Mané de Oliveira: “O futebol matou meu filho”

Em entrevista, pai sugere que morte poderia estar associada às posições contundentes do radialista Valério Luiz; disse ainda que não sabe quem matou o filho: "Se eu soubesse teria dito, tenho suspeitos"; polícia tem retrato falado de pistoleiro, mas não vai divulgar

Mané de Oliveira: “O futebol matou meu filho”
Mané de Oliveira: “O futebol matou meu filho” (Foto: Divulgação)
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Goiás247_ O jornalista esportivo Mané de Oliveira disse ontem que o futebol matou seu filho, incendiando a polêmica sobre a motivação do suposto mandante do assassinato do radialista Valério Luiz. A declaração se refere às suspeitas de que o crime possa ter sido encomendado por um dirigente ou simpatizante do Atlético Clube Goianiense, time da Primeira Divisão do Brasileirão e alvo de constantes e duras críticas de Valério nos últimos meses. Valério foi assassinado na última quinta-feira por volta das 14 horas quando deixava o estúdio a Rádio Jornal 820 AM. Ele foi executado com seis tiros disparados por um motociclista.

Mané retificou declaração dada no dia do crime, quando afirmou saber quem tinha matado Valério. “Foi um desabafo de pai. Foi desespero”. E completou: “Se eu soubesse teria dito, tenho suspeitos”.

Mané relata que numa declaração recente, Valério criticou com veemência a crise no Atlético, atualmente na lanterna do Brasileirão. Segundo o jornalista, o filho teria feito um comentário “exagerado” quando dois dirigentes do clube foram afastados. O cronista disse no ar que "quando o navio está afundando os primeiros a sair do porão eram os ratos". “Não concordo com esse tipo de comentário. Se pudesse tinha tampado a boca dele”, disse Mané.

Após esse comentário, Mané afirma que o time goiano enviou ofício assinado pelo presidente, vice-presidente e pelo diretor de Futebol aos dois veículos que Valério Luiz trabalhava, a PUC TV e a Rádio Jornal 820 AM, solicitando a saída do cronista. Caso o pedido não fosse atendido, o Atlético proibiria a entrada dos dois veículos nas dependências do clube. A proibição vigora a até então.

A assessoria de imprensa do Atlético afirmou que não foi enviado nenhum ofício solicitando a demissão de Valério, mas confirmou que nos dois veículos eram proibidos acesso ao clube, já que toda a equipe era favorável aos comentários do cronista.

A exemplo do que fez no enterro do filho, na última sexta-feira, Mané voltou a pedir a ajuda dos colegas, de representantes dos Direitos Humanos e, principalmente, da polícia na elucidação do crime. Mané reforçou que o objetivo de seu pedido é prender o mandante do crime. Disse não ter dúvida de que o crime foi encomendado, afirmou ainda ter suspeita, mas deixou claro que como não tem provas, não poderá citar nomes até o final das investigações.

A Polícia Civil diz ter um retrato falado do pistoleiro, mas não vai divulgar à imprensa por enquanto. Vídeos de sistemas de vigilância instalados em edifícios próximos ao local do crime estão sendo analisados, assim como vêm sendo colhidos depoimentos de testemunhas, a maioria pessoas que estavam de passagem pela porta da rádio momentos antes dos disparos.

Motivação

Mané acredita que a morte da Valério foi causada pelo seu jeito polêmico: “Esse era o único defeito do meu filho: seu estilo agressivo de dizer exatamente o que todos os outros cronistas diziam”. O jornalista explicou que não conhece nenhum atrito concreto do filho e pediu para que possíveis testemunhas se manifestem. “Quem souber de alguma coisa que possa ter culminado na morte do meu filho, peço que entrem em contato com a polícia. Precisamos de pistas”, disse Mané.

Mané foi abordado por jornalistas com perguntas relacionadas a supostas motivações do crime. Hipóteses como conflitos de uma relação extraconjugal ou relacionados a agiotagem foram descartadas pelo cronista. O jornalista explicou que corre boato nos meios esportivos dando conta de que Valério vinha sendo pressionado para abandonar a profissão. “Não sei quem disse, se soubesse falaria”.

O presidente da Associação dos Cronistas Esportivos de Goiás, Romes Xavier, avalia que a morte do colega de jornalismo pode ter sido motivada por suas opiniões. "Já trabalhei com ele muitos anos, o Valério era muito querido, mas polêmico. Era um grande profissional, com trinta anos de profissão. Tudo leva a crer que as opiniões críticas e pesadas tenham alguma coisa a ver com o assassinato", disse.

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