Del Nero se licencia da presidência da CBF

Após a Justiça dos Estados Unidos anunciar o indiciamento do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e do ex-presidente da entidade Ricardo Teixeira como parte da investigação sobre casos de corrupção no futebol, Del Nero pediu licença do cargo para se defender das acusações e apontou como seu substituto interino o vice-presidente da entidade Marcus Antônio Vicente

O presidente da Confedera��o Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, participa de audi�ncia na Comiss�o do Esporte da C�mara dos Deputados (Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag�ncia Brasil)
O presidente da Confedera��o Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, participa de audi�ncia na Comiss�o do Esporte da C�mara dos Deputados (Fabio Rodrigues Pozzebom/Ag�ncia Brasil) (Foto: Gisele Federicce)
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WASHINGTON/SÃO PAULO (Reuters) - A Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira o indiciamento do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, e do ex-presidente da entidade Ricardo Teixeira como parte da investigação sobre casos de corrupção no futebol mundial.

Após o indiciamento ser anunciado, Del Nero pediu licença do cargo para se defender das acusações e apontou como seu substituto interino o vice-presidente da entidade Marcus Antônio Vicente.

O indiciamento de 16 dirigentes da Fifa e outros nesta quinta-feira inclui envolvimento em esquemas para pagar e receber mais de 200 milhões de dólares em propinas e subornos em contratos de competições, de acordo com documentos judiciais.

"Durante décadas, esses indiciados usaram seu poder como líderes das federações de futebol de todo o mundo para criar uma rede de corrupção e ganância que compromete a integridade do esporte", disse o diretor do FBI James B. Comey.

O documento judicial cita ainda um esquema relacionado com o pagamento e recebimento de subornos e propinas em conexão com o patrocínio da CBF por uma grande empresa norte-americana de material esportivo.

O atual presidente da CBF disse ser inocente.

"Em nenhum dos procedimentos mencionados foi conferida ciência ao Presidente do conteúdo das acusações, sendo certa sua absoluta convicção da comprovação de sua inocência", informou comunicado publicado no site da entidade.

Del Nero renunciou na semana passada à sua posição no comitê executivo da Fifa, entidade que comanda o futebol mundial. Ele foi indicado membro do comitê executivo em março de 2012, após a saída de Teixeira da presidência da CBF e do cargo na Fifa em meio a denúncias de corrupção.

Teixeira comandou a CBF por 23 anos e era o presidente do comitê organizador da Copa do Mundo de 2014 quando renunciou aos cargos.

O também ex-presidente da CBF José Maria Marin, antecessor de Del Nero e sucessor de Teixeira, foi preso na Suíça em maio como parte de indiciamento anterior de autoridades norte-americanas e foi extraditado para os EUA, onde enfrenta acusações de recebimento de suborno em contratos de direitos de transmissão de torneios de futebol.

Del Nero, que assumiu a presidência da CBF em abril no lugar de Marin e cujo mandato vai até 2019, não viaja ao exterior desde o fim de maio, quando voltou da Suíça ao Brasil depois das prisões de dirigentes e executivos de marketing esportivo, entre eles Marin, por acusações de corrupção.

Del Nero nega que tivesse conhecimento de qualquer irregularidade na CBF e alega que está se dedicando ao futebol brasileiro. O Comitê de Ética da Fifa informou nesta quinta-feira ter iniciado procedimentos formais contra Del Nero em 23 de novembro.

Mais cedo nesta quinta-feira, a polícia da Suíça prendeu o presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, e o presidente da Concacaf, Alfredo Hawit, por suspeitas de terem recebido milhões de dólares em subornos relacionados a direitos de transmissão de eventos esportivos.

"Um esquema de suborno implica muitos dirigentes importantes da Conmebol sobre a venda de direitos de transmissão para a Copa Libertadores durante um período prolongado", segundo comunicado da Justiça norte-americana.

(Reportagem de Mark Hosenball, em Washington; e de Tatiana Ramil, em São Paulo)

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