De 35 votos, PSB tem entre 28 e 30 contra reforma da Previdência

Quem afirma é o deputado de Minas Júlio Delgado; “Nós somos contra essa proposta. Essa PEC não tem e não terá apoio do PSB. Isso foi uma questão tirada pelo partido, não foi nem pela bancada”, afirma o parlamentar; para ele, Temer é "um governo fraco, num Legislativo fraco, com lideranças fracas, com base ampla mas absolutamente volúvel"

Quem afirma é o deputado de Minas Júlio Delgado; “Nós somos contra essa proposta. Essa PEC não tem e não terá apoio do PSB. Isso foi uma questão tirada pelo partido, não foi nem pela bancada”, afirma o parlamentar; para ele, Temer é "um governo fraco, num Legislativo fraco, com lideranças fracas, com base ampla mas absolutamente volúvel"
Quem afirma é o deputado de Minas Júlio Delgado; “Nós somos contra essa proposta. Essa PEC não tem e não terá apoio do PSB. Isso foi uma questão tirada pelo partido, não foi nem pela bancada”, afirma o parlamentar; para ele, Temer é "um governo fraco, num Legislativo fraco, com lideranças fracas, com base ampla mas absolutamente volúvel" (Foto: Gisele Federicce)

Da Rede Brasil Atual - A nota assinada e divulgada ontem (8) pelos deputados Luciano Ducci e Leopoldo Meyer, do PSB do Paraná, na qual afirmam que votarão contra a reforma da Previdência, é mais um entre cada vez mais indicativos de que a derrota do governo na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287 começa a se concretizar na Câmara dos Deputados. A posição dos paranaenses do PSB está longe de ser isolada no partido, segundo o deputado Júlio Delgado (MG).

“Nós somos contra essa proposta. Essa PEC não tem e não terá apoio do PSB. Isso foi uma questão tirada pelo partido, não foi nem pela bancada”, diz o parlamentar. Eu posso adiantar que esse é um sentimento amplamente majoritário dentro da bancada. Não vou dizer que é unânime, mas, de 35, nós temos entre 28 e 30 votos contrários à proposta apresentada."

Na nota de ontem, os socialistas afirmaram: “Não podemos aceitar uma proposta que afronta conquistas históricas da população”. Delgado acrescenta que “é uma questão conceitual”. “Nós fazemos parte do partido socialista, não vamos apoiar uma proposta liberal. A proposta é a favor da privatização do sistema previdenciário. Toda a sociedade será atingida por uma reforma que veio sem pé nem cabeça e tem o intuito maior de acabar com a previdência pública.”

Segundo ele, o PSB vai apresentar uma proposta com mudança “profunda e mais complexa do que questões que tratam meramente de ampliar a idade ou tempo de contribuição”.

O PSB tem um ministro no governo (Fernando Bezerra Coelho Filho, de Minas e Energia) e parece vítima de uma espécie de crise de identidade. Alguns de seus líderes afirmam que o partido é independente, outros que é da base de Temer. 

No final de janeiro, Delgado se posicionou como independente, ao lançar sua candidatura à presidência da Câmara, mas não contou com o apoio do partido – o PSB apoiou a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ). Dos 32 parlamentares do PSB que votaram na sessão do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara em 17 de abril de 2016, 29 foram a favor do impedimento (incluindo Delgado), e três votaram contra.

Diante das evidências de que a reforma da Previdência começa a fazer água e mais partidos e parlamentares abandonam o barco, os representantes do governo já começam a falar línguas diferentes.

Nesta quinta-feira (9), enquanto o relator da reforma na Câmara, Arthur Maia (PPS-BA), disse que a PEC não vai passar como está, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se manteve irredutível. “A reforma da Previdência não é um objeto de decisão, é uma necessidade em função das contas públicas brasileiras”, disse o ministro em evento em São Paulo. Já o relator declarou em Brasília que “as regras de transição terão que ser alteradas”.

"Governo fraco"

Para Júlio Delgado, Temer representa “um governo fraco, num Legislativo fraco, com lideranças fracas, e por isso acaba se fortalecendo para ter uma base ampla, mas absolutamente volúvel”. Segundo o parlamentar, "o envolvimento de muita gente nas questões que estão sendo apuradas, não só na Lava Jato, mas nas operações da Polícia Federal, em curso em todo lugar, têm reflexo na casa".

Segundo avalia o parlamentar, como a dura PEC 287 terá grandes implicações na vida da sociedade, ela é um “teste” e mostra a Temer que “ele não tem força para isso”. “Acabar a aposentadoria, acabar Bolsa Família, tudo isso não tem apelo perante a sociedade”, diz o parlamentar de Minas.

As movimentações indicam que, como observou o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília, em entrevista à RBA, “eles (o governo) vão insistir (na reforma da Previdência), mas se perceberem que vai haver um tensionamento na sociedade a ponto de uma ruptura, eles recuam”.

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