Ditadura Militar como material didático

O dia da mentira vai ter um significado diferente em 2013 no Rio Grande do Sul; Carla Simone Rodehero, Gabriel Dienstmann e Dante Guazzelli lançam o livro 'Não calo, grito - Memória visual da Ditadura Civil-Militar no Rio Grande do Sul'; com 255 páginas, o texto pretende esclarecer, por meio de fotos, artigos e charges, o período da repressão no estado; livros vão ser distribuídos nas escolas estaduais

Ditadura Militar como material didático
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Sul 21 - Rachel Duarte

Tanques nas ruas, prisões, oficiais e centros clandestinos de tortura, agentes famosos da repressão, ações organizadas de luta armada, grandes passeatas estudantis, greves, enfrentamento entre manifestantes e forças policiais.

A memória visual da ditadura civil-militar reunida em uma publicação que analisa pela primeira vez o período de exceção no Rio Grande do Sul. São 255 páginas com fotos e charges de artistas locais que retrataram a repressão de 1961 a 1988.

O livro Não calo, grito – Memória Visual da Ditadura Civil-Militar no Rio Grande do Sul será lançado neste dia 1º de abril e depois distribuído nas escolas estaduais. A intenção dos autores Carla Simone Rodehero, Gabriel Dienstmann e Dante Guazzelli é que a partir deste Dia da Mentira, a verdade sobre a história do país chegue a um número cada vez maior de pessoas.

A obra traz mais de 300 imagens sobre a ditadura no Rio Grande do Sul cedidas por nove fotógrafos e 10 chargistas gaúchos, além de contribuições de órgãos como o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa e Memorial do Legislativo do RS, entre outros museus nacionais e do interior gaúcho.

Fazem parte do livro trabalhos de Assis Hoffmann, Eduardo Tavares, Antônio Vargas, Luiz Eduardo Achutti, Ricardo Chaves, Daniel de Andrade Simões, Jaqueline Joner, Luiz Abreu, Eneida Serrano, Sampaulo, Bendati, Santiago, Edgar Vasques, Canini, Luis Fernando Verissimo, Wilson Cavalcanti, Juska, Eugênio Neves, Bier, Antônio Vargas, entre outros.

No evento de lançamento, marcado para esta segunda-feira 1º, a partir das 19 horas, haverá uma mesa-redonda com os autores e os artistas Edgar Vasques, Ricardo Chaves e Wilson Cavalcanti. Cavalcanti é autor da obra de capa que dá nome ao livro “Não calo, grito”, em que o grito de um homem é cortado por uma faixa de censura feita de outras pessoas amordaçadas. Também estarão presentes representantes da Comissão de Anistia, responsáveis pelo projeto Marcas da Memória que patrocinou o livro.

Este é o segundo trabalho dos historiadores Gabriel Dienstmann e Dante Guazzelli e ao lado da professora do Departamento de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carla Simone Rodeghero. Em 2011, também por meio de edital da Comissão de Anistia, eles desenvolveram o projeto Marcas da Memória: história oral da anistia no Brasil.

O novo trabalho Não calo, grito – Memória Visual da Ditadura Civil-Militar no Rio Grande do Sul foi pensado de forma a sistematizar o conhecimento histórico sobre o período ditatorial no RS e a partir da constatação de que as imagens mais divulgadas sobre a ditadura (como fotos e charges) concentravam-se em fatos e personagens geralmente localizados no centro do país. “A ideia toda surgiu na tentativa de demonstrar que a luta armada e resistência dos movimentos não é algo que fez parte da história do Brasil apenas em São Paulo e Rio de Janeiro. Aqui também tivemos marcas e por isso buscamos os artistas locais. As imagens e memórias estavam nos museus ou com os artistas; agora estão reunidas em único material. Este é o grande diferencial do livro”, fala Dante Guazzelli.

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