Médico com ‘ELA’ é impedido de embarcar para Roma

Portador de Esclerose Lateral Amiantrófica (ELA), o médico alagoano Hemerson Casado foi impedido de embarcar de São Paulo para Roma em um voo da companhia Alitalia; ele foi retirado da aeronave e informado que pacientes com ELA não podiam viajar pela companhia; da Itália ele seguiria para Israel com o objetivo de buscar tratamento para a doença

Portador de Esclerose Lateral Amiantrófica (ELA), o médico alagoano Hemerson Casado foi impedido de embarcar de São Paulo para Roma em um voo da companhia Alitalia; ele foi retirado da aeronave e informado que pacientes com ELA não podiam viajar pela companhia; da Itália ele seguiria para Israel com o objetivo de buscar tratamento para a doença
Portador de Esclerose Lateral Amiantrófica (ELA), o médico alagoano Hemerson Casado foi impedido de embarcar de São Paulo para Roma em um voo da companhia Alitalia; ele foi retirado da aeronave e informado que pacientes com ELA não podiam viajar pela companhia; da Itália ele seguiria para Israel com o objetivo de buscar tratamento para a doença (Foto: Voney Malta)

Alagoas247 - Ícone da luta pelo tratamento da Esclerose Lateral Amiantrófica (ELA), o médico alagoano Hemerson Casado, que sofre da doença, foi vítima de um fato inesperado nessa quinta-feira (26), quando tentava embarcar de São Paulo para Roma, na Itália, em um voo da companhia Alitalia. Depois que já estava acomodado, o médico foi convidado a se retirar da aeronave e ouviu dos funcionários da empresa aérea que pacientes com ELA não viajam pela companhia. 

Hemerson Casado seguia para Roma e, de lá, para Israel, com o objetivo de buscar tratamento para a doença fora do país. As passagens dele, da esposa e do cuidador foram doadas pelo Governo do Estado. Em um desabafo no Facebook, o médico contou como tudo aconteceu e se mostrou indignado pela maneira como foi tratado pelos funcionários da empresa. Ele usava um aparelho antironco. 

“O Governo do Estado me presenteou com três passagens, permitindo que eu tivesse a chance de buscar um tratamento fora do país. Por garantia, sempre levo minha cadeira de rodas, meus remédios, cuidador, minha esposa e um aparelho anti-ronco, que é usado costumeiramente por milhões de pessoas. Nós já viajamos por grandes companhias que compreendem perfeitamente o uso desta máquina. Ninguém pergunta se você vai levar seu celular, ipod, ipad, barbeador elétrico, leptop, secador de cabelo, tudo que funciona em uma corrente baixa. Todas as companhias que possuem aeronaves modernas disponibilizam tomadas abaixo de seus bancos. Hoje fomos de forma arbitraria parcial e ignorante expulsos do vôo da Alitalia para Roma (SIC)”, diz um trecho da postagem.

Segundo o médico, muitas foram as tentativas e os argumentos utilizados com o objetivo de evitar que ele perdesse o voo, mas nada funcionou. Até a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) foi procurada, mas não quis ouvi-lo. 

“Não teve jeito, fomos expulsos. O que aconteceu posteriormente foi uma completa falta de socorro, não tinhamos a quem recorrer. Procuramos a ANAC, que se reservou a ouvir o supervisor da Alitalia, sem que nos desse a mínima chance de uma apelação, entretanto, de tudo que ocorreu de errado algo me causou um profundo desespero: O fato de que eles disseram que pacientes com ELA não viajam em sua aeronave. Nenhum dos dois supervisores teve a coragem de olhar no meu rosto e falar comigo. Uma atitude de completo desrespeito a vida humana, um total desconhecimento do que a ELA significa. Não sabem que o nosso cérebro permanece lúcido. Fui tratado como se tratava os excepcionais no século passado, com desprezo e nojo (SIC)”, desabafa. 

Por fim, Hemerson Casado diz que vai lutar para que a justiça seja feita e que a empresa aérea passe a respeitar os pacientes especiais. 

“Parecia que aqueles italianos herdaram do seu aliado, o alemão Adolf Hitler, a vontade de exterminar os especiais. Perdi minha fé e minha razão. Gritei como louco e esperneei como animal que fora mal tratado. Jurei a eles que se eu não conseguisse o meu tratamento eu morreria, mas como justiceiro sanguinário o levaria comigo. Jamais na minha vida imaginei ser tratado daquela forma. Vou lutar com todas as minhas forças para que a justiça seja feita e que esta empresa aprenda respeitar os pacientes especiais ou então para continuarmos a nos comportarmos como bons e honestos cidadãos precisaremos andar constantemente com o manual (SIC)”.

Com gazetaweb.com

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