“Já fiz minha mudança para São Paulo”, diz Padilha

Num quadro eleitoral que ganha novos contornos rapidamente, ministro da Saúde inaugura Rede Hora Certa na capital paulista e confirma que deixará cargo até o final do mês; pré-candidato do PT a governador, Alexandre Padilha abriu o ano ao lado do prefeito Fernando Haddad, mostrando que acredita nele como cabo eleitoral; enquanto isso, ex-prefeito Gilberto Kassab cogita desistir ser candidato pelo PSD para apoiar petista já no primeiro turno, entregando a ele o tempo de seu partido no horário eleitoral gratuito; afastamento do PSB em relação ao governador Geraldo Alckmin, como quer a ex-senadora Marina Silva, também ajuda nome do PT

06.12.2014-Inauguração do Hora Certa, na Lapa em São Paulo. Foto: Karina Zambrana - ASCOM/MS
06.12.2014-Inauguração do Hora Certa, na Lapa em São Paulo. Foto: Karina Zambrana - ASCOM/MS (Foto: Gisele Federicce)

247 – Num quadro eleitoral em São Paulo que vai ganhando novos contornos rapidamente, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira 6 que já completou sua mudança de endereço de Brasília para a capital paulista. Durante inauguração do Rede Hora Certa, no bairro da Lapa, de marcação de consultas, exames e cirurgias pelo SUS, Padilha confirmou que pretende deixar o cargo "ao longo deste mês".

Ao lado do prefeito Fernando Haddad, o pré-candidato a governador pelo PT demonstrou que acredita na capacidade do chefe do executivo paulistano em agregar prestígio à sua campanha. Em baixa nas pesquisas, Haddad é apontado por dirigentes do partido, nos bastidores políticos, mais como um peso do que como uma alavanca. Padilha, ao contrário, prestigiou o prefeito.

"O programa Hora Certa foi uma ideia inovadora de Haddad para o SUS", disse Padilha. "Por muitos anos São Paulo não buscou ter as UPAs 24 horas. São Paulo agora vai poder ter porque o prefeito Fernando Haddad apresentou o projeto", disse o ministro, que liberou verbas para a Prefeitura usar no setor (abaixo).

A demonstração de disposição de Padilha para o embate de outubro se apresenta num momento em que o quadro eleitoral em São Paulo está em plena transição.

No PSD, por exemplo, já não há mais a mesma certeza de semanas atrás de que o ex-prefeito Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda, vá se apresentar para a eleição. Em lugar de concorrer, ele tende, neste momento, a apoiar, mais adiante, o candidato do PT, cedendo a Padilha o tempo da agremiação no horário eleitoral gratuito.

No PMDB, após ocupar espaços comprados pela Fiesp, que preside, na mídia eletrônica, o pré-candidato Paulo Skaf procura dar um passo atrás. Ele faturou, no final de 2013, a derrubada, no STF, do reajuste no IPTU proposto pelo prefeito Fernando Haddad e aprovado pela Câmara Municipal. Ao mesmo tempo, porém, seguiu o conselho de assessores para se retrair momentaneamente, com receio de ser flagrado em campanha antecipada e, ainda por cima, por abuso de poder econômico.

É o PSDB do governador Geraldo Alckmin, no entanto, que pode sofrer o maior desgaste político desta fase pré-eleitoral. A ex-senador Marina Silva já avisou ao chefe do PSB, Eduardo Campos, que não quer ver a legenda para a qual entrou com seu grupamento, o Rede, ajudando a sustentar a candidatura de Alckmin à reeleição. Marina quer que o PSB tenha na ex-prefeita Luiza Erundina a sua própria candidata à eleição para o Palácio dos Bandeirantes.

Ex-petista, Erundina pode, se resolver aceitar ao chamamento de Marina – ela disse que ainda está refletindo sobre o assunto --, tirar votos de Padilha no campo do eleitorado mais à esquerda. Porém, para compensar, deixaria de dar tempo de televisão e palanque para Alckmin. Atual líder nas pesquisas, o governador é o político a ser batido. Tudo que puder enfraquecê-lo é saudável para as pretensões de Padilha.

Abaixo, notícia da Agência Brasil sobre a movimentação do ministro da Saúde em São Paulo hoje:

Flávia Albuquerque e Fernanda Cruz

Repórteres da Agência Brasil

São Paulo – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou hoje (6) a liberação de R$ 71,9 milhões para a Rede de Urgência e Emergência da capital paulista e R$ 9,7 milhões para capacitação, estudos e pesquisas sobre saúde mental e implantação do programa Telessaúde Brasil Redes pela Secretaria Municipal de Saúde. Além disso serão repassados R$ 21,1 milhões para a Fundação Faculdade de Medicina e para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Padilha informou também que serão repassados R$10 milhões para manutenção e desenvolvimento de ações de saúde por instituições e organizações não governamentais (ONGs). Ao lado do prefeito Fernando Haddad, o ministro inaugurou nesta segunda-feira a Rede Hora Certa, no bairro da Lapa, que terá capacidade para fazer 8,4 mil consultas por mês, 2,1 mil exames e 200 cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde investiu R$ 1,5 milhão na aquisição de equipamentos e a Prefeitura, R$ 1,7 milhão.

Entre as especialidades atendidas estão cardiologia, cirurgia vascular, neurologia e urologia. A unidade dispõe de duas salas de cirurgia e três salas de recuperação pós-anestesia, oferecerá seis tipos de cirurgia e exames como colonoscopia, eletrocardiograma, endoscopia, ecocardiograma, histeroscopia diagnóstica, holter, nasofibroscopia, radiologia e ultrassonografia, além de teste ergométrico e monitoramento ambulatorial da pressão arterial.

Para o ministro, a nova unidade da Rede Hora Certa mostra que São Paulo volta a ter ideias inovadoras para a área da saúde e a ocupar espaços que o SUS não estava ocupando, com diversos serviços no mesmo local, o que reduz as filas de espera. Ele acrescentou que é importante também o fato de a nova unidade ficar no Hospital Sorocabano, que estava fechado. "Muita gente lutou para que o hospital fosse reaberto", disse Padilha, destacando o fato de a reabertura incluir ambulatório e exames e usar outro tipo de tratamento do SUS, que é a Rede Hora Certa.

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