Eliana Calmon: 'velhas raposas' querem acuar o Judiciário

Ex-ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e crítica contumaz dos excessos e das regalias do Judiciário, Eliana Calmon saiu em defesa dos colegas na recente queda de braço com o Congresso Nacional; para ela, as mudanças feitas pela Câmara no pacote anticorrupção e a pressa na aprovação da Lei de Abuso de Autoridade são uma reação "das velhas raposas" ao avanço das investigações contra os políticos

Ex-ministra do STJ Eliana Calmon
Ex-ministra do STJ Eliana Calmon (Foto: Giuliana Miranda)

247 - Ex-ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e crítica contumaz dos excessos e das regalias do Judiciário, Eliana Calmon saiu em defesa dos colegas na recente queda de braço com o Congresso Nacional. Para ela, as mudanças feitas pela Câmara no pacote anticorrupção e a pressa na aprovação da Lei de Abuso de Autoridade são uma reação "das velhas raposas" ao avanço das investigações contra os políticos.

As declarações foram feitas em entrevista ao Valor.

"Calmon, que também foi corregedora nacional de Justiça, avalia que a ameaça de renúncia coletiva feita na última quarta-feira por procuradores da Lava-Jato foi uma atitude tomada "de cabeça quente", o que não significa que eles não tenham razão. Os procuradores prometem deixar a força-tarefa se o texto alterado na Câmara for sancionado pelo presidente Michel Temer.

"Eles não vão fazer isso, até porque faltariam com o dever funcional. Essa juventude é meio arrogante, ainda mais quando as coisas estão dando certo. Mas o que eles querem mostrar é que se essas medidas forem aprovadas a investigação não vai mais para frente. Operações só vão para frente quando há um pouco de ousadia e com essas medidas todos ficarão mais reticentes", disse ela, referindo-se à possibilidade de punições para procuradores, juízes e policiais, prevista no texto aprovado pelos deputados.

Apesar da defesa dos procuradores, Eliana Calmon revela que não concorda com todas as dez medidas encaminhadas pelo Ministério Público para o Congresso. "Nunca aceitei todas as medidas. Algumas são absolutamente inócuas, outras muito avançadas. Entre as 10, umas quatro nunca aceitei muito", disse ela. "As gorduras devem mesmo ser tratadas no Congresso, mas você verifica que isso não foi feito com base na transparência, mas em interesses escusos", completou." 

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