‘Lula sofre cerco por se preocupar com os pobres’

Ex-governador do Rio Grande do Sul e eleito por duas vezes prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro afirmou que o ex-presidente Lula "está sofrendo um cerco como todos os grandes presidentes que o Brasil teve que tiveram alguma preocupação com os pobres"; "Foi feito contra o Juscelino, contra o Jango contra o Getulio"; para Tarso, que é advogado, a Lava Jato "é um processo híbrido, de uma parte uma operação normal do Estado para acabar com a corrupção e de outra parte um instrumento político, de ataque de demolição dirigido contra o PT e contra a esquerda"

2014.10.15 - Porto Alegre/RS/Brasil - Entrevista com o candidato à reeleição para o Palácio Piratini Tarso Genro, do PT. Segundo Turno. Eleições 2014. | Foto: Ramiro Furquim/Sul21.com.br
2014.10.15 - Porto Alegre/RS/Brasil - Entrevista com o candidato à reeleição para o Palácio Piratini Tarso Genro, do PT. Segundo Turno. Eleições 2014. | Foto: Ramiro Furquim/Sul21.com.br (Foto: Leonardo Lucena)

Rio Grande do Sul 247 - Ex-governador do Rio Grande do Sul e eleito por duas vezes prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT) afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "está sofrendo um cerco como todos os grandes presidentes que o Brasil teve que tiveram alguma preocupação com os pobres". Alvo da Operação Lava Jato, Lula foi denunciado, nessa quarta-feira (14) pela Justiça Federal no Paraná.

"Não é algo novo. Foi feito contra o Juscelino, contra o Jango contra o Getulio. Esses processos de investigação contra o Lula – todo mundo tem que ser investigado se tiver alguma suspeita – mas isso que está sendo feito com ele com a ajuda da grande mídia é a destruição da sua figura. E isso é notório porque todo esse processo desembocou não na luta contra corrupção. Mas num governo essencialmente muito mais investigado e denunciado", disse.

Para Tarso Genro, que é advogado, a Lava Jato "é um movimento de dentro do Estado contra a corrupção". "Nesse movimento que ela faz para atacar a corrupção existem desvirtuamentos de natureza política que transformam a Lava-Jato em um processo híbrido, de uma parte uma operação normal do Estado para acabar com a corrupção e de outra parte um instrumento político, de ataque de demolição dirigido contra o PT e contra a esquerda. Não usam os mesmos critérios para apurar esses que estão no governo que é uma confederação de investigados e denunciados sem consequência", acrescentou. 

De acordo com o petista, "se for corrigido algumas injustiças e determinadas inconstitucionalidades e ela se aprofundar e for para todo o espectro político pode ser positivo. Senão ficará apenas como o ritual de demolição política de um projeto representado pelo PT e pela esquerda que tem contas a pagar mas muito menos do que as forças conservadoras no País". A entrevista foi concedida à Agência de Notícias do PT.

O ex-governador afirmou que "a instabilidade do país tem a ver substancialmente com a Lava-Jato". "A partir de um certo momento a Lava-Jato tornou-se um instrumento para derrubar a presidenta. Ela alienou-se de seus fins legais e transformou-se em um instrumento político. E formou-se uma ampla frente da mídia oligopolizada, de centros de inteligência do capital financeiro e setores conservadores para instituir um novo governo".

"E a instituição desse novo governo não se coaduna com os fins formais da Lava-Jato que é o combate à corrupção. A instabilidade que está aí deve sim a Lava-Jato principalmente pelos desvirtuamentos. Não pelos processos justos e legais que são a investigação da corrupção", complementou.

Questionado sobre o que, na sua avaliação, são abusos do Poder Judiciário, Tarso disse que "a partir do momento que o Supremo começou a aceitar prisões por tempo indeterminado sem transito em julgado". A aceitar delações de réus presos sendo forçados e orientados a dar determinadas declarações nitidamente isso alterou o jogo político e isso favoreceu a instabilidade do governo Dilma e a substituição por essa confederação de denunciados e investigados".

PT e a revisão programática

Tarso afirmou que os petistas devem "ter a humildade de entender que o PT só muda se sofrer um impacto de fora para dentro. Significa compor com demais forças da academia, dos movimentos sociais e demais partidos uma nova fração política. Do qual o PT não deve pretender ser hegemônico". "Deve ser um dos principais centros dessa nova frente compartilhado com os setores novos que surgiram na resistência ao golpe que estão nas ruas resistindo e deslegitimando o governo temer e que pretendem uma revisão programática para um governo da esquerda democrática no País", disse.

"Quando falo em renovação programática é que nós temos que gerar um processo de acumulação privada e pública baseado nas nossas próprias forças e não aumentando a dívida pública. O que deve ser feito é implementar impostos sobre as grandes fortunas, imposto de rendas sobre capitais, aumentar a tabela de imposto de renda para cobrar mais dos mais ricos e desonerar a classe média", continuou.

Tarso afirmou que é preciso "aumentar o imposto sobre grandes heranças, fazer uma reforma tributária para que os Estados não entrem em guerra fiscal, criar mecanismos mais fortes de combate à sonegação, criminalizando de maneira mais forte a sonegação". "Para criar uma poupança externa no próprio país e não depender do capital financeiro que extorque as riquezas do País porque controlam as políticas de juros no mercado global".

 

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