Lixões desativados; próximo passo é recuperar Santa Maria e Palestina

A partir desta quarta-feira (16), lixo da Grande Aracaju irá para o aterro sanitário particular de Rosário do Catete; em termos sociais, de segurança e, sobretudo, ambientais, não dá para desconsiderar a importância do fechamento dos lixões, mas é preciso recuperar as áreas onde eles existiram por anos; não dá para aceitar que Santa Maria e Palestina sejam transformadas em nova Soledade; prefeituras e Governos também devem se unir para criar política de resíduos sólidos; "lixão nunca mais", diz Fábio Henrique

Lixões desativados; próximo passo é recuperar Santa Maria e Palestina
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Valter Lima, do Sergipe 247 – Que este 16 de abril de 2013 é um dia extremamente importante para Aracaju e Nossa Senhora do Socorro, não se discute. Em termos sociais, de segurança, de desenvolvimento e, sobretudo, ambientais, o fechamento de dois grandes lixões (ou aterros controlados, como afirmavam eufemisticamente) representa, realmente, um avanço para as duas cidades. No entanto, é preciso não se esquecer das duas áreas que receberam, por décadas, montanhas de lixo.

As áreas nos bairros Santa Maria e Palestina estão destruídas. No lixão de Aracaju, por exemplo, eram derramadas, diariamente, 400 toneladas de lixo da capital e da Barra dos Coqueiros. Já onde funcionava o da Palestina, há um importante lençol freático passando embaixo do lixão. Não se pode permitir que estas duas regiões sejam ignoradas, como foi a Soledade, até hoje esquecida pela prefeitura, sem receber qualquer tratamento de recuperação. É uma bomba que pode explodir a qualquer momento. E isto não é exagero!

Deve ser prioridade para os prefeitos João Alves Filho (Aracaju) e Fábio Henrique (PDT) recuperarem as áreas que já receberam lixo, como ambos estão prometendo. Mas é preciso fazer ainda mais: avançar para uma política de resíduos sólidos. O aterro é apenas um dos segmentos de um sistema que deve envolver ainda a reciclagem, pontos de coleta voluntária, compostagem, que visam a reduzir a quantidade de rejeitos e aumentar a vida útil dos aterros, utilização para geração de energia, entre outras medidas. Tem ainda que envolver a sociedade e conscientizá-la. 

Onde foi a lixeira da Soledade, hoje há um bairro residencial. No entanto, é possível verificar o escoamento de chorume (líquido gerado pela decomposição do lixo) da área em direção aos viveiros de criação de peixes e camarões que abastecem os mercados municipais de Aracaju. As casas sofrem com os desníveis, causados pelo assentamento do lixo ao longo do tempo, que deixa o solo sem estabilidade.

O Estado tem trabalhado dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos, com a divisão dos 75 municípios em quatro territórios, para definição de consórcios. O da Grande Aracaju envolve 11 municípios, e é preciso discutir a questão com todos eles. Ou seja, é preciso um trabalho integrado entre prefeituras, com a ação também da administração estadual.

Durante a solenidade de encerramento dos lixões e início do funcionamento do aterro sanitário, nesta terça-feira (16), o prefeito Fábio Henrique disse que “a partir de agora, lixão nunca mais”. O lixo produzido, tanto em Nossa Senhora do Socorro quanto em Aracaju, será levado por caminhões para a Unidade de Transbordo da empresa Estre Ambiental, que fica no Povoado Tabocas, em Socorro. Lá, ele será separado. O que é seco seguirá para a reciclagem e o orgânico através de caminhões para o aterro sanitário na cidade de Rosário do Catete. “O lixo não terá contato com o solo. O transbordo é um local ambientalmente correto com todas as licenças aprovadas”, disse Fábio Henrique.

O prefeito João Alves Filho disse que Aracaju será a primeira capital do país a ter seu lixo processado. Ele também disse que trabalhará para que o lixo possa ter uma destinação comercial, sendo reaproveitado ao máximo. Destacou também a importância da integração administrativa entre todos os municípios da região para superar questões, como a que envolvia os lixões.  Os municípios brasileiros têm até agosto de 2014 para desativar seus lixões. É o que determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

 

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