Crise internacional afeta desempenho de Suape

Considerado a “jóia da coroa” da economia pernambucana,  o Complexo Industrial e Portuário de Suape registrou alta de 1,5% na movimentação de cargas ao longo do primeiro semestre deste ano, cravando a operação de 4.587.925 toneladas; a ligeira alta aponta que, diante da atual conjuntura econômica provocada pela crise internacional, o resultado para este exercício deverá se manter em patamares aproximados do registrado em 2012

Paulo Emílio e Leonardo Lucena_PE247- Considerado a “jóia da coroa” da economia pernambucana,  o Complexo Industrial e Portuário de Suape registrou alta de 1,5% na movimentação de cargas ao longo do primeiro semestre deste ano, cravando a operação de 4.587.925 toneladas. A ligeira alta aponta que, diante da atual conjuntura econômica provocada pela crise internacional, o resultado para este exercício deverá se manter em patamares aproximados do registrado em 2012.

“Permanecer com um resultado semelhante ao registrado em 2012 é uma vitória em um momento de crise como este. O País não está isolado do mundo, mas temos o diferencial de investimentos em infraestrutura, além do Governo do Estado estar investindo em educação e qualificação da mão de obra. Também temos uma série de grandes investimentos estruturadores que necessariamente passam por Suape. Então, por tudo isso, acreditamos que Suape manterá o crescimento”, diz o secretário de Desenvolvimento Econômico, Márcio Stefanni.

Alguns dos indicativos que refletem o otimismo do secretário na manutenção e até em um crescimento do desempenho do terminal estão na receita portuária e na movimentação de granéis sólidos e líquidos. Em relação ao primeiro item, o porto fechou o primeiro trimestre de 2013 com uma receita de R$ 21,9 milhões, contra R$ 21,6 milhões no mesmo período do ano anterior. Atualmente, em Suape, que é único porto-indústria do país, 105 empresas estão alocadas, 45 delas em fase de instalação em uma área de 13,5 mil hectares.

Já nos cinco primeiros meses deste ano, o terminal registrou uma movimentação de 244.814 toneladas (ton.) de granéis sólidos e 2.240.041 ton. de granéis líquidos, respectivamente. No mesmo período de 2012, os granéis sólidos e líquidos tiveram uma movimentação de 323.664 toneladas e de 2.309.489 toneladas., respectivamente, o que representam aumentos de 32,2% e de 3,1%. Já em todo o ano de 2012, foram movimentadas 623.643 toneladas de granéis sólidos e 5.636.416 toneladas de granéis líquidos. Conforme a administração do complexo, na comparação anual (2013/2012), a expectativa é a de que ambos os itens tenham um aumento de 5% em suas movimentações.

As cargas contêineirizadas também registraram um pequeno incremento em suas operações. Nos cinco primeiros meses deste ano foram operados 171.026 TEUs (unidade padrão para contêiner de 20 pés), volume 2,3% maior que o apontado em igual período de 2012, quando foram exportados 167.154 TEUs. Embora o volume de TEUs tenha crescido, o volume movimentado foi ligeiramente inferior. Enquanto entre janeiro e maio foram movimentadas 1.843.262 toneladas de cargas contêineirizadas, no mesmo período de 201 esta movimentação foi de 1.967.527 toneladas.

Segundo a administração do terminal, os principais destinos das exportações pernambucanas a partir de Suape foram a Espanha, Itália, Gana, Argentina e Estados Unidos. Estes dois últimos também estão entre as principais origens das importações junto com o México, China e Kuwait. Vale ressaltar que, nos próximos anos, o porto pode se tornar mais competitivo ainda em decorrência do alargamento do Canal do Panamá, na América Central, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico. Com a duplicação do canal, as embarcações asiáticas atracarão em Suape tendo como parte do trajeto o continente centro-americano ao invés de contornarem o Sul da África.

Do volume total de 4.587.925 de toneladas de cargas contêineirizadas, 3.728.215 foram de itens importados e 859.247 referentes à exportação. Em relação à carga geral, os principais grupos de produtos importados foram combustíveis e óleos minerais, trigo e escória. Já os maiores itens da pauta de exportação são o açúcar, álcool etílico e o navio Zumbi dos Palmares, construído pelo Estaleiro Atlântico Sul e que também é considerado como exportação. .

No que diz respeito à movimentação da navegação de cabotagem houve um aumento de 25% nos cinco primeiros meses de 2013 no comparativo com o mesmo período do ano passado. Na comparação entre 2012 e 2011, o acréscimo foi de 13%.

Os investimentos previstos para Suape também contribuem para que o terminal supere a crise internacional e se consolide como um hub port (porto concentrador de cargas). Dentre os investimentos previstos, estão a implantação de três novos terminais, que, juntos, somam R$ 2,9 bi. O que tem gerado mais expectativas é o segundo terminal de contêineres (Tecon 2), que deverá receber aportes de R$ 697 milhões em cais, infraestrutura e equipamentos por parte da iniciativa privada, e R$ 133 milhões em recursos públicos que serão empregados na dragagem do canal de acesso ao terminal.

De acordo com a administração de Suape, o Tecon terá capacidade para movimentar até 700 mil TEUs por ano, com a previsão atender a uma demanda estimada em dois milhões de TEUs de contêineres até 2013, o que corresponde a 26,1 milhões de toneladas de cargas. O Tecon 2 será formado por dois berços de atracação (Cais 6 e 7) com 771,1 metros, cada. A licitação do Tecon 2 está prevista para acontecer em setembro.

Outro investimento é de grande porte previsto é o do Terminal de Minérios, localizado na Ilha da Cocaia, que será construído em uma área de 750 mil m², com um cais de 410 m de comprimento e 28 m de largura e uma profundidade operacional de 19 m. Serão R$ 869 milhões provenientes da iniciativa privada em infraestrutura e equipamentos. Outros R$ 377 milhões em recursos públicos serão aplicados na dragagem do canal de acesso e na construção do cais.

Conforme o Porto de Suape, o atendimento à demanda projetada é de 18,5 milhões de toneladas por ano (escória, coque, clinquer e minérios), com o escoamento de minérios para exportação.

O terceiro terminal, o de Grãos, será totalmente privado, com um investimento de R$ 850 milhões em infraestrutura e equipamentos. Será composto por dois berços de atracação (cais 8 e 9), com 700 m, cada. O terminal terá como objetivo atender à produção da região conhecida como Mapitoba, que abrange partes da Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins.

 

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247