Famílias comprometem 42% da renda com dívidas

Quase a metade delas cai em labirinto infindável ao se endividar ainda mais para honrar compromissos anteriores. 189% ao ano, em média, é quanto pagam em juros e outros custos do endividamento

Famílias comprometem 42% da renda com dívidas
Famílias comprometem 42% da renda com dívidas (Foto: Shutterstock)

Luciane Macedo _247 - O fácil acesso ao crédito, as altas taxas de juros praticadas pelo mercado e a falta de planejamento das finanças de casa impulsionam o endividamento das famílias, em especial da classe C, que chegam a comprometer 42% de tudo o que ganham só para pagar dívidas. A conclusão é de uma pesquisa da Proteste Associação de Consumidores. O ideal, alerta a Proteste, é que as dívidas não consumam mais do que 30% do orçamento familiar.

Com renda média de R$ 2.401,00, as famílias entrevistadas comprometem R$ 1.009,45 com o endividamento -- em geral, com pelo menos três dívidas ativas, sendo que 23% disseram possuir cinco ou mais.

O estudo ainda permitiu à Proteste constatar que quando as famílias assumem uma dívida, pagam, em média, 189,19% a mais por ano que o valor real do bem financiado. Com o dinheiro gasto para pagar os juros e as outras despesas da dívida compreendidas neste CET (custo efetivo total), mais um desconto no pagamento à vista, daria para comprar duas vezes o mesmo bem. O que acontece, no entanto, é que 46,5% das famílias assumem ainda mais dívidas para conseguir honrar as antigas.

"Vale ressaltar que esta alta taxa de juros tem relação direta com a quantidade de financiamentos assumidos pelas famílias, visto que o principal motivo para contratar um novo empréstimo é o fato de não terem conseguido pagar dívidas ou empréstimos anteriores, caindo assim em um labirinto de dívidas que se tornam impagáveis", diz a Proteste.

O uso do cartão de crédito e o não pagamento integral da fatura é um dos responsáveis pelo endividamento da classe C, ressalta a pesquisa, situando o gasto médio das famílias em até R$ 500,00. Ao não pagarem a fatura à vista, 38,1% dos entrevistados comprometem a saúde financeira da família com os juros mais caros do mercado. O Brasil tem os juros do cartão de crédito mais altos da América Latina, em 323% ao ano, também segundo a Proteste.

Dos 200 participantes da pesquisa, metade no Rio de Janeiro e metade em São Paulo, a maioria reconhece sua condição e 57% admitem que as dívidas influem na qualidade de vida de suas famílias. O principal revés do endividamento citado pelos entrevistados foi não poder gastar dinheiro com lazer, cultura e diversão.

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