Desemprego prejudica a saúde. O excesso de trabalho também

Trabalhar mais de onze horas por dia aumenta o risco de depressão, baixa a imunologia e incrementa a nervosidade. Na outra ponta, o desemprego pode acarretar os mesmos sintomas.

Desemprego prejudica a saúde. O excesso de trabalho também
Desemprego prejudica a saúde. O excesso de trabalho também

 


 

Por Damien Mascret – Le Figaro

 

Dentro de limites bem precisos, o trabalho exerce um efeito protetor sobre a saúde, tanto a mental quanto a física e a psíquica. Mas há muito tempo se sabe que o risco de depressão é multiplicado por dois em caso de desemprego: 16 % de risco para um desempregado ou uma pessoa inativa, contra 8 % para uma pessoa ativa, de acordo com dados da Drees (Direção da pesquisa, dos estudos, da avaliação e das estatísticas na França). As taxas de suicídio são maiores entre os desempregados que nos indivíduos ativos. Por outro lado, o trabalho excessivo também está associado a um risco mais elevado de depressão.

É o que os dados de um novo estudo publicado pela revista científica on line PLoS One acabam de mostrar e que, desta vez, revelam que o excesso de trabalho não é favorável à saúde mental e psíquica. Na verdade, o risco de depressão é dobrado para aqueles que trabalham pelo menos onze horas por dia em comparação com aqueles que dedicam «apenas» entre sete e dez horas.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores analisaram as respostas de mais de 2 mil funcionários da Corte Britânica Whitehall II que responderam a questionários detalhados. Eles observaram a ocorrência de episódios depressivos nestes últimos. Inicialmente, nenhum tinha, a priori, problemas psiquiátricos ou transtornos de humor. Tratava-se de 1.626 homens e 497 mulheres com 47 anos de idade média, no início do estudo.

 

 

Excesso de trabalho é perigoso

Os resultados parecem sólidos por dois motivos. Primeiro, os pesquisadores levaram em conta outros fatores de risco de depressão conhecidos, tais como a idade, o estado civil, o consumo de álcool e a situação socioeconômica. Por outro lado, eles confirmaram de forma prospectiva, as conclusões de pesquisadores noruegueses que, em 2008, tinham encontrado uma taxa elevada de depressão e de ansiedade em 1350 trabalhadores exaustos. Um estudo canadense anterior havia mostrado também um acréscimo de episódios depressivos nas mulheres (não nos homens!) que trabalhavam mais de 41 horas por semana em comparação com aquelas que trabalhavam menos. Outra cultura, outras maneiras, os trabalhos realizados por empresas de seguros no Japão não encontraram maior risco de sofrimento mental mesmo com tempos de trabalho excessivamente longos.

Na realidade, parece que não é somente o tempo de trabalho que influencia o risco, mas também o tipo de trabalho executado. O estudo francês analisou os vínculos entre o tipo de atividade profissional e a depressão, mostrou um risco um pouco mais elevado de episódios depressivos para funcionários e trabalhadores em relação aos executivos. O risco ainda é um pouco maior entre os funcionários de área técnica em relação aos trabalhadores braçais. E isso, independentemente do tempo de trabalho.

Por outro lado, o fato que a exclusão do mundo do trabalho agrava os riscos depressivos não é tão surpreendente: os sociólogos têm demonstrado o valor inclusivo e criador do laço social do trabalho. Isto é verdade em todos os países da Europa, e provavelmente na maior parte dos países do mundo

 

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