‘É preciso um projeto que dialogue com quem sentirá danos do golpe’

Ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad vai voltar à USP para assumir como professor; ele afirma não ter ambições políticas pessoais e que seu compromisso é estar à disposição das forças progressistas para a construção de um programa para o país; “Quero colaborar para recompor uma condição que permita ao Brasil retomar o processo que foi começado em 2003. Nós crescemos de forma importante, mas o processo foi abortado e temos de encontrar um caminho de resgatar aquele projeto de um novo Brasil"

Ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad vai voltar à USP para assumir como professor; ele afirma não ter ambições políticas pessoais e que seu compromisso é estar à disposição das forças progressistas para a construção de um programa para o país; “Quero colaborar para recompor uma condição que permita ao Brasil retomar o processo que foi começado em 2003. Nós crescemos de forma importante, mas o processo foi abortado e temos de encontrar um caminho de resgatar aquele projeto de um novo Brasil"
Ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad vai voltar à USP para assumir como professor; ele afirma não ter ambições políticas pessoais e que seu compromisso é estar à disposição das forças progressistas para a construção de um programa para o país; “Quero colaborar para recompor uma condição que permita ao Brasil retomar o processo que foi começado em 2003. Nós crescemos de forma importante, mas o processo foi abortado e temos de encontrar um caminho de resgatar aquele projeto de um novo Brasil" (Foto: José Barbacena)

Rede Brasil Atual - A partir deste janeiro, o cientista político Fernando Haddad se apresenta à Universidade de São Paulo para reassumir sua cadeira de professor. Mas já não é mais o mesmo depois de uma profunda imersão no mundo da política. Trabalhou na gestão da ex-petista Marta Suplicy (2001-2004) na prefeitura de São Paulo, na qual participou da elaboração de um Plano Diretor Estratégico, que seria depois abandonado pelos sucessores José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (então no DEM). Por isso, afirma ter tomado precauções para que o novo PDE, elaborado no meio de sua gestão na prefeitura e com diretrizes de planejamento até 2030, ficasse bem “amarrado” e difícil de ser desmontado. “Podem querer ajustar, mas desmontar será difícil.”

A partir do governo Lula, em 2003, tornou-se secretário-executivo do Ministério da Educação até 2005, quando assumiu o comando da pasta, em substituição a Tarso Genro, lá permanecendo até 2012, quando deixou o posto para disputar sua primeira eleição. Mesmo em pleno bombardeio do julgamento televisivo do mensalão, o petista acabou vencendo o tucano José Serra.

Ele afirma que não tem ambições políticas pessoais em seu horizonte e que seu compromisso é estar à disposição das forças progressistas para a construção de um programa para o país. “Quero colaborar para recompor uma condição que permita ao Brasil retomar o processo que foi começado em 2003. Nós crescemos de forma importante, mas o processo foi abortado e temos de encontrar um caminho de resgatar aquele projeto de um novo Brasil.” Um projeto, segundo ele, abortado com violência, que trazia crescimento de forma importante, e que as pessoas ainda não se deram conta dos prejuízos causados pelo golpe e dos que ainda estão por vir.

O agora ex-prefeito de São Paulo alerta que as forças mais avançadas da sociedade têm de superar eventuais diferenças e se reorganizar em torno de um programa e de um polo mais forte, num momento em que o país vive um absoluto déficit de republicanismo. “Se nos fragmentarmos, não vamos disputar o imaginário da sociedade, por melhor que seja o nosso projeto. É hora de sentar à mesa, discutir programaticamente o que fazer, o que faríamos se estivéssemos no comando do país. Tentar alinhavar um projeto que dialogue com os que estão sofrendo os efeitos da crise, para termos chance de concorrer com condições de vitória”, defende.

 

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