"Em vez de querer aterrar o rio, melhor faria João se tapasse buracos das ruas"

Editorial do Jornal da Cidade desta terça reclama da péssima condição das vias de Aracaju e critica bloqueio do trecho da avenida Beira Mar, além de apontar problemas na realização de duas obras que impedem o trânsito na avenida Tancredo Neves; "não é possível desenvolver uma velocidade razoável nestas ruas. Tente desenvolver 30km/h na rua de Santa Luzia, por exemplo. Verá que isso é totalmente impossível, porque os buracos, alguns ainda cheios d´água outros não, não deixam"

"Em vez de querer aterrar o rio, melhor faria João se tapasse buracos das ruas"
"Em vez de querer aterrar o rio, melhor faria João se tapasse buracos das ruas"

Sergipe 247 - Em editorial, o Jornal da Cidade desta terça-feira (7) faz uma análise crítica da situação caótica do trânsito em Aracaju, destacando o bloqueio de trecho da avenida Beira Mar e as duas obras na avenida Tancredo Neves (a duplicação do viaduto em frente ao Departamento de Trânsito e o mergulhão para acesso a nova ponte entre os bairros Inácio Barbosa e Farolândia). O texto também reclama dos inúmeros problemas no asfalto das vias da cidade.

Confira o artigo na íntegra:

Ruas (in) transitáveis

Aracaju padece, no momento, da falta de administradores que olhem com carinho para o sofrimento que o povo está passando. Não bastassem ruas esburacadas – no centro e nos bairros –, há impedimento para a passagem de veículos num trecho da Avenida Beira-Mar e dificuldades para cruzar a Avenida Tancredo Neves por conta de obras como o “mergulhão” e a ampliação do viaduto do cruzamento da linha férrea.

Tudo de uma vez é demais, não acha o prezado leitor? Tomemos a Avenida Beira-Mar, por exemplo. A via, entre o Iate Clube de Aracaju e a entrada para a Avenida Anízio Azevedo, está fechada desde sábado por conta das águas que o Rio Sergipe vem jogando para a via asfáltica.

O receio de que possa ocorrer uma tragédia levou uma juíza a determinar à Prefeitura de Aracaju a interdição da artéria, assim, sem mais nem menos, sem a realização de nenhum estudo que dimensionasse o tamanho dos estragos, se os há.

Há quem garante que o simples reforço do paredão da Beira- Mar seria suficiente para atravessar este momento de crise sem que se precisasse a austeridade de fechamento da pista atingida pelas águas, por tempo ilimitado. Não há prazo para o retorno do tráfego por aquela pista.

Ontem foi que se pôde sentir o tamanho do problema. Encontrou-se a rua Celso Oliva para receber os carros que vêm do centro com destino à Coroa do Meio. Só que esta artéria é demasiada estreita para receber tantos veículos, em trechos ora com mão única, ora com mão dupla.

Resultado: uma senhora bagunça. Os guardinhas da SMTT, em alguns momentos, já não sabiam o que fazer diante daquela enormidade de fila de veículos querendo singrar ruas estreitas com asfalto esburacado. Urge, talvez, rever a medida, ou ao menos fazer novos estudos mais rápidos para descobrir que ruas podem ser usadas com este objetivo.

Felizmente, a mesma bagunça não se nota na Tancredo Neves, mas o trânsito de lá tem que ser desviado, em algumas ruas por conta de duas obras que já se arrastam por quase um ano: a duplicação do chamado “viaduto do Detran” e as obras do “mergulhão” que cruzará a pista da avenida por debaixo dela.

Achou pouco? Pois tente o leitor andar pelas ruas da cidade depois destes últimos dias de chuva. Não escapa nem 100 metros de rua, por toda a cidade, que não tenha buracos – buracos enormes, alguns até perigosos, porque cheios d´água, a esconder, não se sabe o que, de veículos pequenos, de passeios, ou carros maiores, como ônibus.

E não precisa ir muito longe. É só cruzar as ruas principais da cidade, como Itabaiana, Itabaianinha, Apulcro Mota, Capela, Lagarto, Simão Dias, e por aí afora. Em vez de querer aterrar 40 metros de rio na Beira-Mar, melhor faria o Prefeito João Alves se partisse para um programa de tapa buracos, por toda a cidade.

Não é possível desenvolver uma velocidade razoável nestas ruas. Tente o leitor desenvolver 30km/h na rua de Santa Luzia, por exemplo. Verá que isso é totalmente impossível, porque os buracos, alguns ainda cheios d´água outros não, não deixam.

A cidade não precisa, pelo menos neste momento, de um novo cartão postal. A cidade pede apenas ruas transitáveis...

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