Indignação, gratidão e disposição para luta no Acampamento pela Democracia

Em Porto Alegre, manifestantes mobilizados em defesa de Lula reforçam críticas ao processo repleto de convicções, mas sem prova que envolva o ex-presidente, e afirmam que suas vidas pioraram desde o golpe de 2016

Indignação, gratidão e disposição para luta no Acampamento pela Democracia
Indignação, gratidão e disposição para luta no Acampamento pela Democracia (Foto: Divulgação)

Da Rede Brasil Atual

A energia do Acampamento da Democracia, em Porto Alegre, pode ser sentida de longe. O anfiteatro Pôr do Sol, às margens do rio Guaíba, e perto do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será julgado nesta quarta-feira (24), é o palco de mobilização de milhares de trabalhadores – principalmente agricultores e sem-terra – mas também sem-teto, atingidos por barragens e integrantes de outros movimentos sociais que vieram à capital gaúcha defender o ex-presidente e cobrar respeito à democracia.

Nesta terça (23), eles se juntaram a outros milhares de manifestantes e convergiram para a Esquina Democrática, na região central de Porto Alegre, onde Lula discursou. Por onde passou, a marcha recebeu enfáticas manifestações de apoio dos cidadãos porto-alegrenses. E a indignação com o processo judicial infestado de convicções e – segundo dezenas de juristas e até mesmo um procurador federal – sem nenhuma prova, mistura-se com a disposição para luta e um sentimento de saudades dos governos anteriores.

“Eu estou aqui porque não conseguiram provar nada contra o Lula e querem prendê-lo, mas e os outros que provaram um monte de coisa? Provaram mala de dinheiro, gravação, e não acontece nada. Por que só contra o Lula? Essa é a minha indignação”, afirma Joana Sebben, pequena agricultora de São Miguel do Oeste, em Santa Catarina. “Ele fez muito para o povo brasileiro, minhas filhas entraram na universidade pública federal, uma já se formou em agronomia e a outra está se formando em pedagogia. Eu tive muitas conquistas nos períodos Lula e Dilma e agora estou perdendo tudo de novo.”

Ela lembra que os governos anteriores deram incentivo à produção orgânica, diferentemente da administração atual. “Eu produzo batata doce orgânica sem veneno, moranguinho, arroz, feijão e vendo direto ao consumidor, mas agora dificultou muito. Tem menos crédito para o agricultor familiar, e também o preço dos produtos caiu, enquanto a gasolina subiu, o preço da energia praticamente duplicou, o gás subiu muito. O preço do milho estava R$ 37 a saca. Agora está R$ 24. O preço do litro do leite estava R$ 1,40 e agora está R$ 0,80", relata.

A agricultura familiar produz 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros. " O que está mantendo a inflação baixa é a produção do agricultor, enquanto que o custo de produção subiu depois desse governo golpista. Eles têm que tirar o lucro de alguma coisa e o camponês está apagando o pato desta vez”, protesta Joana.

O mesmo sentimento de indignação, saudosismo e críticas ao governo atual tomam conta do pequeno agricultor da catarinense Chapecó Álvaro Santin. “Estou aqui em defesa da democracia, porque estão fazendo um julgamento e uma condenação injusta onde não se comprova nenhum crime do presidente Lula. Nós, como cidadãos, como brasileiros, e como trabalhadores, temos a obrigação de defender nosso país e a justiça, com distribuição de renda e de riqueza”.

Para Álvaro, querem inviabilizar a candidatura de Lula porque durante seu governo houve maior distribuição de renda entre os brasileiros. “O Brasil é um dos países que mais concentram terra e riqueza no mundo. Desde que a Dilma saiu do governo, uma série de políticas públicas foram aniquiladas e nós, agricultores, fomos muito prejudicados. O agronegócio cresce, mas concentra renda e riqueza nas mãos de poucos. Antes havia programas que favoreciam a agricultura familiar, havia um ministério que tratava de políticas agrárias, havia crédito diferenciado para o setor agrícola, e que agora está nas mãos do agronegócio”, afirma.

“A gente tem que lutar para tirar esse corrupto que está no poder e trabalhar para colocar um governo que olhe para o povo que produz”, reforça o agricultor Edílio José Moro, de Coronel Freitas, também em Santa Catarina. Desde que ele [Michel temer] chegou [ao poder], a situação piorou muito para quem é agricultor. Está muito difícil conseguir crédito para o plantio", lamenta o camponês.

“O brasileiro só consegue alguma coisa com luta, e sem dúvida defender o Lula significa a possibilidade da redistribuição mais justa da renda na mão do pequeno agricultor e do pequeno comerciante", afirmou um agricultor do município gaúcho de Sananduva, que não quis se identificar.

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