Doria deixou cães e gatos sem comida no Centro de Zoonoses de SP

Por conta de um erro em licitação da gestão Doria, 108 gatos e 152 cães abrigados no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em Santana, zona norte da capital paulista, ficaram um mês sem receber alimentação adquirida pelo poder público; Voluntários que atuam no local tiveram que fazer vaquinhas ou comprar ração por conta própria para garantir a alimentação dos bichinhos

São Paulo- SP- Brasil- 09/07/2016- O Centro de Controle de Zoonoses 
São Paulo- SP- Brasil- 09/07/2016- O Centro de Controle de Zoonoses  (Foto: Charles Nisz)

Rede Brasil Atual - Cães e gatos abrigados no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em Santana, zona norte da capital paulista, ficaram um mês sem receber alimentação adquirida pelo poder público, segundo reportagem do BuzzFeed. A gestão do prefeito da capital paulista, João Doria (PSDB), atrasou um procedimento licitatório e os trabalhadores e voluntários que atuam no local tiveram que fazer vaquinhas ou comprar ração por conta própria para garantir a alimentação dos bichinhos. A situação ocorreu por cerca de um mês e pôs em risco 108 gatos e 152 cães.

"Nos disseram que o problema era uma licitação. Os animais estão sem alimentação e cada um, voluntário ou funcionário, dá um saco de ração ou dá o dinheiro para comprar", afirmou a ativista e protetora dos animais Andreia Freitas, em entrevista ao BuzzFeed. Os voluntários estão organizando uma campanha de arrecadação. O ponto de encontro será a sede da prefeitura, como forma de também protestar contra o descaso da gestão com os animais. No domingo (3), a gestão Doria lançou um programa de atenção aos animais no Pacaembu, o SP Animal.

A gerente do CCZ, Rosane Corrêa de Oliveira, afirmou ao site que, apesar do atraso, a compra de ração já foi retomada e o fornecimento seria regularizado até segunda-feira (28), mas ocorreu efetivamente apenas na terça-feira (29). "Em nenhum momento os animais ficaram sem comida", afirmou, complementando que somente a ração seca teve desabastecimento, mas os tipos úmidos seguem sendo fornecidos aos cães e gatos.

A apresentadora e defensora dos animais Luisa Mell publicou o caso em suas redes sociais e disse que não deixaram que ela entrasse no CCZ para verificar a situação dos animais. “Fui pessoalmente lá hoje (dia 25) para tentar descobrir se era verdade ou se tratava de um boato, mas fui recebida super mal, impedida de ver o estoque de ração e praticamente expulsa do CCZ. Mas, na saída, um funcionário me procurou e disse que era verdade. Segundo ele, alguns funcionários fizeram e estão fazendo vaquinhas para comprar a ração dos gatos para que eles não morram de fome. Me mostrou as notas das compras dessa vaquinha”, relatou Luisa.

Andreia Freitas, em entrevista à RBA, ressalta que um dos problemas da atual gestão tem sido a falta de diálogo com as pessoas que são voluntárias. "Como protetora de animais envolvida no CCZ há quase 10 anos, já vi muita coisa mudar pra melhor (ainda bem) e nunca imaginei que um prefeito, que promove evento midiático em 'prol' dos animais, tivesse tão pouco interesse em ouvir as protetoras de animais que atendem diretamente a periferia e acabam fazendo, voluntariamente, um trabalho que a prefeitura não dá conta." Ela aponta ainda outros pontos negativos da administração municipal na área.

"Castração devia ser a base da campanha Animal SP do Dória, pelo visto não é, o diálogo franco e acessível também não é o ponto forte dessa gestão, infelizmente. E o resultado dessa relação truncada entre prefeitura e protetoras que atendem a periferia é o aumento da população de animais de rua e consequentemente mais casos de maus tratos para as protetoras atenderem", pontua Andreia. "Estamos sem apoio, o pouco que tínhamos de parceria com a prefeitura, que era esse programa de castração interna, foi diminuindo até desaparecer. Estou triste e não espero muito, afinal um prefeito que apoia rodeios não está realmente do lado dos animais, né?", questiona.

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