Eduardo Amorim tenta construir nova imagem de si mesmo

Entrevista concedida ao Jornal da Cidade é a prova disto: nas respostas, dadas ao jornalista Eugênio Nascimento, o senador nega se seja influenciado pelo irmão, Edivan Amorim, recusa a pecha de que seu grupo faz "oposição raivosa", nega qualquer problema para sua possível candidatura ao Governo (que ele também não confirma) caso João Alves Filho também entre na disputa e se diz "abnegado e empenhado na vida política; no discurso, Eduardo caminha bem em sua estratégia, mas alcançará o mesmo êxito na prática?

Eduardo Amorim tenta construir nova imagem de si mesmo
Eduardo Amorim tenta construir nova imagem de si mesmo (Foto: Luiz Alves)

Valter Lima, do Sergipe 247 – A entrevista que o senador Eduardo Amorim (PSC) concedeu ao Jornal da Cidade deste domingo/segunda (5 e 6 de maio) é eivada de negativas. Primeiro, ele não confirma sua candidatura ao Governo em 2014 (algo natural, pode-se considerar); segundo, diz que não se utiliza da condição de senador como trampolim para a disputa pelo mandato de governador; terceiro, rechaça a idéia de que as viagens semanais ao Interior tenham propósito eleitoral; quarto, afirma que não há qualquer receio na possível entrada do prefeito João Alves Filho (DEM) na disputa de 2014; quinto, nega que seu irmão, Edivan Amorim, seja seu principal orientador ou assessor no ato de fazer política; sexto, diz que a oposição praticada por seu grupo não é “raivosa”.

Idiossincrasias a parte, o que se depreende das declarações do senador Eduardo Amorim ao JC é que, estrategicamente, ele tenta dar a si próprio formato novo, que seja dissociado do senso comum na sociedade sergipana em relação ao seu perfil. Pois, do que se pensa e se avalia do futuro candidato do PSC é justamente tudo aquilo que ele negou na entrevista.

Sabe-se que um dia após a sua vitória na disputa pelo Senado em 2010, Eduardo já foi alçado, automaticamente, à condição de pré-candidato a governador. E todos os passos dados por ele desde então, incluindo aí sua atuação como senador e as incansáveis viagens que realiza pelo Interior, vislumbram este mandato para o Executivo Estadual. Quem não se lembra do recolhimento de assinaturas para a construção do Hospital do Câncer. Aquela altura, o novato senador era ainda aliado do governador Marcelo Déda (PT), o que tornava sem propósito a campanha, não fosse seu viés eleitoreiro.

Além disso, é igualmente perceptível que o temor que uma candidatura de João Alves ao Governo no próximo ano pesa sobre o agrupamento que Edivan e Eduardo lideram. Só isto justifica o temor da crítica ao novo prefeito da capital, o despropósito da entrevista que Edivan concedeu no mês passado ao radialista e suplente de deputado estadual Gilmar Carvalho (PR) e o silêncio absoluto diante da não participação do agrupamento na administração municipal.   

De mesmo modo, é inocência crer que alguém acreditará na autonomia total do senador em relação ao irmão. Edivan é, mesmo sem mandato político, a principal liderança do agrupamento de uma dúzia de partidos, encabeçada pelo PSC. É ele que é consultado pelos integrantes dos partidos na tomada de decisões. Eduardo, claro, tem sua personalidade e seu modo de atuar politicamente, mas por detrás dele quem opera estrategicamente é Edivan. Isto é fato!  

É estranho (muito estranho) ainda afirmar que a oposição que se faz ao Governo Marcelo Déda (PT) não é raivosa. Basta acompanhar o programa de rádio do suplente de deputado estadual Gilmar Carvalho (PR), as entrevistas de qualquer membro da oposição ou ainda as sessões da Assembleia Legislativa para fazer desmoronar esta premissa. A reprovação ao Proinveste, no ano passado, é o exemplo mais visceral.

No entanto, não se pode desconsiderar que é inteligente a estratégia do agrupamento de tentar implantar em Eduardo um novo perfil, de político independente, despretensioso, objetivo, crítico na medida, corajoso, abnegado e empenhado na vida política – estas duas últimas características, inclusive, definidas pelo próprio senador ao se comparar a João Alves Filho. Trabalhado o discurso, é hora de mostrar isto em prática. Conseguirá?

Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida ao jornalista Eugênio Nascimento:

JORNAL DA CIDADE - O senhor pretende mesmo disputar o governo de SE em 2014? O que falta definir?  

EDUARDO AMORIM - Acho muito cedo para definir essa questão. E como entendo que ter um mandato não significa pensar automaticamente em outro, prefiro focar em minhas obrigações do momento. Dentre elas, agarrar todas as oportunidades possíveis, além de criá-las, quando necessário, para realizar o máximo em prol do nosso Estado, dos nossos municípios e do nosso País. Desde sempre a vida me ensinou a agir assim, pois quando a gente nasce na simplicidade, somos conduzidos a agir assim.

JC - Se o prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM) estiver na disputa ainda assim o senhor mantém-se disposto a entrar no pleito?  

EA - Também aprendi a não ter receio de entrar em nenhuma disputa, principalmente quando a missão é lutar e defender o bem. Sobre o governo estadual, como já disse, é muito cedo. E ninguém vai ganhar por W.O, pois sempre haverá candidatos, o que é muito salutar, pois enriquece o debate, garante mais opções para a população e fortalece a democracia. João Alves, Jackson, Valadares, alguém do PT, do PSOL, do PSTU, alguém do nosso grupo político ou qualquer cidadão legalmente habilitado, com certeza sempre haverá candidatos. Então, para quem tem projetos, novas e boas ideias e disposição para o trabalho, manter-se disposto para a disputa, conservando o respeito e a consideração pelas pessoas ao defender suas ideias e propostas, faz parte do processo.

JC - O que aproxima e o que afasta o senhor do prefeito João Alves Filho para uma composição em 2014?  

EA - É difícil falar agora de 2014. Mas posso dizer que o que nos aproxima de João Alves é que estivemos juntos na última campanha. Defendemos sua eleição a prefeito de Aracaju. E até já fui secretário do próprio João. São pontos convergentes, com certeza. E mesmo avaliando que somos pessoas diferentes, ou mesmo lembrando que já estivemos em diferentes palanques em um momento específico, não há como negar que, em termos de abnegação e empenho na vida pública, João tem, sua história prova isso. E, modestamente, vejo nisso mais uma aproximação, pois balizo minha atuação na política pela busca do melhor para Sergipe e para nosso povo. Mas deixando de falar em duas pessoas e avaliando dois grupos políticos, confesso que não vejo motivos para afastamento. Se ambos agrupamentos entendem que o atual modelo de gestão do Estado se esgotou, independente da escolha deste ou daquele candidato, não vejo razões para nenhum tipo de afastamento.

JC - O senhor tem visitado muitos bairros e lideranças de Aracaju e do interior, será a fase de pré-campanha?  

EA - Não, de maneira alguma. É simplesmente a continuidade do trabalho que sempre fizemos. Desde que entrei na política, entendo que é preciso fazer isso, esse é nosso dever e nossa missão. É preciso ouvir as pessoas, é preciso ver as necessidades, senti-las em cada um, de forma que a gente possa defender com legitimidade e com conhecimento cada proposta e cada projeto que levamos a Brasília ou que defendemos aqui mesmo. Aliás, o PSC também faz regularmente consultas e debates junto a todos os segmentos sociais para atualizar suas propostas de políticas públicas. Agora mesmo o PSC Jovem, aqui em Sergipe, desenvolve um grande movimento popular dessa natureza para elaborar um novo programa de desenvolvimento social e econômico para o nosso Estado.

JC - É verdade que o seu irmão, o empresário Edivan Amorim, é o seu principal orientador ou assessor no ato de fazer política? 

EA - Não, Amorim é meu irmão e meu amigo. Aliás, um dos melhores amigos que tenho. Não é o único, mas é um dos grandes amigos que tenho ao longo da vida. Muita gente pode até pensar que converso com Amorim diariamente, mas não converso. Ele é empresário, tem suas obrigações para com suas atividades e às vezes passamos dias e até semanas sem nos falar. Mas nossas conversas são sempre muito boas, pois ele sabe como eu penso e respeita minhas posições e decisões, assim como eu sei e respeito sua maneira de pensar e suas opiniões. As minhas convicções sou eu quem defendo e elas são construídas dentro dos valores e dos princípios com os quais conduzo a minha vida. E não há como abrir mão dos princípios e dos valores que servem para mim como bússola na vida.

JC - Que tipo de orientação ele dá ao senhor para o crescimento político? Ele recomendaria um embate com João e Jackson Barreto?  

EA - Como trabalhamos em grupo, respeitando a opinião de todos, o que conversamos com ele, com todos do PSC, ou com políticos, lideranças e amigos filiados a outras agremiações partidárias, nunca são assuntos pautados pela imposição. Existe diálogo, troca de ideias e eu acolho e aceito o que acho que deve ser acolhido e aceitado, já que quem decide meus atos e minhas atitudes sou eu. Claro que em decisões colegiadas, como aquelas que definem uma candidatura, como foi o caso da nossa ao Senado, a maioria é decisiva e nós acatamos. Mas tem coisas que são impraticáveis de compartilhar, sob pena de ficarmos inertes ou sem ação. Por isso vivo meu mandato, marco minhas audiências e atuo me balizando pelas necessidades e anseios do povo que votou e confiou em mim. Quanto ao embate, nunca falamos sobre isso. Mas a vida pública é permeada por embates. E, sendo para o bem da sociedade, não há porque não enfrentá-los.

JC - Passada essa etapa de Proinveste, o PSC volta a fazer oposição radical ao governo Déda?  

EA - Não, radicalismo é um ato extremado. O equilíbrio não está nos extremos. E o equilíbrio, com certeza, tem que ser preservado. Vamos agir como sempre agimos: com a responsabilidade e com o zelo necessários. Mas para ficar mais claro, vou exemplificar: sou anestesista, além de cristão, e primo pelo equilíbrio sempre. E o equilíbrio hemodinâmico, mesmo diante de uma agressão cirúrgica, busca manter equilibrada a pressão, a saturação do sangue, a acidez das reações químicas do organismo. O trabalho do anestesista é dar condição para a correção de algum defeito. Portanto, o anestesista precisa primar e manter o equilíbrio e isso levo para vida política, levo para as minhas atitudes, defendendo-as junto ao meu grupo político e perante a sociedade. 

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