Insatisfeito com Vecci, Silvio deixa governo

Secretário da pasta de Desenvolvimento da Região Metropolitana pede exoneração em comunicado, alegando falta de estrutura e ausência de apoio de "colegas" do governo. Silvio, que pertence ao grupo do deputado Armando Vergílio (à dir) afirma que secretaria perdeu gerência e autonomia sobre obras importantes como a do VLT. Nos bastidores, informação é que grupo de Armando estaria insatisfeito com secretário Giuseppe Vecci (centro), que por meio da Segplan centralizou ações do VLT e ainda teria esvaziado pessoal da secretaria de Silvio Sousa. Segplan diz que Vecci não se sente atingido por comunicado e que nunca interferiu na pasta que era comandada por Silvio

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Goiás 247_ O secretário estadual de Desenvolvimento da Região Metropolitana, Silvio Sousa, anunciou sua exoneração da pasta na tarde desta quarta-feira em carta com sua assinatura e divulgada em seu Facebook.

Silvio chegou a ocupar no início deste ano o atual posto e também o de chefe da Secretaria das Cidades, antes da nomeação de João Balestra. Na carta, Silvio elenca os motivos que o fizeram pedir exoneração em “caráter irrevogável”. Ele é ligado ao grupo do deputado federal Armando Vergílio (PSD), que é representante do setor de seguros na Câmara Federal, e foi secretário das Cidades no início deste governo de Marconi Perillo.

O principal motivo é a perda de comando sobre ações como a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Goiânia, o Memorial da Capital na Praça Cívica e a Estação Cerrado. Na carta, Silvio Sousa afirma que a secretaria perdeu o papel de protagonista e a pasta também foi excluída dos fóruns de debate.

“Dessa forma, além de não termos mais como formular efetivamente as políticas públicas inerentes aos nossos objetivos e às nossas atividades, não temos hoje a condição plena de efetuar o necessário controle e a rígida supervisão das execuções”, escreve o ex-secretário.

Em outra parte do comunicado, Silvio explica que para o trabalho realizado pela secretaria não foi melhor porque faltou solidariedade, apoio e respeito por parte de alguns “colegas” de equipe de governo. Silvio também alega falta de espaço e estrutura para trabalhar.

O Goiás 247 apurou nos bastidores que o principal descontentamento do grupo de Armando Vergílio é com o secretário de Gestão e Planejamento (Segplan), Giuseppe Vecci. Por meio do PAI (Plano de Ação Integrada de Desenvolvimento) a Segplan conseguiu centralizar e ter sob seus cuidados os principais investimentos e obras do governo Marconi Perillo, tirando autonomia dos secretários e suas respectivas pastas.

Em evento recente com representantes do Banco da China, foi Vecci quem apresentou o projeto do VLT aos executivos chineses. Outra insatisfação do grupo de Armando em relação à Segplan seria por conta do esvaziamento de pessoal da secretaria – daí a alegação de falta de respeito e estrutura.

Segplan nega interferência em pasta

A comunicação setorial da Segplan informa que o secretário Giuseppe Vecci não se sente atingido pelo comunicado publicado por Silvio Sousa. A Segplan também argumenta que o projeto do VLT não é gerido pela pasta e sim pelo Grupo Executivo de Implantação do VLT.

A secretaria de Gestão também informa que a pasta nunca entrou em atrito com a Secretaria de Desenvolvimento da Região Metropolitana ou com o Silvio Sousa.

A nota de Silvio não cita Vecci nominalmente, mas nos bastidores ambas as partes não escondiam o descontentamento com as ações de suas respectivas pastas.

Abaixo, a íntegra do comunicado de Silvio Sousa:

 

COMUNICADO OFICIAL

A Secretaria Estadual para o Desenvolvimento da Região Metropolitana encerra hoje um ciclo, do qual tive satisfação de participar como agente publico dedicado, fiel e leal.

Nos últimos anos, a pasta ocupou-se de projetos que poderão transformar a realidade sócio-econômica de Goiânia e municípios que integram sua região metropolitana. Até aqui, coube a nós, por exemplo, estabelecer e conduzir o planejamento, o projeto e a formatação da licitação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Goiânia, cuja construção, esperamos, deverá se iniciar em breve, e a tarefa de dar os primeiros passos para consolidar o Memorial de Goiânia, na Praça Cívica e a Estação Cerrado (antiga sede do Corpo de Bombeiros). Projetos estes, que fazem parte da revitalização da nossa Capital e deverão trazer sensível melhoria na qualidade de vida dos Goianienses.

Com nossa frontal discordância de algumas decisões administrativas, sobre as quais não cabe discussão no momento, mas que levaram a secretaria a perder o papel de protagonista, os projetos de destaque e relevância inquestionáveis para o Estado de Goiás - entre os quais destaco os próprios VLT e Estação do Cerrado – não estão mais de direito ou de fato, sob o comando da Pasta. Por conseguinte a pasta foi excluída dos principais fóruns de debate da sociedade. Dessa forma, além de não termos mais como formular efetivamente as políticas públicas inerentes aos nossos objetivos e às nossas atividades, não temos hoje a condição plena de efetuar o necessário controle e a rígida supervisão das execuções.

Nos seus três anos de existência e, notadamente, no período em que estive como titular, o pequeno e restrito corpo de servidores da Secretaria demonstrou profissionalismo e comprometimento acima de qualquer coisa. Asseguro que contribuíram - e podem contribuir muito mais - com a construção dos pilares do desenvolvimento sustentável de Goiânia e de Goiás.

Creio então que o momento é propício para, quem sabe, se reavaliar o próprio papel da Secretaria no âmbito administrativo do poder executivo estadual, posto que, como já dissemos, os projetos que movimentaram a pasta nos últimos três anos não estão mais diretamente vinculados a ela. A Região Metropolitana ganharia muito com a expansão de suas atribuições, e o corpo funcional certamente não se furtaria diante de novas responsabilidades.

Posto isso, e depois de conversar muito com os companheiros do grupo político do qual faço parte e também com sua excelência, o Governador Marconi Perillo, a quem agradeço imensamente pela oportunidade e confiança, estou convicto de que posso dar por encerrada a minha participação e contribuição nesta pasta. O faço com a consciência e a clareza do dever cumprido e também com o necessário desprendimento para que nenhum projeto, em especial o do VLT, possa, por qualquer razão ou alegação, ser sobrestado, uma vez que, friso, não podemos simplesmente aquiescer com a maneira, a forma e a condução que estão sendo empregadas especialmente neste processo.

Registro que a minha única ambição pessoal bem como a do meu grupo político, liderado pelo Deputado Federal Armando Vergílio, sempre foi a de trabalhar incansavelmente pelo desenvolvimento e crescimento do nosso Estado, mas, para que isso tivesse ocorrido de forma mais eficiente e eficaz, precisaríamos ter tido um mínimo de solidariedade, apoio e respeito por parte de alguns “colegas” da equipe de governo e também espaço e estrutura adequada para trabalhar, o que, mesmo em desacordo com as orientações do Sr. Governador, decididamente e inexplicavelmente, não ocorreu.

Anuncio, portanto, em caráter irrevogável, o meu pedido de exoneração. Deixo aqui consignado os meus sinceros votos para que o governo continue seu empenho para ter êxito na tarefa de promover a justiça social e a prosperidade econômica.

Nossa missão a frente da secretaria termina aqui, mas nosso trabalho por um Estado de Goiás cada dia melhor irá continuar sempre baseado e orientado por princípios cristãos, éticos e morais de seriedade e correção, sempre com muito afinco, respeito ao próximo, espírito público e democrático, valores que fazem parte do grupo político do qual tenho orgulho de fazer parte.

Goiânia, 17 de abril de 2013.

 

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Silvio Silva Sousa

 

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