Crise de Marconi Perillo explode no Jornal Nacional

Deu no Jornal Nacional: pagamento de despesas de campanha de Marconi Perillo por empresa fantasma de Carlinhos Cachoeira torna, segundo Patrícia Poeta, "ainda mais delicada" a situação do governador goiano; enquanto o PT anuncia quebra de sigilos de Marconi, o PSDB o abandona

Crise de Marconi Perillo explode no Jornal Nacional
Crise de Marconi Perillo explode no Jornal Nacional (Foto: Divulgação_Folhapress)
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247 – A situação do governador Marconi Perillo “ficou ainda mais delicada”, na expressão da âncora do Jornal Nacional, Patrícia Poeta. O principal noticioso da Rede Globo veiculou nesta sexta-feira 1 reportagem a respeito da denúncia do jornalista Luis Carlos Bordoni de que a campanha de Perillo para governador de Goiás, em 2010, foi contemplada com dinheiro saído da empresa Alberto e Pantoja. Essa companhia pertenceria ao esquema criminoso coordenado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. O JN acentuou que a denúncia prejudica a defesa de Marconi diante da CPI. Foi ouvido o líder do PT na Câmara dos Deputados, Jilmar Tatto, que manifestou a intenção do partido em pedir, no ambiente da Comissão, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Perillo. Igualmente abriu espaço para uma ‘sonora’ do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). “Uma denúncia desse tipo sangra qualquer agremiação partidária”, resumiu ele. Sem dúvida, a situação de Marconi, que já não era boa, piorou.

Leia, abaixo, reportagem desta manhã do 247:

Apareceu a Fiat Elba de Marconi Perillo

Goiás 247 – Vinte anos atrás, na crise do impeachment do ex-presidente Collor, a prova definitiva foi uma singela Fiat Elba. O carro havia sido pago com recursos do caixa dois de campanha do esquema PC Farias. Desta vez, a na crise que atinge o governador de Goiás, Marconi Perillo, a Fiat Elba é um jornalista.

Ele se chama Luiz Carlos Bordoni e está no centro da polêmica envolvendo o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Ele é a testemunha que prova a ligação dos dois, uma ligação que tem as digitais na campanha eleitoral de 2010, quando o tucano foi eleito para o seu terceiro mandato à frente do Estado.

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo traz entrevista exclusiva do repórter Fernando Gallo com Bordoni em que este afirma de forma direta que recebeu como pagamento por serviço prestado à campanha de Marconi, da Alberto e Pantoja, empresa fantasma que de acordo com a Polícia Federal era controlada por Cachoeira. O pagamento, de R$ 45 mil – referente à metade da conta – foi feito por um dos principais assessores do governador, Lúcio Fiúza Gouthier, depois de seis meses de atraso. 

"O sr. Lúcio Gouthier me ligou perguntando o número da minha conta pra depositar esse dinheiro. Eu disse a ele que estava viajando, e que minha filha, que paga minhas contas e administra as minhas coisas, iria receber. Dei o número da conta dela para ele. De repente, essa conta foi passada para a Pantoja", afirmou Bordoni ao Estado. "O dinheiro foi depositado pela Pantoja na conta da minha filha. Era dívida de campanha do governador Marconi Perillo dos R$ 90 mil de saldo do trabalho que prestei a ele no programa de rádio na campanha de 2010."

Só pra lembrar: Lúcio Gouthier Fiúza é o assessor de Marconi Perillo que assinou documento afirmando ter recebido R$ 1,4 milhão pela casa do governador, que teria sido vendida para Carlinhos Cachoeira. Ele também é suspeito de ter recebido R$ 500 mil, que teriam sido enviados pelo braço direito de Cachoeira, Wladimir Garcêz, ao Palácio das Esmeraldas, sede do governo goiano, em uma caixa de computador.

Também ao Estado, a assessoria de Marconi negou ter feito os pagamentos por meio da empresa. Luiz Carlos Bordoni diz que decidiu revelar o caso depois do questionamento na CPI direcionado à sua filha, Bruna Bordoni. Foi na conta dela que acabou depositado o valor de parte da dívida da campanha com o jornalista, responsável pelos programas de radio. “Prestei o serviço honestamente. Não vou deixar que ninguém venha avacalhar minha credibilidade por causa de Cachoeira",diz.

Para ler a reportagem do Estado de S.Paulo, clique aqui.

Sobre o assunto, Bordoni publicou em seu blog:

A VERDADE SOBRE O DEPOSITO 

01. Em momento algum disse que o Sr. Marconi Perillo depositou dinheiro em minha conta.

02. Informei que o Sr. Lucio Gouthier Fiuza, encarregado de pagar os saldos de campanha, havia me ligado e pedido o numero de minha conta para depositar uma parcela de 45 mil reais, dos 90 mil remanescentes da campanha de 2010.

03. Disse a ele que estava viajando, que poderia depositar na conta da minha filha, que cuida dos meus assuntos. Passei a ele o numero da conta dela.

04. Ao contrario do que afirmam alguns imbecis, não fui eu quem depositou nada. O deposito foi feito, conforme consta em extrato, pela tal Pantoja et all. Não se pensou nunca em conferir o depositante, pois Lúcio dissera que iria fazê-lo.

05. Em momento algum questionei a honorabilidade do Sr. Governador, como alardeiam certos picaretas da mídia. Não fosse ele probo, jamais teria participado de suas campanhas.

06. Eu somente quis esclarecer a citação do nome de minha filha, durante inquirição do senador Demóstenes Torres e a ilação com o depósito de 45 mil reais feito na conta dela.

07. Apenas narrei a razão do depósito, pois nem mesmo nos sabíamos a origem do dinheiro e, em momento algum, disse ter o governador conhecimento disso.

08. Não e verdade que fui demitido pelo Paulo Beringhs. Eu saí por livre e espontânea vontade.

09. Ao contrário do que alardeiam badamecos e pistoleiras, estou muito bem da cachola, a ponto de saber onde e como encontrá-los.

10. Nada tenho contra a área de comunicação do governo, como alardeiam as piranhas insaciáveis.

11. Ao contrario de certos jornalistas que me hostilizam, não misturo alhos com bugalhos. Nasci independente e morrerei independente.

12. Neste mesmo blog, em “Questão de hombridade”, os senhores verão que fui o único a defender Sua Excelência neste tiroteio cerrado, coisa que nenhum de seus assessores fez. Calados também ficaram os seus bajuladores de plantão, sobejamente conhecidos.

13. Quis esclarecer o fato por que ele colocava sob suspeita a nossa dignidade – minha e de minha filha.

14. Aos que estão a me julgar e condenar, eu rio de todos. Em nenhum há estofo moral para tanto. Sem exceção.

15. Apenas agi para colocar as coisas no devido lugar, mas jamais com o intuito de prejudicar a quem quer que seja.

16. Sei que os canalhas vão tentar promover o meu linchamento, mas não os temo, pois tenho a verdade do meu lado.

17. Não se brinca com a moral alheia. Só os que não a tem ficariam omissos diante do ocorrido.

18. É conhecida a calhordice de tentar desacreditar os que podem causar danos. É o que estão querendo fazer comigo. Se dano houver pelo meu gesto, não foi intencional. Não tivessem nos provocado, eu não estaria aqui. Agora, dano a mim e aos meus eu jamais permitirei.

19. Num mundo onde os boquirrotos duvidam ate da virilidade do meu amigo Jesus Cristo, estou a ouvir o crocito dos corvos. Pobres genitoras  que mal sabem a droga que pariram.

20. Não darei entrevistas sobre o assunto. O que tinha a dizer já foi dito.

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