Déficit de atenção. Uma questão de genética, e não de educação

Ter um filho com transtorno de déficit de atenção (TDA) foi muitas vezes associado a uma educação precária e descuidada. Mas sabemos agora que esse distúrbio de atenção é sobretudo de origem genética.

Déficit de atenção. Uma questão de genética, e não de educação
Déficit de atenção. Uma questão de genética, e não de educação

 

 

 Por: Nathalie Szapiro-Manoukian – Le Figaro

 

 Como acontecia com frequência com as doenças psiquiátricas, atribuía-se a culpa aos pais. Ter uma criança com TDA foi durante muito tempo associado a uma educação descuidada, mas sabe-se hoje que o determinismo genético é a verdadeira razão de cerca 70% dos casos dessa disfunção. Ela, portanto, na maioria das vezes, é hereditária. “Quando uma criança é diagnosticada como portadora de TDA, verifica-se em 40% dos casos que pelo menos um dos seus pais tem ou teve o mesmo problema desde os anos da sua primeira infância”, esclarece o médico Hervé Caci, pedopsiquiatra no hospital central Lenval de Nice, sul da França. Esse fator faz com que a família seja estigmatizada”. A parte atribuída aos fatores ambientais é, finalmente, muito fraca: acusa-se sobretudo os corantes alimentares, a exposição ao chumbo e o tabagismo maternal. Já é tempo, portanto, de não mais culpar as famílias e o modo como elas educaram as suas crianças.

Má regulagem da dopamina

“Os genes implicados parecem ser aqueles que desempenham um papel no metabolismo da dopamina. Além disso, a imageria cerebral e o sistema de ativação da dopamina é diferente nas pessoas que sofrem de TDA. Uma má regulagem poderia ser a causa, de modo que o cérebro a liberaria em excesso em alguns momentos, e em quantidade insuficiente em outros. A dopamina é o mediador do circuito da recompensa e da motivação: se o circuito entra em ação de modo muito rápido – o que seria o caso na TDA – isso se traduz pelo desejo de se ativar mil projetos ao mesmo tempo. Mas a contraparte disso é que o entusiasmo do impulso se dilui muito rapidamente, por falta de motivação real. Para se manter um nível suficiente de dopamina, a pessoa que sofre de TDA se autoestimula: isso se traduz por uma hiperatividade, uma grande impulsividade e uma incapacidade de esperar. A dopamina serve para se concentrar, para focalizar a atenção. É por essa razão que o tratamento deve ser baseado em algum regulador da dopamina (um inibidor da sua recaptura)”, explica o psiquiatra Régis Lopez, do hospital Gui de Chauliac, de Montpellier, na França.

A mesma pesquisa diz respeito também aos transtornos do sono, pois eles atingem cerca de 75% das pessoas de qualquer idade que sofrem de TDA.

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