Felipão reconhece: torcedor está distante da seleção

Depois de minimizar o fato de o Brasil disputar mais partidas do exterior que em território nacional, o treinador sa seleção brasileira prometeu que a comissão técnica vai trabalhar para retomar o apoio do torcedor: "Se ainda existe alguma lacuna, ela vai ser preenchida, primeiro por nós, da comissão técnica"

Felipão reconhece: torcedor está distante da seleção
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Alex Rodrigues
Repórter Agência Brasil

Brasília –  Após reconhecer que nunca tantos brasileiros declararam torcer contra a seleção brasileira de futebol, o técnico Luiz Felipe Scolari defendeu a atuação dos jogadores que têm vestido a camisa da equipe e atribuiu à comissão técnica a responsabilidade pelas críticas ao desempenho do time e pelo distanciamento de muitos torcedores.

"Os atletas fazem a parte deles. Nós que trabalhamos para motivar esses atletas é que talvez estejamos errados. Quem sabe não estejamos fazendo as coisas corretamente, no sentido de que o povo brasileiro se identifique novamente com a seleção", avaliou Scolari, ao participar de um bate-papo com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. A conversa foi transmitida ao vivo pelo portal da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde ainda pode ser assistida.

Para o técnico, a população brasileira quer se identificar com a seleção de futebol. "Tenho bons exemplos de que o povo espera que a seleção lhes dê aquele ânimo e carinho para que eles possam torcer. Uma pequena parte disso [é responsabilidade] dos atletas. A maior parte é [responsabilidade] nossa. Nós temos que passar essa mensagem de otimismo para, depois obtendo bons resultados, motivarmos a população a se identificar com nossa seleção", disse Scolari.

O treinador prometeu que a comissão técnica vai trabalhar para retomar o apoio do torcedor. "Se ainda existe alguma lacuna, ela vai ser preenchida, primeiro por nós, da comissão técnica. Acho que o caminho é irmos mostrando o que estamos fazendo, para que possamos voltar a ter o ambiente vivido em todas as copas do mundo, com muito mais ênfase, já que, agora, a copa será aqui, na nossa casa", acrescentou o técnico.

Scolari também respondeu sobre sua previsão para o vencedor da Copa do Mundo de 2014, apontando o Brasil como uma das favoritas a ganhar o título de campeã mundial, ao lado da Espanha, Alemanha, Itália e Argentina. "O Brasil sempre está entre os melhores. Pode ser que, em determinados momentos, não jogue de uma forma linda".

Ao fim da conversa, o ministro Aldo Rebelo minimizou as críticas à seleção e à decisão do país de sediar a Copa do Mundo de 2014, ainda que reconhecesse o distanciamento dos torcedores brasileiros. Para o ministro, as críticas são naturais e compete aos responsáveis conviver com as opiniões divergentes.

"Isso não é uma novidade. É [resultado] dos momentos, de expectativas. Claro que o torcedor espera que a seleção sempre apresente o melhor futebol do mundo, goleie qualquer adversário. Como isso nem sempre é possível, o torcedor fica insatisfeito. O próprio Pelé já foi vaiado", lembrou o ministro.

Aldo Rebelo ainda citou o dramaturgo Nelson Rodrigues que, em suas crônicas, se referia ao "complexo de vira-latas" do povo brasileiro para explicar o sentimento de inferioridade com que o brasileiro se portava diante do resto do mundo, ao ser questionado se parte das críticas à seleção não seria um reflexo dos que são contrários ao país investir para sediar grandes eventos esportivos, apontando outras prioridades.

"Acho que superamos o complexo de vira-latas que o Nelson Rodrigues citava em suas crônicas, mas não o pessimismo do velhinho do Restelo, o personagem de Camões que tinha horror à ousadia e dizia que as navegações eram uma coisa arriscada e irresponsável, mas testemunhou a partida dos navegadores que ajudaram a desenhar um novo horizonte. Este pessimismo é parte da nossa herança, mas, ao mesmo tempo, também faz parte da nossa herança a ousadia", argumentou.

 

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