Contra isolamento, Dilma busca apoio do Nordeste

Presidente reúne os governadores do Nordeste nesta tarde, no Planalto, em busca de apoio em um momento de acirramento da crise política e resistências do Congresso ao ajuste fiscal; o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declarou na semana passada que procuraria os colegas para que fizessem "defesa constitucional" pública ao governo Dilma; alguns dos presentes são Wellington Dias (Piauí), Renan Filho (Alagoas), Rui Costa (Bahia), Ricardo Coutinho (PSB) e Camilo Santana (Ceará); em troca, governadores entregarão à presidente uma pauta de reivindicações para a região, como a moderação nos cortes e a cobrança pelo atraso na regulamentação do indexador das dívidas de Estados e municípios

A presidente Dilma reúne-se com os governadores da região Nordeste (Valter Campanato/Agência Brasil)
A presidente Dilma reúne-se com os governadores da região Nordeste (Valter Campanato/Agência Brasil) (Foto: Paulo Emílio)

247 – Decisivo para a reeleição de Dilma Rousseff no ano passado, o Nordeste mostrou queda no apoio ao governo da presidente, segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada. No momento mais delicado da gestão da petista, ela reúne às 16 horas desta quarta-feira 25, no Palácio do Planalto, nove governadores da região.

Dilma pedirá apoio em meio a acusações de que seu partido tenha recebido propina por meio de doações legais no esquema investigado pela Operação Lava Jato, manifestações pedindo impeachment e intervenção militar e reações negativas, inclusive de aliados, contra o anúncio de medidas de ajuste fiscal.

O encontro foi articulado pelo governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), forte aliado de Dilma. Na eleição presidencial do ano passado, ele contrariou a orientação de seu partido e decidiu ficar do lado da petista no segundo turno.

Além dele, estarão presentes os governadores Rui Costa (Bahia), Flávio Dino (Maranhão), Wellington Dias (Piauí), Paulo Câmara (Pernambuco), Renan Filho (Alagoas), Robinson Faria (Rio Grande do Norte), Camilo Santana (Ceará) e Jackson Barreto (Sergipe).

Em troca, os governadores aproveitarão o momento para entregar à presidente uma pauta de reivindicações para a região. Eles pedirão a manutenção de investimentos em obras, a liberação de créditos subsidiados e cobrarão pelo atraso na regulamentação do novo indexador das dívidas estaduais e municipais.

Após uma reunião com Dilma na semana passada, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declarou que procuraria os colegas nordestinos para que fizessem "defesa constitucional" pública ao governo Dilma.

"Os governadores do Nordeste pediram uma audiência para ajudar o Brasil a enfrentar o desafio. O Nordeste é uma região que cresce mais do que o país, então é fundamental a presidente ter nesse diálogo a disposição para iniciar um processo de rearrumação, tanto da economia quanto da política", disse o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

Para Ricardo Coutinho, “o Brasil não pode fechar todas as torneiras e achar que só o superávit importa. Isso pode causar desemprego que, somado à inflação que já está aí, pode ser fatal para os brasileiros”. O governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), lista como prioridade a regulamentação do indexador das dívidas estaduais e municipais. “Não é uma demanda só minha, mas de vários Estados que estão com dívida”, observou.

As demandas dos governadores nordestinos, contudo, deverão encontrar dificuldades para serem viabilizadas em razão do ajuste fiscal pretendido pelo governo federal. A avaliação é que a reunião seria um gesto de conciliação com a região.

Em dezembro do ano passado, os governadores eleitos assinaram a chamada “Carta da Paraíba”, listando 15 exigências comuns a todos os estados do Nordeste. No documento, eles reconheciam a nova conjuntura econômica e financeira e afirmavam que aceitariam rediscutir parte das demandas listadas. O temor, porém, está concentrado sobre o fato de que a redução dos investimentos federais e as dificuldades na obtenção de crédito acabem por gerar desemprego.

“Obras importantes não podem passar por contingenciamento. É preciso mantermos um pouco a condição de investir, principalmente para garantir a questão do emprego", disse Paulo Câmara (PSB). 

Abaixo, reportagem da Agência Brasil publicada às 18h:

Dilma está reunida com governadores do Nordeste no Palácio do Planalto

Paulo Victor Chagas – A presidenta Dilma Rousseff está reunida na tarde desta quarta-feira (25) com os nove governadores da Região Nordeste. O encontro, no Palácio do Planalto, ocorre depois que os chefes do Executivo dos estados nordestinos anunciaram a recriação do Fórum dos Governadores do Nordeste, em dezembro passado.

A reunião começou por volta das 16h30 e conta, também, com a presença do vice-presidente da República, Michel Temer, dos ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da Fazenda, Joaquim Levy, do Planejamento, Nelson Barbosa, da Previdência, Carlos Gabas, e da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas.

No documento chamado de Carta da Paraíba, os governadores elegeram 15 pontos prioritários para melhorar as políticas públicas e solicitam investimentos para o aumento dos indicadores sociais e econômicos na região. A carta foi elaborada durante encontro no dia 9 de dezembro do ano passado, em João Pessoa.

Além de novas formas de financiamento para a saúde, principalmente para a média e alta complexidade, os governadores centram suas demandas na área da segurança. Eles pedem a construção de uma política nacional para modernizar as forças de segurança e de um plano nacional de combate às drogas e às armas.

"No tocante à criminalidade, à medida que o Nordeste cresceu economicamente, na contramão das demais regiões do país, os índices de violência chegaram a níveis extremos. Em alguns estados, a Organização Mundial da Saúde trata a situação de segurança como problema 'endêmico'", escreveram os governadores.

Outros pontos da carta chamam a atenção para o Nordeste sobre políticas que têm sido implantadas em todo país, como investimentos em infraestrutura, reforço à política educacional, incentivos fiscais para a industrialização e incentivo ao setor sucroalcooleiro.

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