Comitiva pede que IPE descredencie médica que recusou filho de petista

Nas últimas três semanas, o caso da pediatra que se recusou a continuar atendendo um bebê devido à filiação partidária da mãe da criança foi amplamente divulgado e debatido; Ariane Leitão, que foi secretária de Políticas para as Mulheres no governo de Tarso Genro (PT), divulgou em seu Facebook no último dia 22 que recebeu uma mensagem da médica de seu filho dizendo que não poderia mais atendê-lo por ela ser petista; agora, o advogado da família e uma comitiva de deputados estaduais tiveram uma reunião com o presidente do Instituto de Previdência do Estado (IPE), em que pediram o descredenciamento da médica

Comitiva pede que IPE descredencie médica que recusou filho de petista
Comitiva pede que IPE descredencie médica que recusou filho de petista (Foto: Humberto Alencastro/IPERGS)

Débora Fogliatto, Sul 21 - Nas últimas três semanas, o caso da pediatra que se recusou a continuar atendendo um bebê devido à filiação partidária da mãe da criança foi amplamente divulgado e debatido. Ariane Leitão, que foi secretária de Políticas para as Mulheres no governo de Tarso Genro (PT), divulgou em seu Facebook no último dia 22 que recebeu uma mensagem da médica de seu filho dizendo que não poderia mais atendê-lo por ela ser petista. Agora, o advogado da família e uma comitiva de deputados estaduais tiveram uma reunião com o presidente do Instituto de Previdência do Estado (IPE), em que pediram o descredenciamento da médica.

A comitiva de deputados formada por Pedro Ruas (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB), Jefferson Fernandes (PT), Stela Farias (PT) e Valdeci Oliveira (PT) foi recebida na manhã desta terça-feira (12), na sala da presidência da instituição. O advogado Ramiro Goulart, que representa a família, também esteve no encontro e afirmou que o grupo foi “muito bem recebido” na sede do Instituto. “Falamos da abertura de sindicância, a qual pode levar à abertura de processo administrativo e, por fim, ao descredenciamento da médica Maria Dolores Bressan em virtude de violação ao regimento interno do IPE”, explicou.

Na visão do advogado, ela também feriu o Código de Ética Médica, embora o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) tenha parabenizado a pediatra por sua atitude, afirmando que ela seguiu os princípios da profissão. “O regimento interno do IPE determina que ela atenda com civilidade a todos e ela feriu esse compromisso que assumiu quando se filiou. A sindicância, então, foi aberta naquele momento”, relatou Goulart.

Ele explica que, embora os deputados tenham participado do encontro, a iniciativa de abrir a sindicância partiu dos pais do bebê. “Já era pretensão dos pais, orientados por mim, mas ganhou muita repercussão e os deputados decidiram abraçar a causa, assumir para si. Porque a Assembleia também exerce um poder fiscalizatório a todos os órgãos da administração pública, e até porque se sentiram também vitimados”, aponta o advogado.

A deputada Manuela d’Ávila destacou o fato de a médica ter se indisposto com o paciente sem motivo provocado pelo próprio. “E se fosse um filho de um negro, de um judeu? Se substituirmos a partir desta lógica, fica ainda mais clara a questão da discriminação que Ariane e seu filho sofreram. Ninguém mais pode passar por isso”, disse a parlamentar.

Para Valdeci, as evidências apontam para um ato “desumano”, agravado pelo fato de prejudicar uma criança de um ano de idade. “Jamais um atendimento de saúde poderia ser negado, porque fulano tem esta ou aquela preferência política”, salientou. Após os relatos e cobranças, o presidente do IPE afirmou que serão tomadas as medidas administrativas internas na autarquia e a abertura de uma sindicância para analisar a solicitação.

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