Miopia. A explosão das técnicas de cirurgia

Cerca de 1 quarto da população mundial sofre de miopia. Mas hoje acontece uma verdadeiro boom de cirurgias dessa deficiência, realizadas com alto nível de segurança e excelentes resultados. A técnica que usa raio laser é a principal. 

Miopia. A explosão das técnicas de cirurgia
Miopia. A explosão das técnicas de cirurgia

 

 

Por Anne Jouan – Le Figaro

  

No mundo, com exceção da Ásia, uma entre cada quatro pessoas sofre de miopia. Se a miopia afeta 20 a 30% da população europeia (as estatísticas não são precisas para o Brasil, mas a maioria dos indicadores assinala uma porcentagem semelhante à do resto do mundo), este defeito de visão se refere à metade da população asiática, sem que até hoje, explicações tenham sido encontradas para explicar tais disparidades.

O míope enxerga mal de longe e as imagens são turvas. No entanto, a visão de perto é perfeitamente correta. Se óculos e lentes a corrigem bem no dia a dia, a operação da miopia é uma solução definitiva. Esta cirurgia que começou há cerca de vinte anos, está experimentando atualmente, um entusiasmo excepcional. Estima-se em 210 mil a quantidade de pacientes que se submetem a este procedimento na França.

 

 

Principalmente com o uso do laser

No entanto, esta última não é vital. Ela deve então garantir uma segurança absoluta, tendo em vista que ela é responsável por um distúrbio sem muita gravidade e contra o qual outras soluções simples existem. Recentemente, vários avanços técnicos contribuiram na melhoria dos resultados desta cirurgia que foram discutidos no 116o congresso da Sociedade francesa de oftalmologia que acaba de ser realizada em Paris.

Atualmente, esta cirurgia da córnea é principalmente realizada com o uso de técnicas de laser. A técnica mais utilizada para as miopias leves ou moderadas (abaixo de 9 dioptrias) é o LASIK, que visa remodelar a córnea por laser de acordo com as características da visão sob um flap corneano (chamado «tampa») também previamente recortado por laser. A reformulação direta da córnea (PKR) é reservada às contra-indicações do LASIK (espessura fraca da córnea, curvatura específica....). «Tem havido grandes progressos com o advento do laser Femtoseconde que permite preparar o flap corneano , tanto com uma grande precisão quanto uma grande segurança, diz o Dr. Jean-Jacques Saragoussi (oftalmologista, Paris). Este material, muito oneroso, tem se tornado comum nos serviços de cirurgia oftalmológica no decorrer dos três últimos anos.»

 

 

 

Novos implantes com uma melhor tolerância 

Na realidade, o caso mais complexo se refere à miopia mais alta (além de 9 dioptrias). «O laser pode ser muito prejudicial para a córnea, observa o Prof. Cochener,  por isso, praticamos a cirurgia intra-ocular» Ela consiste na introdução de um implante refrativo (como uma lente de contato), mas dentro da câmara anterior ou posterior do olho, conforme os casos. Há três anos, devido à complicações, muitos destes implantes foram retirados do mercado pela Afssaps. «Nos últimos meses, novos implantes avaliados em testes de longa duração parecem fornecer bons resultados de segurança, com uma melhor tolerância, explica o Dr. Jean-Jacques Saragoussi (oftalmologista, Paris). Esta cirurgia mais delicada é reservada para alguns casos especiais.

Para poder se beneficiar de um procedimento a laser, é preciso que a córnea esteja sólida, regular e que ela tenha «uma espessura superior a 500 microns, pois o procedimento a laser visa estreitá-la », explica o Prof. Thanh Hoang-Xuan, chefe de unidade, no Hospital americano de Neuilly. «Mas se ela estiver muito fina, ela irá resistir menos à pressão intra-ocular. Com o tempo, ela pode esticar e levar à uma complicação rara, mas temida, ou seja, o reaparecimento da miopia.»

Outro imperativo para uma intervenção, respeitar os critérios da idade com necessidades visuais diferentes e a necessidade de um defeito estabilizado (há pelo menos dois anos). «É do interesse do paciente em fazê-la relativamente cedo para beneficiar-se por mais tempo antes de ser afetado por presbiopia», acrescenta este especialista. A idade ideal situa-se, portanto entre 20 e 45 anos.

Nove operados em cada dez estão muito satisfeitos 

E os riscos? O Dr. Jean-Michel Muratet, oftalmologista em Pamiers, perto de Toulouse, é webmaster do site do Sindicato dos Oftalmologistas. Ele recebe testemunhos de pacientes do mundo todo que se submeteram à cirurgia. Mais de nove  pessoas em cada dez estão muito satisfeitas com o procedimento. Menos de uma pessoa em cada dez, sofre de complicações leves (olhos secos) o que exige a aplicação de gotas por alguns meses. Os pacientes  também podem perceber um halo em torno das luzes ao dirigir à noite.

«Os problemas realmente graves são extremamente raros, diz ele. Trata-se de olhos que são alterados após uma intervenção que ocorreu bem. E isso mesmo se estiver sob os cuidados do melhor cirurgião mundo!» Mas, ressalta ele, este tipo de risco é inerente a qualquer intervenção «Trata-se de uma cirurgia funcional, disse o Prof. Gilles Renard (chefe do departamento de oftalmologia, Hôtel-Dieu, Paris). Temos portanto uma obrigação de resultado.»

A escolha do bom cirurgião é primordial. De acordo com a Dra. Catherine Letouzey (“Sou Médical” - grupo MACSF, concentra 90% dos oftalmologistas liberais) na França, em 2009, apenas 34 queixas foram apresentadas na cirurgia refrativa (principalmente para a miopia e a hipermetropia), com 6 ou 7 casos de complicações graves (diminuição importante da acuidade visual).

A intervenção, que na França não reembolsada pela Previdência Social, é feita sob anestesia local. Ela dura meia hora e a visão torna-se perfeita, seja imediatamente, seja dois ou três dias depois.

 

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