Ex-Dopinha será memorial contra a ditadura

Prefeito de Porto Alegre José Fortunati (PDT) garantiu que dará prosseguimento ao ato de desapropriação do terreno e governador Tarso Genro (PT) assegurou que o Palácio Piratini irá arcar com 50% do valor necessário: “Venho em nome do governo anunciar nosso compartilhamento integral com este programa de trabalho que está sendo apresentado”

Prefeito de Porto Alegre José Fortunati (PDT) garantiu que dará prosseguimento ao ato de desapropriação do terreno e governador Tarso Genro (PT) assegurou que o Palácio Piratini irá arcar com 50% do valor necessário: “Venho em nome do governo anunciar nosso compartilhamento integral com este programa de trabalho que está sendo apresentado”
Prefeito de Porto Alegre José Fortunati (PDT) garantiu que dará prosseguimento ao ato de desapropriação do terreno e governador Tarso Genro (PT) assegurou que o Palácio Piratini irá arcar com 50% do valor necessário: “Venho em nome do governo anunciar nosso compartilhamento integral com este programa de trabalho que está sendo apresentado” (Foto: Roberta Namour)
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por Samir Oliveira, do Sul 21
Porto Alegre – Em 2014 Porto Alegre poderá inaugurar seu primeiro centro de memória da luta contra a ditadura. Na tarde de quarta-feira (18), os governos do estado e do município assumiram publicamente o compromisso de desapropriar o casarão localizado no número 600 da Rua Santo Antônio – conhecido como “Dopinha”, o local abrigou um centro clandestino de tortura entre 1966 e 1971.

A declaração dos governantes ocorreu durante um ato organizado pelo Comitê Carlos de Ré da Verdade e Justiça na própria casa. Dezenas de militantes políticos ocuparam o interior do local e realizaram atividades políticas e artísticas, com apresentação de uma peça do grupo “Ói Nós Aqui Traveiz” e interpretações musicais de Nei Lisboa e Raull Ellwanger.

A intenção do grupo é que ao casarão se transforme em um centro de memória e em um espaço cultural. O local será batizado com o nome de Luiz Eurico Tejera Lisboa– militante gaúcho preso em 1972, foi o primeiro desaparecido político a ter o corpo encontrado, em 1979, no cemitério de Perus, em São Paulo.

A pauta da desapropriação do casarão da Rua Santo Antônio e de sua consequente reativação como um centro político-cultural é uma das poucas que consegue unir amplos e divergentes setores da esquerda brasileira. No ato desta quarta-feira, estavam presentes lideranças do PT, do PDT, do PSOL, do PSTU e do PCB. Vários militantes estavam usando uma máscara do pedreiro Amarildo, assassinado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro neste ano.

O prefeito de Porto Alegre José Fortunati (PDT) garantiu que dará prosseguimento ao ato de desapropriação do terreno. “De forma absolutamente formal, devo dizer que somos parceiros para que possamos realmente transformar esse imóvel em um grande centro de memória”, assegurou.

O pedetista evitou falar em prazos, mas disse que está empenhado em “iniciar o mais breve possível” o processo. A prefeitura terá que realizar um levantamento patrimonial do imóvel e negociar seu valor junto aos proprietários – que, segundo interlocutores, são favoráveis à transformação em um centro de memória.

Informalmente, estima-se que o casarão tenha um valor de até R$ 2,2 milhões. A prefeitura se compromete em pagar metade do montante em índices construtivos. A outra metade será ressarcida pelo governo do estado em dinheiro.

Por fim, a reforma do imóvel e os custos de manutenção ficarão por conta do governo federal. O prefeito disse que a ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário (PT) já assumiu esse compromisso. “A ministra expressou, no meu gabinete, que o governo federal participará da montagem deste centro de memória”, afirmou.

“Levar aos tribunais aqueles que torturaram e mataram não é uma política revanchista”, diz Tarso

Em sua breve intervenção no ato, o governador Tarso Genro (PT) assegurou que está comprometido com a transformação do antigo Dopinha em um centro de memória. O petista confirmou que o Palácio Piratini irá arcar com 50% do valor necessário para a desapropriação do imóvel. “Venho em nome do governo anunciar nosso compartilhamento integral com este programa de trabalho que está sendo apresentado”.

Em seu pronunciamento, Tarso lembrou que, quando era ministro da Justiça do governo Lula, sofreu o que qualifica de “campanha de difamação nacional” quando defendeu que a Lei de Anistia não fosse aplicada aos torturadores. “Alguns meios de comunicação monopolizados apresentaram essa proposta como se fosse provocadora e revanchista. Revanchista seria se pleiteássemos que eles fossem torturados e assassinados. Estamos pleiteando que sejam julgados dentro do Estado Democrático de Direito”, disse.

O governador considera que o julgamento dos torturadores “não é uma questão secundária”. “Uma democracia não se ergue sobre relativismos e não pode incorporar no seu ventre a absorção da tortura, do assassinato e da morte contra aqueles que lutavam pela liberdade, pelo socialismo e pela democracia”, defendeu.

Movimento deseja que local seja inaugurado em março de 2014

Os integrantes do Comitê Carlos de Ré ficaram bastante empolgados com os discursos do prefeito José Fortunati e do governador Tarso Genro. O grupo vinha conversando com ambos há bastante tempo e aguardava apenas uma declaração pública e formal de comprometimento com a criação do Centro de Memória Ico Lisboa.

O músico e ativista político Raul Ellwanger entende que o local não deve se limitar à função de ser apenas um museu. “Podemos abrigar um centro cultural, expor peças de teatro e ter um cinema. Não será um lugar lúgubre. Será um lugar ativo e juvenil, com a experiência também dos coroas”, qualifica. Ele recorda que no Dopinha foram torturados o sargento Manoel Raimundo Soares – cujo corpo foi encontrado boiando, com as mãos amarradas, no Rio Jacuí -; e o empresário Carlos Heitor, que atualmente vive em Torres.

O vereador de Porto Alegre Pedro Ruas (PSOL), que também integra o coletivo, espera que os trâmites para inauguração do centro fiquem prontos até março de 2014. Na data, o movimento fará um “ato de descomemoração” do golpe de 1964.

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