Fim do aperto monetário

Ciclo de alta dos juros pode ter chegado ao fim

Ciclo de alta dos juros pode ter chegado ao fim
Ciclo de alta dos juros pode ter chegado ao fim (Foto: Camila Nunes)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Do Infomoney - O Banco Central do Brasil dobrou o ritmo dos aumentos da taxa de juros em um momento em que o governo busca persuadir os investidores de que está fazendo tudo para conter a inflação, que excedeu sua meta durante mais de quatro anos

O conselho do banco, liderado pelo presidente da entidade, Alexandre Tombini, elevou ontem a taxa básica, a Selic, em meio ponto porcentual, para 11,75%, após um incremento de 25 pontos-base no dia 29 de outubro, igualando a mediana das previsões dos analistas consultados pela Bloomberg. Os estrategistas do BC disseram que os futuros aumentos da taxa provavelmente serão conduzidos com "parcimônia".

A decisão "mostra que eles estão tratando a inflação com mais seriedade", disse John Welch, estrategista macro do Canadian Imperial Bank of Commerce, em entrevista por telefone. "A parcimônia sugere que eles irão desacelerar para 0,25% na próxima reunião".

A presidente Dilma Rousseff prometeu um "imenso esforço" para conter a inflação após sair vitoriosa do segundo turno da eleição, no dia 26 de outubro, com a margem mais apertada desde 1945, pelo menos. Seu novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, prometeu reduzir o déficit orçamentário mais amplo em mais de uma década, uma medida que ajudaria a conter os aumentos dos preços ao consumidor.

As taxas de swap de curto prazo provavelmente cairão hoje à medida que os investidores desfizerem as apostas de que o BC aumentará a Selic em 50 pontos-base em sua reunião de janeiro, disse Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg Consultores Associados.

As taxas de swap com vencimento em janeiro de 2016 caíam 20 pontos-base, ou 0,20 ponto percentual, para 12,4%, às 9h44, horário local, porque os investidores estavam desfazendo as apostas de que o BC aumentará a Selic em 50 pontos-base em sua reunião de janeiro. O real registrou uma desvalorização de 0,5% em relação ao dólar, para 2,5659.

"Agora que provavelmente temos uma política fiscal na direção certa, isso aliviará a tarefa do BC" de reduzir a inflação, disse Zara, em entrevista por telefone, de São Paulo.

O BC poderá interromper os aumentos na taxa de juros após elevá-la para 12% no mês que vem se Levy anunciar um "plano de ação viável", escreveu Jankiel Santos, economista-chefe do Banco Espírito Santo de Investimento, em nota a clientes. Se a inflação se tornar "desconfortavelmente alta", as taxas poderão subir até 12,50%, disse ele.

"Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia", disse o BC, no comunicado que acompanhou a decisão de ontem.

A inflação subiu para 6,59% em novembro, acima do limite máximo da faixa-meta de 2,5 por cento a 6,5% do BC, pelo quinto mês neste ano, segundo a estimativa média de 35 economistas consultados pela Bloomberg. De acordo com a programação, o IBGE divulgará os dados no dia 5 de dezembro.

Os analistas preveem que a inflação irá desacelerar para 6,3% em dezembro e subir novamente para 6,5% no ano que vem. Eles veem os preços ao consumidor subirem 5,85% em 2016.

Tombini disse no dia 8 de novembro que o BC estava trabalhando para trazer a inflação de volta para os 4,5% nos próximos dois anos. Ele surpreendeu os analistas, em outubro, ao acabar com uma pausa de cinco meses nos aumentos de taxas de juros para garantir um cenário inflacionário mais benigno.

"Temos expectativas de uma inflação alta que não são compatíveis com a meta", disse Guilherme Maia, economista da Votorantim CTVM Ltda, por telefone, de São Paulo. "Nesse sentido, as políticas fiscal e monetária precisam ser mais ortodoxas".

Dilma prometeu que seu segundo mandato será marcado por um controle "rigoroso" da inflação e por políticas para impulsionar o crescimento, segundo uma carta enviada no dia 2 de dezembro aos participantes da Brazil Opportunities Conference, realizada pelo JPMorgan Chase em São Paulo.

A maior economia da América Latina se expandirá 0,3% neste ano, ritmo mais lento desde a recessão de 2009 e menor que a média latino-americana pelo quarto ano seguido, segundo analistas consultados pela Bloomberg.

A redução do crescimento e a piora dos resultados fiscais levaram a Standard Poor's a diminuir o rating da dívida soberana do país para um nível acima do grau especulativo. Em setembro, a Moody's Investors Services seguiu o movimento e reduziu a perspectiva do rating de crédito Baa2 do Brasil para negativa.

"Neste momento a política econômica precisa reconquistar sua credibilidade e os esforços precisam ser feitos em vários canais, monetários e fiscais", disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, por telefone, de São Paulo.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247