Falta de gasolina ameaça a Região Nordeste

Nada menos que 14 estados das regiões Norte e Nordeste estão tendo dificuldades quanto ao abastecimento de combustível, já que estão recebendo a metade do volume contratado com a Petrobras; apesar do consumo ser crescente na Região, em 2012 houve um consumo recorde de 36 bilhões de litros, a Petrobras reduziu os embarques de gasolina para o Nordeste; em Pernambuco, por exemplo, o fluxo de abastecimento composto por quatro operações mensais de cabotagem foi reduzido pela metade; estatal nega existência de problemas

Falta de gasolina ameaça a Região Nordeste
Falta de gasolina ameaça a Região Nordeste

PE247 – Devido à necessidade da Petrobras em reduzir seus custos logísticos para economizar US$ 1,6 bilhão nos próximas quatro anos, 14 estados das regiões Norte e Nordeste estão tendo dificuldades quanto ao abastecimento de combustível, já que estão recebendo a metade do volume que recebia diariamente. Apesar do consumo ser crescente na Região, em 2012 houve um consumo recorde de 36 bilhões de litros, a estatal reduziu os embarques de gasolina para o Nordeste. Em Pernambuco, por exemplo, o fluxo de abastecimento é composto por quatro operações mensais de cabotagem (via transporte marítimo entre os portos nacionais) destinadas a abastecer as distribuidoras, mas este número foi reduzido pela metade. Em crise, a Petrobras amarga uma dívida de R$ 7,39 bilhões com a União, cujas multas foram aplicadas pela Receita Federal.

O presidente do Sindicato dos Combustíveis de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Fernando Cavalcanti, ressaltou ao jornal Folha de Pernambuco, que cada embarcação da estatal traz ao Estado 16 milhões milhões de litros para suprir uma demanda diária de 3,6 milhões de litros. “O volume que chega só abastece Pernambuco por quatro dias”, disse.

Uma das principais preocupações do Governo Estadual é com relação ao Complexo Industrial Portuário de Suape, no Grande Recife, que tem sido o mote do desenvolvimento econômico pernambucano. Com este cenário, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sidicom), que representa 65% do mercado do Estado, informou que “está sendo feita a liberação de produto adicional na Bahia para transferência rodoviária e atendimento a Alagoas e parte de Pernambuco”.

A Petrobras afirmou, via assessoria de imprensa, que um navio carregado de gasolina já estaria atracado em Suape. Porém, o terminal marítimo do porto negou a informação, ao dizer que as embarcações carregam diesel e etanol. Ao ser questionada sobre a situação, a estatal não quis comentar a respeito nem justificar a falta de gasolina e disse apenas, por meio de nota, que “não houve alteração na logística de suprimento de gasolina acordada com os seus clientes”.

De acordo com o vice-presidente do Norte/Nordeste da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis Lubrificantes (Fecombustíveis), Valter Tanus, na Região Nordeste, a falta de gasolina atinge os estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Piauí, Ceará e Sergipe, enquanto que todos os sete estados do Norte sofrem com o problema.

A situação é grave em decorrência da dívida bilionária que a Petrobras tem com a União. Como consequência, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) impediu a estatal de importar e exportar petróleo. Porém, o ministro do tribunal Benedito Gonçalves revogou a determinação para evitar o desabastecimento de gasolina no mercado nacional, o que fez a empresa gastar US$ 3 bilhões para comprar 3,8 bilhões de litros do combustível no exterior apenas neste ano. De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2012, a aquisição de gasolina no mercado internacional foi 73% maior do que no exercício anterior.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, criticou o Governo Federal, em entrevista ao jornal Folha de Pernambuco. Segundo ele, “a importação rotineira de gasolina é atribuída a incapacidade de refino das refinarias brasileira” e “a exploração do petróleo não está no mesmo patamar do refino”. Cunha disse que não há fomento à produção de etanol no país. “É evidente que existe um descompasso entre produção e consumo, porque falta previsibilidade de consumo”, declarou. De acordo com o dirigente, não existem dados oficiais para confirmar a possibilidade de ter havido aumento do consumo de etanol hidratado.

Apesar das dificuldades pelas quais passa a Petrobrás, a Agência Internacional de Petróleo (AIP) divulgou nesta quinta-feira (11) previsões dando conta de que, em 2014, o Brasil vai liderar o aumento da produção de petróleo entre as nações fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Projetos que devem ser inaugurados até o fim do próximo ano deverão adicionar a capacidade de extração total em até 620 mil barris por dia no país.

 

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