificuldades, uma vez que para 2017 a verba disponível será de R$ 2,34 bilhões, sem contar os contingenciamentos.

O colegiado é presidido pelo senador Fernando Collor de Mello (PTC/AL). Durante os debates, o parlamentar ressaltou a importância de se investir na tecnologia militar, visto que, ao longo dos últimos anos, 13 marcos de avanço tecnológico do país tiveram como base o desenvolvimento cientifico na área das Forças Armadas. Collor disse também que é fundamental que o país esteja pronto para qualquer tipo de eventualidade, como força de dissuasão, mantendo, assim, o reino de paz, concórdia e de consenso nas relações com os países aliados. 

Em virtude dessa condição narrad  pelo almirante, Bacellar afirmou que a Marinha vive hoje uma situação "extremamente delicada e preocupante", a despeito do quadro técnico altamente capacitado e de continuar cumprindo plenamente sua missão constitucional. "Precisamos de pelo menos mais R$ 800 milhões por ano pra que o Brasil tenha uma esquadra de acordo com suas necessidades. Isso precisa ser acertado ou a nossa esquadra de superfície vai desaparecer em pouco tempo", ressaltou. 

O senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que a comissão tem a obrigação de suprir as necessidades brasileiras de defesa marítima. "Basta ver a idade de nossas fragatas e corvetas, é uma deficiência gravíssima. Se a situação hoje é relativamente tranquila, num futuro médio nós não sabemos o que pode acontecer", alertou o senador, reiterando que o presidente da CRE, Fernando Collor, trabalhará com os demais membros na identificação de fontes de recursos adicionais.

Submarino nuclear

Uma das maiores prioridades da Marinha continua sendo o programa de submarinos nucleares. O senador José Agripino (DEM-RN) chamou a atenção para a importância científica do projeto. Desenvolvido em parceria com a França, o primeiro submarino teve o projeto de sua fase básica finalizado em janeiro, e, segundo Bacellar, a construção de fato deve começar em 2020. "Um submarino nuclear já é um grande avanço para nós, ainda que não lancemos mísseis balísticos. E talvez nem seja o momento pra desenvolvermos isso, exigiria uma necessidade estratégica", afirmou o militar.

Em resposta a Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Bacellar disse que o acordo com a França tem sido vantajoso também no que se refere à transferência de tecnologia, com centenas de engenheiros e técnicos brasileiros atuando naquele país. "Mas no reator nuclear ninguém nos ajuda. Aliás, tem país que, se puder, vai querer nos atrapalhar. É um grande desafio de nosso programa, onde continuamos avançando", informou.

O militar também chamou a atenção para a relevância que possui o programa nuclear da Marinha na retenção de milhares de jovens cientistas que "provavelmente já estariam trabalhando fora do país, se não fosse ele". No que se refere à atuação da Marinha como um todo, ele ressaltou a importância que tem o resguardo de nossas águas territoriais para a internet (dependente de cabos submarinos) e para as trocas comerciais, pois cerca de 10% do que se transporta por mar em todo o mundo passa por águas brasileiras.

Com gazetaweb.com

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