Movimentos perseguem Lula em Alagoas

Um título de cidadão honorário concedido pela Assembleia Legislativa de Alagoas, em 2010, ao ex-presidente Lula foi o estopim para que movimentos pró-impeachment reaparecessem agora para sepultar a homenagem; autor da outorga que Lula nunca recebeu, o deputado Dudu Hollanda (PSD) diz que durante os dois mandatos Lula enviou milhões em recursos para diversos investimentos em Alagoas, sobretudo, após as enchentes de 2010 em que 40 mil alagoanos ficaram sem casa; “"Particularmente, acredito que tudo que ele fez por Alagoas não se apaga. As casas das enchentes, o programa de residências populares, Luz para Todos, expansão da Ufal, entre outras ações que seguem mudando a vida das pessoas até hoje. Ele foi um grande presidente para o nosso estado. Basta olhar para os avanços que tivemos à época”

Lula
Lula (Foto: Voney Malta)

Alagoas 247 - O título de cidadão honorário concedido pela Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), em 2010, ao ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva provocou nesta semana um duro embate nas redes sociais e, também, nos bastidores da Casa de Tavares Bastos. Movimentos pró-impeachment se mobilizam para revogar o ato. Eles prometem até ir para a Justiça caso seja necessário para sepultar a homenagem de uma vez por todas. Durante a discussão sobre o tema na sessão ordiária da última quinta-feira, Lula foi chamado de "corrupto'' e indigno para receber tal prestígio. A outorga foi apresentada ao plenário pelo deputado Dudu Hollanda (PSD), sendo aprovada há quase sete anos, mas só agora ganhou repercussão no estado. Apesar do tempo entre aprovação e polêmica, Lula nunca veio ao estado receber o título. 

O propositor explicou que, durante os dois mandatos, Lula foi um presidente que enviou milhões em recursos para diversos investimentos em Alagoas, sobretudo, após as enchentes de 2010. Dudu Hollanda lembrou que, após a tragédia, cerca de 40 mil alagoanos ficaram sem casa. "E quem ajudou? Quem veio para cá e trouxe dinheiro?", pergunta Dudu. Ele reforça que, à época que a indicação foi aprovada no pela Casa, o ex-presidente não era investigado em nenhum esquema de corrupção.

"Particularmente, acredito que tudo que ele fez por Alagoas não se apaga. As casas das enchentes, o programa  de residências populares, Luz para Todos, expansão da Ufal, entre outras ações que seguem mudando a vida das pessoas até hoje. Ele foi um grande presidente para o nosso estado. Basta olhar para os avanços que tivemos à época. Diante desse cenário, fiz a proposição e, então, foi aprovada em plenário. Agora, infelizmente, quando fiz a indicação não sabia de qualquer envolvimento com ato ilegal, suspeita de crime, fraude ou qualquer outro", justificou o parlamentar.

Durante o debate na última quinta-feira, o deputado Bruno Toledo (PROS) discordou da homenagem feita pelo parlamento.. "Não estava nesta Casa durante a aprovação desta outorga. Acho um desserviço a Assembleia Legislativa e a Câmara de Vereadores homenagearem um dos maiores corruptos do Brasil. Um homem que está indiciado em vários processos. Ele não merece ser homenageado pelo povo alagoano e se, por ventura, vier receber estes títulos, farei uma moção de repúdio e não virei para sessão", afirmou o deputado, sugerindo que fosse retirada a homenagem até, ao menos, o fim das investigações que envolvem o nome do ex-presidente. 

A ideia apresentada por Toledo durante a sessão foi reforçada pelas coordenações dos movimentos pró-impeachment que atuam em Alagoas. As lideranças argumentam que o ex-presidente  Lula não pode está no mesmo nível de outros homenageados, como Arthur Ramos, Aurélio Buarque de Holanda, Jofre Soares, Djavan, Manuel Diégues Júnior, entre outros nomes que já receberam a outorga ao longo da história na Casa do Poder Legislativo. A coordenadora do Movimento Vem Pra Rua, Marciane Ferreira, classificou como absurda a homenagem. Ela defende a revogação. 

Para Josan Leite, integrante da coordenação do Movimento Brasil, Lula responde a vários processos na Justiça e é sabido por todos, segundo ele, que o ex-presidente comandou o maior esquema de corrupção da história da República Brasileira. "Como a Casa do Povo alagoano pode fazer uma homenagem a uma pessoa com este histórico? Mesmo que já tenha sido entregue o parlamento tem a obrigação de revogar", argumentou Leite. A coordenação do movimento Foro de Maceió também reforça o coro. "Se vier para Alagoas, vamos reagir", alerta Flávio Moreno.  

Por meio da assessoria, Lula disse que até o momento não há nenhuma condenação que o coloque como culpado em qualquer crime de corrupção ou relacionado. A assessoria acrescentou que as acusações feitas contra o petista são  resultados de "perseguição política" e que, ao final dos processos, a sua inocência será devidamente comprovada. A assessoria finalizou dizendo que sobre a revogação do título caberá a Assembleia Legislativa decidir se permanece ou não a outorga. 

Com gazetaweb.com

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