Na contramão do país, indústria avança em Pouso Alegre

Localizada no sul de Minas, a 390 quilômetros de Belo Horizonte, Pouso Alegre recebe grandes investimentos de indústrias estrangeiras. Expectativa é que o PIB do município dobre até o fim de 2013

Na contramão do país, indústria avança em Pouso Alegre
Na contramão do país, indústria avança em Pouso Alegre (Foto: Divulgação)

Minas 247 – Com 130 mil habitantes, Pouso Alegre vem a cada dia ganhando mais espaço no cenário industrial de Minas. Empresas chinesas, indianas e nacionais estão investindo mais de R$ 440 milhões na cidade. Mão de obra qualificada, boa localização e áreas disponíveis são alguns dos atrativos do município.

Confira a matéria do jornalista Paulo Henrique Lobato, do jornal Estado de Minas

Enquanto a indústria patina no Brasil, levando muitas organizações a rever investimentos já anunciados, moradores de Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais, comemoram a chegada de grandes empreendimentos do setor, cujos aportes prometem dobrar o Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, até o fim de 2013, para R$ 5,7 bilhões. A joia da nova economia do município, a 390 quilômetros de Belo Horizonte, é a chinesa XCMG (Xuzhou Construction Machinery Group), 10ª maior montadora de máquinas pesadas para a construção civil, como guindastes do mundo. A asiática ergue uma fábrica orçada em R$ 334 milhões num terreno de 800 mil metros quadrados, onde vão trabalhar pelo menos 1 mil pessoas.

Outros empreendimentos de peso também vão fomentar o desenvolvimento por aqulelas bandas. A indiana ACG, produtora de cápsulas para a indústria farmacêutica, vai desembolsar R$ 68 milhões em sua primeira unidade fora do país de origem. A inauguração deve ocorrer no segundo semestre de 2013, quando 75 funcionários devem ser contratados. A Restoque, confecção feminina, vai investir R$ 37 milhões. A fábrica deve entrar em operação até o fim do próximo ano, com 340 vagas de emprego geradas. Já a Engemetal, do ramo de estruturas metálicas, aplicará R$ 5 milhões com a promessa de 100 novas vagas. A planta será inaugurada até junho de 2013.

O boom industrial na cidade vem levando uma romaria de trabalhadores a Pouso Alegre. A título de ilustração, o percentual de vagas formais geradas na cidade nos últimos 12 meses, no período encerrado em maio passado, foi de 8,14%, segundo o último balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O índice supera, no mesmo intervalo, os indicadores apurados em Belo Horizonte (5,09%), em Minas Gerais (4,23%) e no Brasil (4,32%). O indicador da cidade representa, em números absolutos, a absorção de 3.073 trabalhadores. A maioria (1.166) foi contratada pela indústria de transformação, como a de vestuário. Nesse ramo, por exemplo, a Isofilme, que abriu as portas no último dia 4 de junho, depois de investir R$ 108 milhões numa fábrica, contratou 63 funcionários.

“As oportunidades de emprego estão boas na cidade”, garante Heitor Ribeiro do Vale e Silva, de 33 anos. Em 2008, ele deixou Pouso Alegre e se mudou para São Paulo em busca de melhor oportunidade no mercado de trabalho. Em julho de 2011, porém, ele aproveitou a chegada da Rexan, que havia aberto uma fabrica de embalagens de alumínio em sua terra natal há seis meses, e se candidatou a uma vaga para supervisor de melhoria contínua: “Não pensei duas vezes em voltar para minha cidade.”

Mas o que desperta o interesse de grandes empresas na cidade? A resposta, na ponta da língua, é do secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Renato Torres: “Temos um entroncamento rodoviário invejável (BRs 381 e 459 e MGs 179, 173 e 290), mão de obra qualificada e áreas disponíveis”. Até pouco tempo, o município de Extrema era o preferido das grandes empresas, pois, também cortado pela 381, oferece incentivos fiscais e está a cerca de dois quilômetros da divisa com São Paulo. “Hoje não há mais área disponível em Extrema. Os pontos fracos de Extrema são nossos pontos fortes: temos, por exemplo, grandes áreas disponíveis e somos a única cidade do Sul de Minas abastecida com duas subestações da Cemig”, completou Torres.

Por áreas disponíveis entenda-se terrenos e vantagens oferecidas, tanto pela prefeitura quanto pelo estado, em isenção ou redução de impostos. A chegada das indústrias, acrescentou o secretário, promete mudar o perfil do PIB de Pouso Alegre. Atualmente, a dupla comércio/serviços representa 51,5% das riquezas do município, enquanto a indústria abocanha 41,5% e o agronegócio 7%. “Em 2013, esses percentuais estarão diferentes, com a indústria ultrapassando comércio e serviços na composição do PIB.”

A chegada da XCMG a Pouso Alegre deve provocar uma invasão chinesa no Sul de Minas Gerais em 2013, quando a empresa asiática entrar em operação. Seis fornecedoras, também chinesas, estão negociando com a prefeitura local. A administração municipal não revela os nomes das empresas, mas confirma que representantes asiáticos estiveram na cidade no fim de maio para oficializar o interesse de se instalar na região.

“Agendamos outras reuniões para julho. Ainda não discutimos (a quantidade de) geração de emprego. Por enquanto, estamos negociando incentivos (fiscais) e áreas (para construção das fábricas)”, resumiu o secretário Renato Torres. A formação desse cinturão de fornecedores, inclusive, foi acertada entre a prefeitura e a XCMG quando foi firmado o compromisso de instalação da montadora.

À montadora, a prefeitura concedeu isenção, por cinco anos, do Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU) e do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN). Também liberou a empresa do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), além de doar à montadora uma parte do terreno – 225 mil dos 806 mil metros quadrados.

O futuro cinturão em volta da XCMG e a chegada de outras indústrias ao município vão beneficiar o comércio e o setor de serviços. Vários empresários do varejo, por exemplo, ampliam seus investimentos ou pesados recursos em novos empreendimentos para atender a crescente demanda. Hoje, por exemplo, será lançada a pedra fundamental da construção de um shopping na cidade, o Serra Sul, que deve gerar 1,5 mil empregos. O empreendimento está orçado em R$ 78 milhões.

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