Há promiscuidade entre gestão Doria e empresa de sua família, diz Intercept

O prefeito de São Paulo, João Doria, colocou, em junho deste ano, Luiz Fernando Furlan no comando da Conselho Deliberativo da SP Negócios, empresa de economia mista vinculada ao executivo municipal; Furlan é chairman do Lide e preside o Lide Internacional, grupo empresarial de propriedade da família do tucano; "Como não abandonou seu cargo na empresa de Doria para comandar a SP Negócios, Furlan hoje está no comando dos dois lados do balcão. Se esses fatos não representam um flagrante conflito de interesses, o que mais poderia representar?", questiona o jornalista João Filho, em matéria no Intercept Brasil

São Paulo - O prefeito eleito João Dória fala sobre a Operação Chuvas de Verão, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), região central (Rovena Rosa/Agência Brasil)
São Paulo - O prefeito eleito João Dória fala sobre a Operação Chuvas de Verão, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), região central (Rovena Rosa/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Lucena)

SP 247 - O prefeito de São Paulo, João Doria, colocou, em junho deste ano, Luiz Fernando Furlan no comando da Conselho Deliberativo da SP Negócios, empresa de economia mista vinculada ao executivo municipal. Furlan é chairman do Lide e preside o Lide Internacional, grupo empresarial de propriedade da família do tucano. A SP Negócios é presidida por Juan Quirós, ex-presidente do Lide Campinas e o homem forte do comitê financeiro da campanha do prefeito. Antes de ser nomeado por Doria, Quirós teve seus bens bloqueados pela Justiça, após ser acusado de usar uma rede de offshores com o objetivo de ocultar ser dono de uma firma que faliu. As informações são do The Intercept Brasil.

"A principal missão do Lide é fazer a ponte entre empresas e órgãos públicos. A principal missão da SP Negócios é criar Parcerias Público-Privadas (PPPs). Como não abandonou seu cargo na empresa de Doria para comandar a SP Negócios, Furlan hoje está no comando dos dois lados do balcão. Se esses fatos não representam um flagrante conflito de interesses, o que mais poderia representar?", questiona o jornalista João Filho, autor da matéria.

De acordo com o texto, a promiscuidade entre o público e o privado "não se limita apenas às doações premiadas". "Uma reportagem da jornalista Thais Bilenk na 'Folha' mostra como o Lide e empresas filiadas estão se beneficiando com a presença do gestor na prefeitura. Em 2016 e 2017, quando o não-político entrou para a política, a empresa da sua família conseguiu reverter um quadro de crise em 2015, quando perdia associados", continua.

O jornalista diz que "multinacionais como Burger King, Starbucks e Uber também não perderam a oportunidade e correram para se filiar ao Lide. A Uber, por exemplo, se filiou logo no mês seguinte à eleição de Doria". "De lá para cá, a relação da empresa com a prefeitura vai maravilhosamente bem. O prefeito afrouxou as regras de um esquema de taxação implantado no fim da gestão Haddad sobre as empresas de aplicativos que conectam motoristas particulares a passageiros", afirma.

"Não pensem que qualquer empresa pode ser membro da empresa de lobby da Família Doria. Há critérios para ter a filiação aprovada. Não pode ser pequeno empresário, tem que ser top. Quem pretende integrar este seleto grupo deve ter “faturamento igual ou superior a R$ 200 milhões ou ser líder de mercado em seu segmento de atuação", acrescenta.

A prefeitura negou haver  correlação entre as filiações ao Lide e participação em reuniões com o prefeito. "O prefeito, que costuma gravar vídeos atacando jornalistas que o criticam, dessa vez não se pronunciou em suas redes sociais. Ele está mais preocupado com as eleições 2018 do que com probleminhas municipais".

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