Língua afiada, Campos atingiu ponto sem volta?

Presidenciável Eduardo Campos faz seu alvo: ora mandando recado para a presidente Dilma Rousseff, que estaria "de aviso prévio", ora garantindo que "os brasileiros não aguentam mais"; ele está partindo para o ataque a ela, agora interessado em atrair Dilma para debates na televisão; estratégia é compreensível para quem quer demarcar um espaço nítido de oposição ao governo; antigo aliado do PT, porém, chefe do PSB pode estar avançando rápido demais; a seguir nesse tom, o que ele estará dizendo às vésperas da eleição de outubro?; ex-presidente Lula disse a amigos que ainda dará "uns cascudos" em Campos, de quem gosta muito; no passado, Dr. Ulysses Guimarães ensinava: "Em política, não se deve dizer frases definitivas"; ainda vale?

Presidenciável Eduardo Campos faz seu alvo: ora mandando recado para a presidente Dilma Rousseff, que estaria "de aviso prévio", ora garantindo que "os brasileiros não aguentam mais"; ele está partindo para o ataque a ela, agora interessado em atrair Dilma para debates na televisão; estratégia é compreensível para quem quer demarcar um espaço nítido de oposição ao governo; antigo aliado do PT, porém, chefe do PSB pode estar avançando rápido demais; a seguir nesse tom, o que ele estará dizendo às vésperas da eleição de outubro?; ex-presidente Lula disse a amigos que ainda dará "uns cascudos" em Campos, de quem gosta muito; no passado, Dr. Ulysses Guimarães ensinava: "Em política, não se deve dizer frases definitivas"; ainda vale?
Presidenciável Eduardo Campos faz seu alvo: ora mandando recado para a presidente Dilma Rousseff, que estaria "de aviso prévio", ora garantindo que "os brasileiros não aguentam mais"; ele está partindo para o ataque a ela, agora interessado em atrair Dilma para debates na televisão; estratégia é compreensível para quem quer demarcar um espaço nítido de oposição ao governo; antigo aliado do PT, porém, chefe do PSB pode estar avançando rápido demais; a seguir nesse tom, o que ele estará dizendo às vésperas da eleição de outubro?; ex-presidente Lula disse a amigos que ainda dará "uns cascudos" em Campos, de quem gosta muito; no passado, Dr. Ulysses Guimarães ensinava: "Em política, não se deve dizer frases definitivas"; ainda vale? (Foto: Felipe L. Goncalves)
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Pernambuco 247 – Os cada vez mais duros ataques feitos contra a presidente Dilma Rousseff pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, podem estar colocando o presidenciável do PSB num caminho sem volta na relação com o PT. Campos, amigo e parceiro político de Lula, sempre afirmou que tinha um pacto com o ex-presidente, mas não com sua sucessora. Ele parece estar levando essa afirmação ao extremo.

Os últimos disparos verbais do governador pernambucano sobre Dilma foram um recado de que ela estaria de "aviso prévio" na Presidência. Para ele, em seguida, "os brasileiros não aguentam mais" o governo.

Para provar que não foram palavras ditas a esmo, no calor do momento, o presidente do PSB publicou em sua página no Facebook, na noite desta segunda-feira 10, que o suposto não interesse de Dilma em participar de debates com outros pré-candidatos na TV "é a velha política se manifestando de sua forma mais arcaica".

É compreensível que Campos suba o tom de suas críticas, exatamente para demarcar seu espaço de oposição. Ele procura suplantar, dentro desse campo, na forma de ataques mais pessoais à presidente, o presidenciável tucano Aécio Neves. Ok, é uma aposta, mas pelo menos um bom conselheiro já disse que "não se deve usar palavras definitivas em política". Foi o Dr. Ulysses Guimarães, sábio ex-presidente do PMDB.

Sem saber ao certo até onde Campos pretende ir com sua artilharia, o PT está sem dúvida incomodado. O ex-presidente Lula disse a amigos, antes de viajar para a Itália fazer uma palestra e ter, a convite, um almoço com o novo primeiro-ministro Matteo Renzi, que na volta ao Brasil daria "uns cascudos" em seu amigo chefe do PSB. A ver.

A linha de provocação a Dilma adotada pelo presidenciável do PSB deve continuar. Ele está interessado em chamá-la para os debates pela televisão, nos quais poderia cotejar suas realizações como governador de Pernambuco contra as dela na administração federal.

A equipe de pré-campanha de Campos escreveu no Facebook, como fala do governador: "Sempre que o Brasil está às portas de um novo ciclo, surgem aqueles que querem interromper o debate (...). Nenhuma pessoa pública tem o direito de fugir ao debate com a sociedade (...). Os brasileiros não aguentam mais práticas como essas, que só reforçam o muro que separa o velho arranjo mofado de Brasília e o País real (...). A população foi às ruas derrubar este muro, porque a mudança é inevitável".

De acordo com levantamento CNT/MDA, o socialista tem hoje 9,9% de intenções de votos no eleitorado nacional, atrás do tucano Aécio Neves, com 17%, e de seu principal alvo, Dilma Rousseff, que venceria no primeiro turno, com 43,7% da preferência da população. Se bater funcionar, esses números tendem a apresentar mudança.

O novo estilo do pessebista, que na opinião do jornalista Ricardo Kotscho, decidiu "chutar o balde" e partir para a "guerra eleitoral", certamente trará consequências sem volta em sua relação com Lula e o PT. Mesmo depois de ter anunciado sua candidatura, Dilma sempre deixou abertas as portas para uma eventual volta dele à base do governo. Uma ala petista chegou a defender a candidatura Lula-Eduardo para 2014. Hoje, porém, o ex-aliado bate no governo petista mais do que o tucano Aécio.

No blog O Cafezinho, o jornalista Fernando Britto narrou como Lula pretende fazer frente Campos para proteger Dilma:

Eduardo radicaliza para tomar o lugar de Aécio. Vai tomar um "sossega" do Lula. já-já...

Depois de amanhã, quando voltar da Itália, o ex-presidente Lula já tem um compromisso.

"Dar uns cascudos" em Eduardo Campos.

Lula, como se sabe, sempre trabalhou para que não se radicalizasse a relação entre o PT e o governador de Pernambuco.

Fazia a conta,obvia, de que na eventualidade de um segundo turno, Campos apoiaria Dilma – mesmo com a cara feia da Marina Silva para isso – e o Nordeste ficaria fechado para Aécio Neves, completamente.

Mas, a essa altura, até a quase infinita paciência de Lula já se encheu, com as evidências cada vez maiores de que que essa história de aliado-adversário entre Aécio e Eduardo é só uma historinha para a autoanistia que alguns do PSB-Rede se concedem por se passarem para a direita.

E percebe que o pernambucano vai procurar um discurso cada vez mais agressivo e radical para tentar assumir o papel do anti-Dilma ante os eleitores de Aécio.

Pois foi o que fez ele com as declarações de que "não dá mais para ter quatro anos da Dilma que o Brasil não aguenta".

E isso o incomoda muito mais do que a simples troca de amabilidades entre os dois, que não alavanca nenhum deles.

Esse discurso, porém, cria uma espécie de torneio particular de desaforos em relação á Presidente a e a seu governo que antecipa o segundo turno e suas alianças.

E aí vamos ver começar a divisão de tarefas que era previsível e que foi consolidada na reunião da quarta-feira de cinzas: Dilma cuida das composições de governo e da pauta propositiva e deixa a polêmica por conta de Lula.

Ele vai começar de leve, mas o tranco será suficiente para Campos não achar que vai preservar boas relações com Lula ultrapassando algumas fronteiras com Dilma.

Isso, claro, se Dilma "segurar a onda" até quarta, coisa que não é possível afirmar com certeza que ocorrerá.

Porque se tem muito mais paciência com o adversário de sempre do que com o traidor de ontem.

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