Mortes em confronto: OAB/AL tem números maiores

Ao contrário dos números anunciados pela secretaria de Segurança Pública, os da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB/AL), relativos a mortos em confronto com a polícia, são maiores; segundo a entidade, foram 111; dados podem colocar o Estado no primeiro lugar do ranking brasileiro de mortes em confronto com a polícia

Ao contrário dos números anunciados pela secretaria de Segurança Pública, os da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB/AL), relativos a mortos em confronto com a polícia, são maiores; segundo a entidade, foram 111; dados podem colocar o Estado no primeiro lugar do ranking brasileiro de mortes em confronto com a polícia
Ao contrário dos números anunciados pela secretaria de Segurança Pública, os da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB/AL), relativos a mortos em confronto com a polícia, são maiores; segundo a entidade, foram 111; dados podem colocar o Estado no primeiro lugar do ranking brasileiro de mortes em confronto com a polícia (Foto: Voney Malta)

Alagoas 247 - Depois da morte de dois jovens portadores de necessidades especiais no Village Campestre na última sexta-feira (25), a Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB/AL) divulgou nesta terça (29) os dados relativos a mortos em confronto com a polícia. Segundo a entidade, foram 111 óbitos.

Os números são maiores do que os divulgados pelo Boletim Anual da Estatística Criminal de Alagoas da Secretaria de Segurança Pública (SSP), que dão conta de 102 casos de resistência com resultado morte. Desses, 42 teriam ocorrido em Maceió, dez em Arapiraca e cinco em Rio Largo. 

Segundo o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Daniel Nunes, o órgão computa outras fontes para chegar à estatística final. "A OAB usa outros critérios diferentes da secretaria, até para definir o que é o confronto, além de outras fontes, como jornais. Chegamos a 102 muito antes deles", diz.

Daniel Nunes ressalta que os dados podem colocar o Estado no primeiro lugar do ranking brasileiro de mortes em confronto com a polícia. O comparativo nacional, acrescenta o presidente da comissão, ainda não está pronto, mas os números levam a crer que Alagoas possa estar na dianteira dessa lista. 

"Isso é muito grave. É preocupante porque esse era um fato que não acontecia muito aqui. Isso demonstra uma mudança significativa de comportamento que resulta em ações como a que matou os dois jovens no Village, que, ao que tudo indica, não estavam armados e foram mortes injustificadas".

 Ele também questiona o socorro prestado à dupla. "Um deles ainda estava vivo e o Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] não foi chamado. A própria polícia que socorreu, o que em outros estados é até proibido", expõe. "A sociedade está legitimando esse comportamento e isso não faz sentido, porque a polícia não existe para isso".

O secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Paulo Domingos Lima Júnior, disse que não vai se pronunciar sobre a quantidade de mortos em confronto com a polícia no ano passado.

Caso Village

A Polícia Civil vai investigar a troca de tiros que deixou Josenildo e Josivaldo Ferreira, além de dois militares feridos, no Village Campestre, em Maceió, na última sexta-feira. A família das vítimas contesta a versão da Polícia Militar e nega qualquer reação das vítimas. Os parentes informaram que os dois tinham problemas mentais.

O comando do 5º Batalhão diz que a ação aconteceu dentro da lei e que as vítimas reagiram à abordagem. A PM garante que a abordagem aconteceu dentro da legalidade e diz que não vai afastar os policiais das ruas até que haja indícios de que eles praticaram algum tipo de arbitrariedade.

De acordo com o comandante do 5º Batalhão, coronel Carlos Amorim, foram encontradas uma pistola e uma espingarda desmontada com os jovens. A OAB já afirmou que vai cobrar uma apuração rigorosa do caso.

Com gazetaweb.com

 

Conheça a TV 247

Mais de Geral

Ao vivo na TV 247 Youtube 247