Fibrose cística. Aumenta o número de transplantes de pulmão

  Graças a uma técnica inovadora de transplante de pulmão, um número cada vez maior de pacientes com fibrose cística (mucoviscidose) retomam uma vida quase normal.  

Fibrose cística. Aumenta o número de transplantes de pulmão
Fibrose cística. Aumenta o número de transplantes de pulmão



 

Por Thomas Delozier – Le Figaro

 

“É um renascimento», explica Frédéric, 41 anos de idade, que recebeu um transplante de pulmão em fevereiro. «Fui capaz de redescobrir os pequenos gestos cotidianos, tais como carregar minha caixa de leite até o segundo andar e ficar com as pernas doloridas. É incrível ficar com as pernas doloridas.» Antes de sua operação, este paciente com fibrose cística (também chamada mucoviscidose) ficava ofegante tão rapidamente que nem sequer tinha tempo de recorrer a sua força muscular.

A mucoviscidose afeta o funcionamento dos pulmões. A expectativa de vida dos pacientes evoluiu bastante, passando de 7 anos há meio século para 52 anos  atualmente. No entanto, o transplante do pulmão é muitas vezes necessário.

Hoje, «um paciente adulto em cada cinco com a doença, se beneficia de um transplante pulmonar » diz a Dra. Virginie Colomb-Jung, diretora  médica da associação francesa “Combater a Mucoviscidose”. Isso representa, na França, cerca de 100 transplantes por ano, contra 16 em 2000. E sua utilização tem aumentado: em 2015, de todas as patologias de modo geral, 345 transplantes pulmonares foram realizados, 41% a mais que em  2010. Por trás deste aumento, se esconde um procedimento que permite a utilização de enxertos pulmonares que teriam sido considerados inutilizáveis.

Pulmões ressuscitados

Em 2011, os cirurgiões do Hospital de Foch de Suresnes (Hauts-de-Seine) inauguraram na França, uma técnica de reabilitação espetacular ex-vivo (após a coleta no seu doador) de pulmões anteriormente julgados não transplantáveis por estarem muito danificados. Estes últimos são colocados sob uma tampa estéril a 37°C que é conectada a um aparelho de oxigenação que os infla e os desinfla regularmente, enquanto um líquido nutritivo é infundido para limpar o pulmão. «Após duas horas de reabilitação, vemos se o órgão melhorou. Neste caso, podemos transplantá-lo» explica o Dr. Edouard Sage, cirurgião torácico no Hospital Foch. «Desde 2011 no hospital, esta técnica foi realizada em 53 pulmões; 45 dentre eles foram então transplantados com êxito » ele continua.

«A sobrevivência de um ano é idêntica àquela obtida com um pulmão de boa qualidade, cerca de 91%.» alegra-se o Dr. Sage. Este procedimento reduziu consideravelmente o tempo de espera para um transplante. Hoje, no Hospital de Foch, esse tempo é duas vezes menor que antes de sua utilização (21 dias contra 52 dias).

Infelizmente, este procedimento que saiu de sua fase de teste no ano passado, ainda não está financiado pelas instituições francesas. Atualmente, os 14 mil euros de custo adicional representado pelo processo de reabilitação são suportados pelas associações “Combater a Mucoviscidose”*, a Associação Gregory Lemarchal e a Fundação Foch. «Devemos começar a discussão com a Direção Geral da Oferta de Tratamento, da Autoridade Superior da Saúde e da Agência de Biomedicina para fazermos as coisas evoluírem”. Ninguém sabe quanto tempo isso pode demorar » conta Virginie Colomb-Jung, diretora médica da  Associação “Combater a Mucoviscidose”.

Comparar para antecipar

Seja qual for o pulmão, os riscos de complicações pós-operatórias permanecem, especialmente aqueles relacionados com a rejeição crônica. Assim, o projeto europeu COLT, nascido em 2012, visa compreender os mecanismos envolvidos na rejeição crônica, como a fibrose, para melhor antecipá-los. Para isso, os pesquisadores constituíram a maior coorte de transplantados pulmonares, jamais realizada. Graça aos 2 mil pacientes registrados, eles recuperaram hoje, 150 mil dados pré e pós-operatórios.

Esta «big data» permite que eles comparem os percursos diferentes dos transplantados. «Com 20 genes, é possível prever os casos que irão se deteriorar» explica o Prof. Pison, chefe da Clínica Universitária de Pneumologia no Hospital Universitário de Grenoble e envolvido no projeto. Ele aproveita para salientar o efeito da poluição nos pulmões transplantados. «O transplante, é melhor no campo» ele acrescenta.

 

*A Associação Combater a Mucoviscidose organiza anualmente suas «Viradas da esperança», uma jornada de mobilização e de solicitação de doações para financiar a pesquisa sobre esta doença. No ano passado, 5,75 milhões de euros foram coletados nesta ocasião, ou seja, 40% dos recursos da associação, primeira financiadora da pesquisa na França na área da mucoviscidose. A 32a edição ocorrerá em 25 de setembro de 2016.

 

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