Em BH, festa de axé recebe mais do que assistência social

Embora cobre caro por seus ingressos e seja um sucesso comercial, a festa Ax Brasil ganhou este ano R$ 300 mil da gesto Marcio Lacerda (PSB). Valor supera os gastos em reas mais prioritrias. No ano passado, a banda Jota Quest, que tambm faz sucesso e apoiou Lacerda em 2008, recebeu R$ 400 mil

Minas 247 - Todo ano, a festa Axé Brasil reúne, na Grande BH, milhares de foliões que fazem um carnaval fora de época ao som de grupos como Banda Eva, Chiclete com Banana, Asa de Águia, entre outros famosos. Ou cantoras famosas e bem-sucedidas como Ivete Sangalo e Claudia Leitte. O evento, que este ano aconteceu no Megaspace, um espaço para festas e shows em Santa Luzia (região metropolitana), é realmente um sucesso todo ano. Tanto é que as milhares de pessoas que lotam o evento se dispõem a pagar R$ 160 pelo ingresso de um dia ou até R$ 580 por dois, em um camarote.

Apesar do sucesso comercial, a Prefeitura de Belo Horizonte destinou R$ 300 mil de seus recursos para ajudar o evento de axé. O valor supera o que a prefeitura administrada por Marcio Lacerda (PSB) gastou este ano com assistência social para crianças e adolescentes (R$ 298,7 mil); ou com educação especial (R$ 57,8 mil); ou ainda com ciência e tecnologia (apenas R$ 57,8 mil até o momento); e mais do que com defesa civil (R$ 167,1 mil). As informações são da jornalista Denise Motta, do iG.

Não é a primeira vez que os valores gastos pela prefeitura da capital mineira com artistas famosos e com sucesso comercial geram polêmica. No ano passado, a gestão e Lacerda repassou R$ 400 mil para a banda Jota Quest. Os mineiros do grupo, claro, aceitaram o valor, mesmo cobrando ingressos por seus shows, quase sempre lotados em todo o país. Detalhe: Rogério Flausino, vocalista e líder do Jota Quest, apoiou Lacerda na campanha eleitoral de 2008. O Ministério Público achou estranho e passou a investigar o caso.

Em 2009, quando a Axé Brasil cobrava ingressos entre R$ 30 e R$ 600, a prefeitura destinou R$ 453 mil para a festa. Na época, o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Eduardo Nepomuceno, considerou o repasse “ilegal e imoral”.

A cantora Ivete Sangalo, que cobra um dos cachês mais altos do país por seus shows - o que não pode ser considerado anormal, já que ela realmente faz sucesso e lota seus espetáculos -, não pode reclamar do tratamento que recebe das autoridades políticas do estado. Além das ajudas oficiais nas festas, no ano passado a cantora baiana recebeu o título de cidadã honorária de Minas Gerais, concedido pela Assembleia Legislativa. A cantora conseguiu até mesmo ser homenagada antes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-governador José Serra, cujos pedidos de título de cidadão honorário aguardam há mais tempo na fila da Assembleia.

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