João Henrique, a incógnita

Imprevisível como sempre, o prefeito de Salvador continua sem dar uma palavra sobre a eleição que vai escolher seu sucessor; seu partido, o PP, já declarou apoio ao petista Nelson Pelegrino; mas como fica ACM Neto (DEM)? João lembra que ele levantou seu braço no segundo turno do pleito de 2008, quando ele duelou exatamente contra o PT; E agora, João?

João Henrique, a incógnita
João Henrique, a incógnita (Foto: Divulgação)

Romulo Faro_Bahia 247

Não faltaram apostas de que o prefeito João Henrique (PP) iria escolher seu candidato nas eleições de outubro próximo e começar a fazer campanha tão logo ele regressasse da viagem que fez à Disneylândia no mês passado com sua esposa, a secretaria Municipal da Saúde, Tatiana Paraíso. Que nada. João continua incomunicável, muito difícil de ser visto pelas redondezas do Palácio Thomé de Souza.

A campanha está a todo vapor e interessante é o fato de os três candidatos mais competitivos terem alguma ligação (ainda que de forma negativa) com o comandante do Executivo soteropolitano.

Mário Kertész é do PMDB, partido pelo qual se reelegeu em 2008. ACM Neto (DEM) lhe deu apoio incondicional contra o então candidato petista Walter Pinheiro, hoje senador da República. Por fim, o PT, rival do pleito de 2008, mas aliado nos planos estadual e nacional do seu atual partido, o PP.

Pois é, apesar do cenário, João parece não estar muito afoito para se posicionar. Ele não quer de jeito nenhum ficar inimigo do governador Jaques Wagner (PT). Ora, 2014 vem aí e JH sonha em ser o candidato da chapa majoritária governista para a única vaga que o Senado disponibilizará à Bahia.

De acordo com o jornal Tribuna da Bahia, o prefeito progressista continuará neutro no primeiro turno e se posicionará apenas na segunda fase, quando a disputa é polarizada. Ainda segundo o jornal, o problema para João declarar apoio a Neto é exatamente o fato de ele ser do DEM, arquiinimigo do PT em plano local e nacional.

Já com o PT, ainda segundo a publicação, o problema, na verdade, é com a candidata a vice de Pelegrino, a vereadora Olívia Santana (PCdoB). A comunista, apesar de já ter sido secretaria de governo na atual gestão municipal, não poupa críticas á sua pessoa.

Mas há também quem observe que o prefeito não quer mesmo é declarar apoio a ninguém para ser "amigo" de todo mundo. E os dois candidatos que podem gozar de seu apoio como possível puxador de votos, ACM Neto e Pelegrino, já perceberam a artimanha do alcaide.

O petista disse que o prefeito tem "tentáculos" em todas as candidaturas e lembrou que o PTN, que faz parte do Executivo municipal e foi liberado por ele para apoiar ACM Neto. Ele citou ainda o PSC, que tem cargos no governo de João Henrique, mas apoia o PMDB de Kertész.

O democrata também não tem a mínima intenção de espantar João. "Não sei. Aí é uma questão que cabe ao PT, ao PP e ao prefeito João Henrique. Eu acho que não podemos ficar olhando para o passado. Eu não vou fazer uma campanha baseada nas críticas ao que existe hoje. Nós vamos evidenciar os problemas, mas, sobretudo buscar as soluções. Quando eu assumir, se for eleito, não vou ficar buscando desculpas ou culpados", diz ACM Neto.

"Não vou ficar olhando para trás dizendo que o ex-prefeito fez isso, fez aquilo. Todo mundo sabe quais são os problemas de Salvador. Não adianta depois buscar desculpas, nem culpados. Eu acho que é melhor olhar para o futuro" completou o candidato do DEM.

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