Lilia Schwarcz: ‘É impressionante que um país de escravidão tão longa não se considere violento’

A pesquisadora Lilia Schwarcz diz que "o brasileiro acha que é uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados": em 1988, ao fazer uma pesquisa sobre o tema na USP, Lilia descobriu que 96% dos brasileiros não se achavam racistas, mas 99% diziam conhecer alguém que era preconceituoso; em entrevista ao site Sul 21, a antropóloga fala sobre o racismo brasileiro, que acontece num país tão miscigenado

A pesquisadora Lilia Schwarcz diz que "o brasileiro acha que é uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados": em 1988, ao fazer uma pesquisa sobre o tema na USP, Lilia descobriu que 96% dos brasileiros não se achavam racistas, mas 99% diziam conhecer alguém que era preconceituoso; em entrevista ao site Sul 21, a antropóloga fala sobre o racismo brasileiro, que acontece num país tão miscigenado
A pesquisadora Lilia Schwarcz diz que "o brasileiro acha que é uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados": em 1988, ao fazer uma pesquisa sobre o tema na USP, Lilia descobriu que 96% dos brasileiros não se achavam racistas, mas 99% diziam conhecer alguém que era preconceituoso; em entrevista ao site Sul 21, a antropóloga fala sobre o racismo brasileiro, que acontece num país tão miscigenado (Foto: Charles Nisz)

Fernanda Canofre, Sul 21 - Nos anos 1980, quando a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz começou a pesquisar questões raciais no Brasil, teve que começar por convencer os colegas de que tinha um problema de pesquisa. “Na época, essa era quase uma falsa questão. Como eu sou um pouco triste, como Lima Barreto, eu persisti no tema”, diz ela. O Brasil que sempre se acreditou uma democracia das raças, há 35 anos tinha ainda mais dificuldade de reconhecer as diferenças que viviam dentro de si. Quando Lilia propôs um censo etnográfico, dentro da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, foi acusada de estar criando discriminação. Mas, filha de imigrantes, nascida em uma família judia, seguiu.

Em 1988, ela foi uma das professores responsáveis por uma pesquisa da USP que perguntou aos brasileiros se tinham algum preconceito racial. Resultado: 96% disseram que não. À segunda pergunta – se o entrevistado conhecia alguém que tinha – 99% responderam que sim. “Quando a gente pedia para descrever o grau de preconceito, nós não pedíamos nomes, mas as pessoas queriam dar. Era sempre, ‘meu melhor amigo’, ‘minha mãe’, ‘minha avó’, ‘meu tio’. A gente brincava que todo brasileiro se sente uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados”, lembra ela.

Desde então, Lilia se tornou uma das maiores pesquisadoras do tema no país, dá aulas na USP e em Princeton, nos Estados Unidos, publicou livros como “O espetáculo das raças” e “Brasil: Uma biografia” (em co-autoria com Heloísa Starling) e agora lança “Triste visionário: Lima Barreto”, uma biografia que busca os traços sociais da vida de um dos mais importantes escritores brasileiros. Lima, escritor negro, que se dizia anarquista, a favor do maximalismo, a ala mais radical da Revolução Russa, era um autor fora da curva que, segundo sua biógrafa, pagou caro por suas posições junto à crítica da época.

De passagem por Porto Alegre, Lilia conversou com o Sul21 sobre o que faz o Brasil ser, ao mesmo tempo, o país da miscigenação e de tantos preconceitos e sobre o que a vida de Lima Barreto, na virada do século XIX para o XX, diz de nós. 

Confira a íntegra da entrevista no Sul 21

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