Ex-advogado diz que Holiday não declarou doação de 1 milhão de ‘santinhos’ feita por Doria

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), teria doado mais de um milhão de “santinhos” à campanha do candidato a vereador Fernando Holiday (DEM), coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL); segundo denúncia apresentada ao Ministério Público Federal pelo advogado Cleber Teixeira, que trabalhou para Holiday nas eleições de 2016, metade do dinheiro arrecadado pelo líder do MBL não foi declarado e foi supostamente operado por meio de caixa dois

Fernando Holiday e João Doria
Fernando Holiday e João Doria (Foto: Charles Nisz)

SP 247 - O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), teria doado mais de um milhão de “santinhos” de propaganda eleitoral em setembro de 2016 à campanha do então candidato a vereador Fernando Holiday (DEM), coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL). O material não teria sido declarado na prestação de contas feita pelo parlamentar à Justiça Eleitoral, noticia o jornal El País.

É o que mostram imagens de conversas eletrônicas trocadas em grupo interno de campanha entre correligionários de Holiday e que fazem parte da denúncia apresentada diante do Ministério Público Federal pelo advogado Cleber Santos Teixeira, que trabalhou para Holiday nas eleições de 2016. Teixeira diz que metade do dinheiro arrecadado pelo líder do MBL não foi declarado e foi supostamente operado por meio de caixa dois.

O prefeito alega que todas as doações foram declaradas. Ao contrário do que afirma o prefeito, não há registros no TSE de doações para Holiday. Imagens de conversas em 17 de setembro de 2016, mostram o carregamento de material gráfico que teria chegado ao comitê de Fernando Holiday, com mais de um milhão de “santinhos”. Marcelo Castro, então assessor chefe da campanha e agora secretario no gabinete do vereador democrata, mostra contrariedade pela doação recebida, chegando a chamar o candidato a prefeito de “imbecil”.

A contrariedade se deu porque a doação mataria a narrativa de que o vereador eleito teria "a campanha mais barata de São Paulo, com o menor custo por voto recebido". Eleito com 48 mil votos, Holiday diz ter gasto apenas R$ 59 mil - custo de pouco mais de R$ 1 por voto. Se fossem contabilizados os “santinhos”, o custo por voto ficaria alto demais para os objetivos da candidatura Holiday.

Na prestação de contas, o então candidato João Doria figura como doador de material gráfico para campanha no valor de 883,80 reais. Caso essa quantia fosse referente aos “santinhos”, o valor por unidade seria de 0,0008838 real. Segundo cotação feita pelo El País, o valor mais baixo encontrado foi de 0,027 real por unidade, quantia 30 vezes maior do que o que efetivamente teria custado a doação do prefeito segundo a prestação de contas de Holiday.

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