Incêndios: Espécies de animais podem ser extintas

Até fevereiro deste ano o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) de Alagoas registrou 101 ocorrências de incêndio em vegetação no estado; durante todo o ano de 2016, 629 foram registradas, quase duas por dia; aves, preguiças e raposas correm risco de extinção

Até fevereiro deste ano o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) de Alagoas registrou 101 ocorrências de incêndio em vegetação no estado; durante todo o ano de 2016, 629 foram registradas, quase duas por dia; aves, preguiças e raposas correm risco de extinção
Até fevereiro deste ano o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) de Alagoas registrou 101 ocorrências de incêndio em vegetação no estado; durante todo o ano de 2016, 629 foram registradas, quase duas por dia; aves, preguiças e raposas correm risco de extinção (Foto: Voney Malta)

Por Pedro Ferro/gazetaweb.com - Imagine você está quieto, em sua casa, sem incomodar ninguém. Mas aí, você é obrigado a correr. Obrigado a travar uma verdadeira corrida contra o tempo. O inimigo? O fogo, que, em algumas situações, é causado por seres humanos. As vítimas? Animais, muitos deles com risco de extinção e vítimas dos incêndios em vegetações que acabam morrendo, devido as fortes lesões causadas pelo fogo. Inclusive, algumas, deixam até de existir naquela região, o que é chamado de extinção. Só até fevereiro deste ano, o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) de Alagoas registrou 101 ocorrências de incêndio em vegetação no estado. Durante todo o ano de 2016, 629 foram registradas, quase duas por dia.

Vários animais estariam nesses locais durante o incêndio. Além disso, não são só eles que são prejudicados, mas também todo o meio ambiente e pessoas que moram próximas a estes locais. O impacto que é causado pelas chamas, são devastadores para a vida, onde acontecem os incêndios. Segundo a bióloga e veterinária, Ana Cecília, os incêndios causam impacto desde a perda de indivíduos até a perda de populações locais. ''Se existe uma espécie ameaçada naquele ambiente, dependendo do grau de queimada, se for muito grande, pode se ter uma extinção local de algumas espécies. Acarreta em uma série de prejuízos para a fauna, neste sentido de bem estar animal. Passa a ferir os bichos e muitos deles chegam no centro de triagem com queimaduras, onde maioria entra em óbito'', explicou.

Ainda segundo Ana, em Alagoas, vários animais, inclusive, como a raposa e a preguiça utilizam também a cana e locais próximos dela para o refúgio. "Alguns animais que tem correr e tem outros não tem como, o que chama a atenção da preguiça. Depende muito do local de como é feito incêndio ou queimada. Porque as vezes é de fora pra dentro e, se estiver animais ali dentro, não vai ter como sair daquele fogo. Muitas espécies costumam conseguir alimentos nas áreas de cana e quando acontecem a queimada eles serão prejudicados'', expôs.

Ana explicou ainda que, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), onde ela também atua, vários animais são socorridos e levados ao órgão, com ferimentos gravíssimos, oriundos de incêndios ou queimadas em várias regiões de Alagoas. ''Maioria entra em óbito. Isso porque as lesões são muito fortes", concluiu.

Em áreas devastadas pelo fogo, como é o caso da Serra dos Frios, em União dos Palmares, onde foi registrado um incêndio, no fim do ano passado, os animais que sobrevivem enfrentam muitas dificuldades. No caso das aves, muitas acabam perdendo o ninho e, consequentemente, os filhotes, o que diminui o número de animais daquela espécie. No caso de outros animais, eles precisam procurar alimentos em outras áreas, tendo em vista que os alimentos do local foram incinerados pelo pelo fogo. Em algumas situações, os animais acabam morrendo, devido a falta de alimento, ou seja, o incêndio acaba prejudicando de qualquer forma, mesmo o animal sobrevivendo.

Na mesma Serra dos Frios, em União, alguns moradores do local chegaram a sentir o impacto causado pelo fogo de outra forma. Habitantes da região, sentiram o peso dos problemas respiratórios e da piora, para os que já possuíam. Como é o caso da família Silva, a qual possui integrantes com alergia e, que não ficaram na residência na época do evento para não absorver a fumaça e, consequentemente, evitar problemas respiratórios e aumento da alergia.

 De acordo com a alergista, Dra. Clarissa Soares Tavares, os efeitos da fumaça, quando inalada pelo ser humano, pode causar problemas graves de saúde. "É como se estivesse inalando a fumaça de um cigarro, mas com uma dimensão bem maior. Tanto, porque não sabemos o que há naquela fumaça. Para o alérgico, vai piorar as doenças pré-existentes como a rinite e a asma. Para o não alérgico, pode desencadear crise asma ou bronquite, mesmo a pessoa não possuindo problemas respiratórios. Em ambos os casos, a depender do que estiver sendo inalado, as pessoas podem chegar a ter infecções respiratórias", explicou. 

Alguns incêndios, por certa vez, são causados por queimadas, que acabam se abrangendo naquela localidade. Maioria destas, causadas por 'donos de terras' e até mesmo aquelas pessoas que levam objetos para incinerar em local de mata. 

O procurador do órgão Instituto do Meio Ambiente (IMA), Valdely Tenório informou que os processos administrativos, assim como a penalização, tem como base a Lei Estadual 6787/2016, que dispõe sobre a consolidação dos procedimentos adotados quanto ao licenciamento ambiental, infrações administrativas e de outras providências a serem tomadas.

A assessoria do Corpo de Bombeiros informou que o controle dos incêndios, geralmente, são controlados e debelados com água, através de viaturas e abafadores, os quais são utilizados em fogo em vegetação.

Para denunciar queimadas ou incêndios provocados pelas mesmas, a população pode entrar em contato com a Linha Verde, que pertence ao Ibama, no número 0800-61-8080. As denúncias também poderão ser feitas pelo e-mail [email protected] 

Com gazetaweb.com

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