Força nos dividendos e de olho nas oportunidades

Incertezas ainda cercam a Bolsa, mas momento é favorável para diversificar em renda variável. Ações de boas pagadoras e fundos imobiliários se destacam entre as boas opções

Força nos dividendos e de olho nas oportunidades
Força nos dividendos e de olho nas oportunidades (Foto: Shutterstock)

Luciane Macedo _247 - Com alta de 3,21% em julho, o Ibovespa foi a melhor aplicação do mês, o que foi um respiro para o investidor, ante os quatro meses anteriores em que o principal índice do mercado de ações brasileiro ficou no vermelho. A reação positiva do Ibovespa, impulsionada pela melhora de humor dos investidores em relação à crise europeia, quase zerou as perdas acumuladas no ano (1,16%), mas não foi suficiente -- e o investidor não deve se animar. Mas, se por um lado, a Bolsa ainda requer cautela, por outro, o momento continua favorável para diversificar as aplicações em renda variável buscando oportunidades.

"Ainda é incerta a situação, mas a oportunidade está dada em função da queda da Selic", comenta Ricardo Moraes, diretor do homebroker Rico, da corretora Octo Investimentos. "O investidor já está buscando alternativas que possam ter retornos maiores que os produtos de investimento mais conservadores de renda fixa. A demanda por Tesouro Direto aumentou bastante, outros produtos como fundos de investimento imobiliário e fundos multimercado também têm registrado mais interesse, além das ações que pagam bons dividendos, alguns superiores à Selic projetada para o ano", observa Moraes. "A tendência no segundo semestre é que a pessoa física continue alocando investimentos em ativos com rentabilidade maior, a velocidade dessa migração é que vai depender do desenrolar dos acontecimentos aqui e lá fora. O mercado continua muito volátil, então o investidor fica receoso".

Vale lembrar que Bolsa não é só Ibovespa. E que as duras perdas registradas pelo índice ao longo do primeiro semestre de 2012, à exceção de janeiro e fevereiro, não varreram da Bolsa as rentabilidades positivas. O índice de dividendos (IDIV) encerrou julho acumulando ganhos de 14,69% no ano. O de consumo (ICON), 16,70%. O de utilidade pública (UTIL), 17,58%.

"Recomendamos carteiras conservadoras com caráter defensivo como alternativa de investimento em Bolsa. Buscamos ações de empresas que têm mais peso no mercado interno, dado o cenário externo conturbado, e que possam dar um bom retorno ao investidor, com boa tendência de alta nos gráficos de médio e longo prazo", explica Moraes.

Na carteira de dividendos recomendada para agosto da Octo, destacam-se as ações de geradoras e transmissoras de energia (veja abaixo). Em julho, a carteira teve performance levemente abaixo do Ibovespa (2,30%), mas acumula alta de 25,99% no ano, contra a performance negativa do principal índice de ações da Bolsa. O investidor pessoa física não precisa pagar Imposto de Renda sobre os dividendos que recebe das empresas sobre suas ações em carteira.

Os fundos de investimento imobiliário (FII), que também são negociados na Bolsa, são outra alternativa interessante para diversificar os ativos buscando maior retorno em tempos de Selic em queda. Saem os dividendos das ações, entram os aluguéis dos empreendimentos imobiliários que compõem o FII.

Para minimizar os riscos, vale procurar os fundos que têm uma carteira diversificada de ativos, ou seja, que não investem em um único imóvel ou que não dependem de um único inquilino. "Se o inquilino sai, derruba a rentabilidade do fundo", orienta o diretor do Rico. "O investidor deve buscar, além da diversificação, inquilinos com contratos longos que são grandes empresas e devem se manter como inquilinos". Pessoa física também não precisa pagar Imposto de Renda sobre os rendimentos em FII -- desde que tenha menos de 10% das cotas do fundo.

O volume de negócios em FII aumentou 177,7% em julho em relação ao mesmo mês em 2011 e cresceu 37,5% de junho para julho. No acumulado de 2012, o volume negociado nos FII chega a R$ 1,3 bilhão. São 78 fundos imobiliários registrados e autorizados à negociação em Bolsa e no mercado de balcão até julho -- com quatro novos fundos estreando no mês. Em julho do ano passado, eram apenas 56.

"Os retornos em FII vão depender do mercado imobiliário daqui para a frente e principalmente do objeto do fundo, ou seja, de onde ele aplica, se em imóveis corporativos, shoppings centers, hospitais, mas o mercado é bem diversificado, existem fundos imobiliários para todo tipo de perfil", assinala Moraes.

Seja em dividendos, em FII ou procurando as oportunidades em empresas de setores que performam bem ante o conturbado cenário externo, é preciso conhecer bem os riscos e vantagens das alternativas em renda variável, que só podem ser bem avaliados de acordo com o montante, objetivo e prazo de quem investe.

Para estimular o pequeno investidor, as corretoras investem cada vez mais em educação financeira. Ao contrário do que acontecia quando o Brasil tinha os mais altos juros básicos do mundo, e os ganhos em aplicações conservadoras eram bem mais fáceis, o novo cenário de juros baixos aumenta a demanda por conhecimento.

A Octo, que já oferece uma aula de Bolsa no Trade ao Vivo, durante o pregão, e sem custos aos clientes, agora tem também um chat antes do pregão, aberto e acessível a todos. Diariamente, das 9h às 10h, o trader profissional André Moraes faz uma análise do mercado e de papeis específicos a pedido dos participantes. Para entrar no bate-pabo, basta acessar o livestream pelo homebroker Rico (se for cliente), pelo site rico.com.vc ou pelo Facebook.

"Quem não saiu da Bolsa está fazendo agora o que deveria ter feito antes: aprender a ganhar com o mercado em baixa", comenta o trader. "A demanda também é grande entre quem está chegando agora, porque para sobreviver no mercado, é preciso entendê-lo". Segundo Moraes, o que os investidores mais querem saber é como proteger a carteira, como ganhar com o mercado em queda alugando ações e como entender o timing das operações para saber quando comprar e vender.

Ele cita as "empresas X", de Eike Batista, como um caso recente de alta demanda por informação dos investidores. "Muita gente que não sabia o que é Bolsa sofreu muito e teve um prejuízo grande com a queda das ações da OGX", comenta Moraes. "Sobre a LLX (que vai fechar capital), a maioria das pessoas vai ter prejuízo, mas depende muito de quando o investidor comprou essas ações, porque elas chegaram a custar R$ 0,54 em 2008". Eike anunciou ao mercado que vai pagar R$ 3,13 por ação da LLX.

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