Fifa perde condição moral de dar lições ao Brasil

Joseph Blatter admite que sabia do pagamento de mais de R$ 45 milhões em propina para o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o antecessor João Havelange; "Não se pode julgar o passado com base nos padrões de hoje", disse; com a casa esburacada pela corrupção, como ele pode querer ensinar o Brasil a fazer uma Copa?

Fifa perde condição moral de dar lições ao Brasil
Fifa perde condição moral de dar lições ao Brasil (Foto: Edição/247)
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247 – Por que não te calas, Joseph? Dirigida originalmente pelo rei Juan Carlos, da Espanha, ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a frase bem serviria, atualmente, para o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Ele vive dando conselhos ao Brasil sobre como organizar a Copa de 2014, mas está provado que vive com a própria casa desarrumada, remexida por constantes escândalos de corrupção. Ao site da entidade, em entrevista por escrito, Blatter admitiu estar citado nos documentos do Tribunal de Zug, na Suíça, que apurou o pagamento de propinas de mais de R$ 40 milhões, pela ISL, ao ex-presidente da Fifa João Havelange e ao então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na década de 1990. Sob pressão, o cartola que vem dando conselhos ao Brasil sobre como conduzir a Copa do Mundo de 2014 admitiu que sabia de todo o esquema. "Saber o que? Que comissões eram pagas? Naquela época, tais pagamentos podiam ser deduzidos até mesmo de impostos como gastos de negócios", disse. "Hoje, seriam punidas pelas lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões de hoje", indicou. "Caso contrário, acabaria como justiça moral. Eu não poderia saber de uma ofensa que na época não era ofensa".Blatter admitiu que a fonte citada pelo tribunal suíço pelo código de P1 era mesmo ele. "Sim, sou eu", reconheceu o cartola. Segundo ele, a decisão de manter seu nome de forma anônima no documento não foi dele, mas da própria corte, que decidiu que pessoas que não estava sendo acusadas teriam sua privacidade protegida. Blatter defende a ideia de que todo o documento fosse publicado, sem tarjas ou letras substituindo nomes, como no caso da empresas ligadas a Teixeira ou os nomes das redes de TV que deram dinheiro aos cartolas, inclusive no Brasil.

Ele claramente defendeu, na entrevista ao site da Fifa, a estratégia de tentar adiar ao máximo as repercussões do escândalo. Para ele, o caso finalmente revelado não deverá ser reaberto pela comissão de ética da entidade, que deverá atuar apenas para que aquilo não se repita. Sobre o futuro de Havelange como presidente de honra da entidade, Blatter esquivou-se ao dizer que não tem poderes para decidir o que acontecerá com o brasileiro e que apenas o Congresso da Fifa pode tomar uma decisão, em 2013. "O Congresso nomeou como presidente honorário. Só o Congresso pode decidir o seu futuro", disse.

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