Lucas Santos: “Saí da favela, mas não posso ficar alienado enquanto matam negros e pobres”

Promessa do futebol brasileiro e cria da comunidade Para-Pedro, no Rio, o atacante que joga na Rússia se inspira em ativistas negros para contestar a violência policial em sua cidade

(Foto: Twitter/Lucas Santos)

247 - Criado na Para-Pedro, uma favela no bairro de Irajá, zona norte do Rio,  o jogador de futebol Lucas Santos cortava o cabelo na mesma barbearia em que o mototaxista Kelvin Cavalcante, de 17 anos, foi morto a tiros durante operação policial  em outubro. “Eu conhecia o Kelvin, um moleque do bem”, conta Lucas em reportagem do jornal El País.  “A morte dele me deixou revoltado, acrescenta. 

"Poderia ter acontecido comigo, ou com algum familiar. Dizem que é por engano, mas morrem cada vez mais pessoas negras e pobres nas favelas. Cada vez mais o Rio é um lugar medonho para se viver, apesar das belezas naturais.”, acrescenta.

Lucas é engajado nas redes sociais. Em novembro, ele comemorou a soltura do DJ Rennan da Penha, condenado por associação ao tráfico na Vila Cruzeiro e Lucas e viu com bons olhos a libertação do ex-presidente Lula. 

 “Não sigo cartilha nem bato palma para tudo que a esquerda faz. Mas a gente, na favela, percebe a diferença entre um governo de direita e um de esquerda. Para alguns, o Lula poderia ter feito mais. Só que ninguém nega que ele deu dignidade aos negros e pobres. Já o atual Governo faz o que pode pra dificultar nossa vida.”, disse ele, como relata a resportagem. 

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