Estudantes protestam contra Brigada Militar

Ainda mais motivados depois da ação truculenta da Brigada Militar estudantes do Comitê de Escolas Independentes (CEI) realizaram novo ato, no centro de Porto Alegre; durante a caminhada, eles criticaram a BM pela ação na Secretaria da Fazenda e afirmaram não se sentir representados por entidades como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umespa), que fecharam acordo com o governo estadual

Ainda mais motivados depois da ação truculenta da Brigada Militar estudantes do Comitê de Escolas Independentes (CEI) realizaram novo ato, no centro de Porto Alegre; durante a caminhada, eles criticaram a BM pela ação na Secretaria da Fazenda e afirmaram não se sentir representados por entidades como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umespa), que fecharam acordo com o governo estadual
Ainda mais motivados depois da ação truculenta da Brigada Militar estudantes do Comitê de Escolas Independentes (CEI) realizaram novo ato, no centro de Porto Alegre; durante a caminhada, eles criticaram a BM pela ação na Secretaria da Fazenda e afirmaram não se sentir representados por entidades como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umespa), que fecharam acordo com o governo estadual (Foto: Leonardo Lucena)

Débora Fogliatto, Sul 21 - Ainda mais motivados depois da ação truculenta da Brigada Militar na quarta-feira (15), estudantes do Comitê de Escolas Independentes (CEI) realizaram novo ato no fim da tarde desta quinta-feira (16), no centro de Porto Alegre. Durante a caminhada, eles criticaram a BM pela ação na Secretaria da Fazenda e afirmaram não se sentir representados por entidades como a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Municipal dos Estudantes Secundaristas (Umespa), que fecharam acordo com o governo estadual na terça-feira (14).

A concentração aconteceu na Esquina Democrática, mesmo local onde foram iniciados os outros dois protestos dos secundaristas que ocupam suas escolas há pouco mais de um mês. Uma viatura da Brigada Militar passou pelo local e foi vaiada pelos manifestantes. Por volta das 19h, os estudantes começaram a marchar pela avenida Salgado Filho, em direção à João Pessoa. O ato teve acompanhamento do Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU) da UFRGS, para caso ocorresse algum tipo de abuso policial, mas o protesto transcorreu de forma pacífica.

A música entoada com mais afinco ao longo do ato foi uma que apareceu pela primeira vez: “eu apanhei, eu resisti, bate de novo que eu não vou sair daqui”. Nos cartazes, havia críticas à polícia e ao governo estadual, que se recusou a dialogar durante a ocupação da Sefaz e preferiu mandar a BM lidar com os estudantes, com dizeres como “Estado fascista” e “policial, a luta é pela educação do seu filho também”. A música “venho de escola ocupada, de Médio e Fundamental. Secunda, é puro o sentimento, Sartori, tu vai se dar mal” também foi uma das mais cantadas.

Dentre as bandeiras que os estudantes carregavam estavam as de movimentos como Vamos à Luta, União da Juventude Comunista (UJC), Movimento Revolucionário Socialista (MRS), Partido Comunista Brasileiro (PCB) e União da Juventude Rebelião (UJR). A marcha era liderada por uma grande faixa com os dizeres “escolas de luta”. Após os estudantes, apoiadores escoltavam a caminhada, muitos carregando bicicletas, e eram seguidos por uma viatura da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e duas da Brigada, além de um camburão igual ao que levou os estudantes detidos no dia anterior.

Ao longo do caminho, algumas pessoas iam às janelas e sacadas apoiar os secundaristas, aplaudindo ou piscando as luzes dos apartamentos. Assim como nos atos anteriores, foi formada uma comissão de segurança que guiava e garantia o bloqueio das ruas. Alguns dos estudantes detidos ontem participaram, em sua maioria com os rostos cobertos, mas parte deles preferiu não ir, segundo uma das jovens.

Ao chegar na avenida Loureiro da Silva, os estudantes entoavam “sou estudante, não sou bandido, tropa de choque não faz isso comigo”. Eles atravessaram a rua e o Largo dos Açorianos para chegar em frente ao Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), onde professores estaduais ocupam a Secretaria de Educação há três dias, demonstrando apoio aos docentes.

Um grande efetivo da Tropa de Choque e da Cavalaria estava posicionado após as grades do complexo administrativo. Logo que chegaram, estudantes escalaram as grades e ameaçaram entrar no local, mas quando os policiais avançaram, os jovens recuaram gritando “sem violência” e “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”. Em seguida, eles decidiram sentar no chão, enquanto a comissão de segurança se reuniu para definir os próximos passos.

Diante da notícia de que a Justiça havia determinado que professores desocupem o prédio, mas que eles ainda não haviam sido notificados e estavam decidindo as próximas ações, os estudantes deixar a frente do CAFF. A Brigada Militar informou que o maior efetivo estava no local apenas para evitar que os estudantes entrassem e que não realizaria reintegração de posse. Com um princípio de chuva, parte dos secundaristas retornou para a Esquina Democrática, de onde seguiram para as paradas de ônibus para retornarem a suas escolas, enquanto outros dispersaram.

Tentativa de conciliação

Uma comissão dos estudantes das escolas independentes participou de audiência no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) do Foro Central, durante esta tarde. Na ocasião, embora não tenha havido um acordo definitivo, o Secretário da Educação, Luís Antônio Alcoba, comprometeu-se a não usar a força policial em escolas ocupadas até um próximo encontro, marcado para terça-feira (21).

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