Corsan aderem à paralisação contra reforma da Previdência

De acordo com o Sindiágua-RS, sindicato que representa a categoria, a decisão foi aprovada por unanimidade pelos cerca de mil trabalhadores que participaram do evento; na assembleia, foi lançada a campanha “Sartori, tire as tuas garras da Corsan”; o Sindiágua diz que o abastecimento à população no dia 15 não será afetado pela paralisação, uma vez que será mantido um contingente mínimo para garantir a prestação de serviços essenciais.

10/03/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Caminhada dos servidores da Corsan e do Sindiágua contra as privatizações do governo Sartori. 
10/03/2017 - PORTO ALEGRE, RS - Caminhada dos servidores da Corsan e do Sindiágua contra as privatizações do governo Sartori.  (Foto: Leonardo Lucena)

Luís Eduardo Gomes, Sul 21 - Em assembleia realizada na manhã desta sexta-feira (10) na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre, servidores da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) decidiram aderir à paralisação do dia 15 de março contra a reforma da Previdência, convocada por centrais sindicais. De acordo com o Sindiágua-RS, sindicato que representa a categoria, a decisão foi aprovada por unanimidade pelos cerca de mil trabalhadores que participaram do evento.

O Sindiágua diz que o abastecimento à população no dia 15 não será afetado pela paralisação, uma vez que será mantido um contingente mínimo para garantir a prestação de serviços essenciais.

A assembleia teve como pauta principal o acordo coletivo da categoria, que vence em abril. No entanto, os trabalhadores também discutiram uma agenda política, de apoio à luta contra a reforma, e de protesto contra o governo do Estado e a atual gestão da Corsan. Apesar das negativas do governo Sartori de que a companhia pode entrar na lista de empresas estatais a serem privatizadas ou federalizadas, os servidores temem que a empresa esteja sendo preparada para isso. Outra luta da categoria é contra a terceirização das atividades-fim da Corsan, o que já estaria sendo proposto em cidades como Santa Cruz do Sul.

De acordo com Arílson Wunsch, secretário-geral do Sindiágua, a gestão atual da Corsan vem adotando uma série de resoluções internas para “engessar” os trabalhadores, o que acaba piorando a qualidade dos serviços prestados à população. “Estão deixando os funcionários sem condições de trabalho, cortando horas extras e fazendo os servidores trabalharem o mínimo possível. Na contrapartida, deixamos a sociedade sem serviço. Aí vem a solução mágica: a terceirização. Também somos contra as horas extras, mas que se contrate novas pessoas”, afirma.

Na assembleia, foi lançada a campanha “Sartori, tire as tuas garras da Corsan”. Após o evento, os trabalhadores partiram em caminhada na direção do Palácio Piratini, onde foi realizado um ato político contra a possibilidade de privatização.

O ato também incluiu uma caminhada até a sede da Corsan em Porto Alegre, em protesto contra a atual direção da companhia. Segundo Wunsch, além do engessamento, há problemas de falta de autonomia de chefias de unidade. “Tudo depende da sede em Porto Alegre. Os trabalhadores estão vendo o que está acontecendo e decidiram fazer uma caminhada contra isso”, afirma.

Os trabalhadores redigiram um manifesto para entregar ao diretor-presidente da Corsan, Flávio Presser, com críticas à atual gestão. Confira a íntegra a seguir.

Manifesto dos trabalhadores e trabalhadoras da Corsan

Os trabalhadores e Trabalhadoras da Corsan, vem através do presente documento registrar seu descontentamento pelas inúmeras ações que a atual gestão da Companhia vem tomando em relação à seus funcionários.

Tais medidas vem gerando clima de revolta, que em nada contribui para o bom andamento da prestação do bom serviço de saneamento pelo qual a Corsan é historicamente conhecida pelo povo gaúcho.

Medidas de simples solução, como o fornecimento de vale-transporte, autorização de horas extraordinárias realmente necessárias em todos os setores, a incerteza de receber pelo trabalho realizado, entre outras inúmeras situações, estão gerando desavenças entre os funcionários e chefias, que sem autonomia, acabam apelando para táticas de assédio moral, o que infelizmente vem se tornando uma prática costumeira em nossa Companhia.

Além do mais, a alteração do contrato de trabalho, com a implantação da resolução 027/2016 – GP poderá gerar inúmeros processos trabalhistas, o que acreditamos não ser o objetivo do governo do Estado através da direção da Corsan. O SINDIÁGUA/RS e os trabalhadores da Corsan não tem interesse algum em acionar a Companhia na justiça.

Ainda, temos a questão dos trabalhadores e trabalhadoras que atuam na área do tratamento de água e esgoto, que estão sendo proibidos de laborarem por mais de 06 horas diárias, para não gerar passivo trabalhista, contrariando o previsto no ACT, na cláusula específica do Turno de Revezamento. Os erros na implantação dos intervalos, a insistência em manter Estações de Tratamento ligadas com operadores realizando seus respectivos intervalos, o risco de desbastecimento nas populações, são alguns dos problemas que estão sendo criados pela atual gestão pela exclusiva FALTA DE DIÁLOGO.Alertamos que os chefes de todo o estado estão dizendo que essa ORDEM veio de cima e tem que
cumprir.

O SINDIÁGUA/RS reitera sua posição de estar sempre aberto para a construção de saídas que venham a somar para o benefício desta companhia, que é PATRIMÔNIO DO POVO GAÚCHO, e que possui mais de meio século de história.

Direções passam, e os trabalhadores e trabalhadoras permanecem, doando seus esforços e construindo seus sonhos dentro da Corsan. O autoritarismo nunca rendeu sementes, muito menos frutos duradouros.

Neste momento em que iniciamos mais uma CAMPANHA SALARIAL, registramos nosso REPÚDIO aos atos relatados acima, solicitando que a Direção da Corsan reveja sua conduta para com os funcionários de carreira desta Companhia para que tenhamos um profícuo trabalho na negociação de nosso Acordo Coletivo de Trabalho.

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