Mercado eleva projeção de inflação no ano pela 8ª vez

(Foto: Unsplash)
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O relatório de mercado Focus, divulgado no último dia 5, elevou a projeção de inflação pela oitava vez em 2020. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aparece com uma estimativa de alta de 2,12% para o fim do ano. No penúltimo relatório, divulgado uma semana antes, a estimativa era de 2,05%. Há quatro semanas, a projeção era de 1,78%.

O relatório Focus também apresentou a mediana do IPCA considerando os últimos 5 dias úteis antes da elaboração da pesquisa. Neste caso, a taxa foi para 2,23%, uma leve queda em relação aos 2,27% da semana anterior, mas ainda um grande aumento em comparação à estimativa de um mês atrás, 1,78%.

A enorme curva de crescimento preocupa o consumidor brasileiro, que já está sentindo no bolso os efeitos da inflação que geram o aumento nas projeções. Nas últimas semanas, o preço do arroz causou revoltas por todo o país, provocando o medo do “dragão da inflação”. Uma pesquisa realizada pelo economista Alberto Cavallo mostrou que o Brasil é o país onde as famílias mais foram afetadas pelas altas nos preços durante a pandemia.

A inflação sentida pelas famílias é mais pesada do que o IPCA aparenta. Isso acontece porque a alta nos alimentos básicos foi mais forte do que em outras categorias, como cuidados pessoais. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta básica aumentou quase 10% em algumas capitais entre agosto e setembro – como Florianópolis, que teve alta de 9,80%, e Salvador, com alta de 9,70%.

Além do arroz, outros produtos da cesta básica impulsionam a inflação sentida pelos brasileiros. O óleo de soja teve aumentos expressivos em diversas capitais brasileiras: 39,62% em Natal, 36,18% em Goiânia e 33,19% em Recife. A cesta básica mais cara do país é a de Florianópolis, onde o conjunto dos alimentos essenciais custou R$582,40 em setembro.

Já os produtos não essenciais não tiveram um aumento tão grande nos preços. Os móveis, por exemplo, ainda são impulsionados pelas tendências da pandemia. De acordo com o portal MagoDeCasa, a busca por escrivaninhas já está 40% menor do que no auge da pandemia, mas ainda permanece 27,6% maior do que antes da chegada da Covid-19 ao país, considerando dados dos buscadores virtuais. Em alguns casos, houve aumento nos preços proporcional a diminuição dos estoques, mas nada comparado à inflação dos alimentos básicos.

A construção civil também está passando por um grande aumento nos preços, o que vem freado as obras e as reformas nos lares brasileiros. Entre julho e agosto deste ano, a inflação anual no segmento subiu de 3,33% para 3,78%, de acordo com a última pesquisa do SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisas de Custos e Índices da Construção Civil), que considera o custo médio por metro quadrado construído.

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