Gil prevê "dificuldade" para oposição no interior

Ex-ministro da Cultura no governo Lula, Gilberto Gil diz que continua "antenado" com o cenário político-partidário e analisa a corrida pela sucessão do governador Jaques Wagner em outubro próximo; Em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, ele disse que a oposição ao PT terá dificuldade de chegar fortalecida ao interior do estado, sobretudo, devido à boa atuação do governo, "que tem sido bem avaliado pela própria população"; apesar de ver certa vantagem do PT, ele declara apoio à candidatura da senadora Lídice da Mata, do PSB

Ex-ministro da Cultura no governo Lula, Gilberto Gil diz que continua "antenado" com o cenário político-partidário e analisa a corrida pela sucessão do governador Jaques Wagner em outubro próximo; Em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, ele disse que a oposição ao PT terá dificuldade de chegar fortalecida ao interior do estado, sobretudo, devido à boa atuação do governo, "que tem sido bem avaliado pela própria população"; apesar de ver certa vantagem do PT, ele declara apoio à candidatura da senadora Lídice da Mata, do PSB
Ex-ministro da Cultura no governo Lula, Gilberto Gil diz que continua "antenado" com o cenário político-partidário e analisa a corrida pela sucessão do governador Jaques Wagner em outubro próximo; Em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, ele disse que a oposição ao PT terá dificuldade de chegar fortalecida ao interior do estado, sobretudo, devido à boa atuação do governo, "que tem sido bem avaliado pela própria população"; apesar de ver certa vantagem do PT, ele declara apoio à candidatura da senadora Lídice da Mata, do PSB (Foto: Romulo Faro)
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Bahia 247 - Ex-ministro da Cultura no governo do ex-presidente Lula, o cantor e compositor Gilberto Gil diz que continua "antenado" com o cenário político-partidário e analisa a corrida pela sucessão do governador Jaques Wagner em outubro próximo. 

Em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, no Camarote Expresso 2222, no Carnaval, e publicada hoje, o ex-ministro disse que a oposição ao PT terá dificuldade de chegar fortalecida ao interior do estado, sobretudo, devido à boa atuação do governo, "que tem sido bem avaliado pela própria população".

Gil também avaliou o primeiro carnaval organizado pelo prefeito ACM Neto (DEM). Abaixo a íntegra da entrevista.

Gil, como você avalia as mudanças do Carnaval de Salvador este ano?

Pode ser apressado avaliar agora. Eu acho, por exemplo, que a reordenação do trânsito nos circuitos do Campo Grande e Barra/Ondina parece ter resultado bem. Eu senti nos meus deslocamentos, aqui, no centro, para fora, para o aeroporto, senti bem, uma fluência maior no trânsito. Eu achei que a limpeza pública está muito melhor, enfim, a organização, fiscalização, a divisão territorial dos ambulantes com mais cuidados e critérios, acho que tudo isso ajuda muito. Percebemos um empenho do poder público quanto ao policiamento para garantir a segurança. Temos que rever a inserção dos blocos pequenos, das pequenas agremiações, pequenos trios. Um momento especial do Carnaval para essa turma é poder compartilhar com as grandes estrelas a atenção do público. O Carnaval cresceu muito, e aí fica essa discussão sobre novos circuitos, sendo que ao mesmo tempo você vai criando sub- circuitos dentro dos próprios grandes circuitos que já existem.

O que diferencia, na sua visão, na gestão do prefeito ACM Neto do ex-prefeito João Henrique?

Primeiro que o ex-prefeito não gostava de Carnaval, devido as questões religiosas, devido inclinações próprias dele em relação ao paganismo... Ele tinha dificuldades e teve com isso durante o tempo todo. O ex-prefeito fazia o Carnaval por obrigação, porque era prefeito da cidade de Salvador e não tinha como se furtar. Fazia, mas não gostava da festa. O ACM Neto é um menino que brinca Carnaval desde novo. É diferente, ele tem o compromisso afetivo com uma festa que se reflete também no compromisso institucional, ele como prefeito.

Além da festa, além do Carnaval, falamos sobre a administração da cidade, como você avalia o governo ACM Neto? A cidade já respira novos ares?

Eu vi que a cidade melhorou muito! O cuidado com a dimensão urbanística, cultural e os equipamentos gerais da cidade. Salvador está mais limpa, mas bem cuidada. A criação de uma instancia que vai cuidar da sociedade, mais planejamento. Eu acho que sim, o apetite desse prefeito em relação à gestão e a contribuição que se pode dar à cidade é um gosto muito maior. Pelo menos está melhor apresentável comparando ao modo de trabalho do governo anterior, pois era uma gestão menos cuidadosa com a cidade.

Gilberto Gil está longe da política, mas continua político...

Todo cidadão continua político, independente, pois vota, opina, porque faz os pratos da balança penderem para um lado e para o outro, com seus apoios, seus não apoios... Enfim, tudo isso, nesse sentido sim, eu continuo político. Agindo diretamente na política não. Não tenho mandato nenhum para isso e nem tenho gosto, nem talento...

Como você enxerga esse final do governo de Jaques Wagner? Qual a avaliação que você faz?

Jaques Wagner é um governo muito bem avaliado no estado da Bahia, no interior. Ele fez muita coisa, na área de estradas, transporte, ajudou muito a agricultores, trabalhou muito na relação com os municípios, o apoio às iniciativas municipais, aqui e ali, a questão da Polícia Militar. O governador foi muito prejudicado na capital, especialmente, por conta dos episódios das greves... Além do mais, tem uma coisa de Jaques que eu gosto muito, uma tranquilidade, um homem que gosta de manifestar uma dimensão pacífica do próprio gesto político. Eu gosto muito disso. No mundo em que o político é identificado, associado a uma capacidade de intervenção mais bruta, mais violenta, mais incisiva, eu gosto daqueles que fazem o contrário. Que olha no olho, que diz, que ouve, que escuta, que pondera, que busca um diálogo antes do uso da força... e Wagner é dos meus nesse sentido.

Diante da avaliação da gestão do governador, você acredita que ele vai ter dificuldade para eleger Rui Costa?

Não sei. Isso é uma discussão que sempre volta: se Lula ia ter dificuldade de eleger o sucessor por conta disso ou daquilo, por conta do mensalão... Se a Dilma vai ter facilidade para se eleger ou não, enfim, isso é uma discussão que volta sempre. Isso alimenta muito a própria relação da imprensa e do papel que ela tem junto ao público. Essas interrogações alimentam esse trabalho, mas não se sustentam em nada. Nesse caso, então, o governo da Bahia em que o governo produziu em oito anos um trabalho muito importante para o estado inteiro e tem avaliações menos favoráveis na capital. Não se pode dizer, não se sabe, até porque vai depender muito se a oposição vai chegar...

Você acha que a oposição terá dificuldade de chegar forte no interior do estado?

Sim, porque a avaliação do governo Wagner no interior é muito boa. Pelos dados que nos são fornecidos é boa!

E quem seria o nome mais forte da oposição? Geddel, Paulo Souto?

Não sei. Não tenho a menor ideia de quem deveria ser o nome da situação, imagina da oposição... [risos]

A candidatura da senadora Lídice da Mata vai tirar votos do candidato do PT?

Vai, mas vai tirar voto também da oposição. A candidatura da Lídice pertence a um campo de oposição, mas de oposição moderada. De qualquer maneira, eu vou continuar associando, dando meu voto e associando meu empenho, na medida do possível, com relação a candidaturas do PSB, eu vou continuar marchando com Marina e ela, tudo indica, vai continuar marchando com Eduardo e Eduardo é do campo de Lídice. Eu quero alinhar meu voto a esse campo inteiro e eu, se votasse em Salvador, votaria na Lídice da Mata.

Mas o eleitorado é muito mais próximo do PT...

Por isso que eu digo é que uma oposição moderada. A oposição mais intensa e verdadeira se beneficie um pouco dessa candidatura da Lídice. Não sei, é especulação, não sou instituto de pesquisa (risos). Eu não sei, não gosto de emitir opinião sobre essas coisas. Eu gosto de ver as eleições serem votadas e apuradas.

Para finalizar, o que você acha que deve ser reinventado no Carnaval de Salvador?

Primeiro uma atenção ao fato de que a festa se reinventa por si mesma. As relações entre os interesses privados da festa, que são muitos, e os interesses públicos, e que também são muitos, e essa relação é cada vez mais civilizada, intensa, produtiva, então tem isso da festa ir se renovando por si própria. Além disso, as próprias ações dos políticos, ou seja, aquilo que vem da contribuição, da visão dos governantes, e que os empreendedores do mundo privado têm em relação à festa, tudo isso vem tendo atenção mais verdadeira, apurada, mais cuidadosa, com relação à folia, e isso tudo vai ajudando aqui neste ano. Espero que nos próximos sejam ainda mais proveitosos os avanços em relação ao Carnaval.

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